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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Poesia Mediúnica em 1º lugar

O aluno L. pediu auxílio ao companheiro Leonardo Paixão para fazer uma poesia com o tema Ser Jovem. Leonardo de boa vontade o vai auxiliar e, para surpresa dele, o Espírito José Grosso se aproxima e dita o que segue, fazendo com que o aluno L. tire o 1º lugar em sua sala e com isto tendo a poesia publicada em livro editado pela escola na qual estuda.Vemos assim o quanto os Espíritos auxiliam aos que têm boa vontade e para aqueles que acompanharam tal processo, fica sendo tal episódio mais uma evidência da imortalidade da Alma. Eis a Poesia:

SER JOVEM

Ser jovem é ser alegre
Passando para o mundo
Este sentimento profundo
Que é o que todos querem

Ser jovem também
É ser questionador
Buscando na vida em meio à dor
A sabedoria a ajudar alguém

Ser jovem é amar
A todos os seres da Natureza
Revelando ao mundo a beleza
De todos em amor abraçar

Ser jovem com juízo
É seguir na vida em Luz
Acompanhando os passos de Jesus
Com responsabilidade no compromisso

José Grosso
(Poema ditado espontaneamente ao médium Leonardo Paixão no dia 24/10/2013)

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

José Herculano Pires, 1915-1979
Do livro: O Centro Espírita

Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita, quais são realmente a sua função e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra.


FUNÇÃO E SIGNIFICAÇÃO


O Centro Espírita não é templo nem laboratório – é, para usarmos a expressão espírita de Victor Hugo: point d’optique do movimento doutrinário, ou seja, o seu ponto visual de convergência. Podemos figurá-lo como um espelho côncavo em que todas as atividades doutrinárias se refletem e se unem, projetando-se conjugadas no plano social geral, espírita e não espírita. Por isso mesmo a sua importância, como síntese natural da dialética espírita, é fundamental para o desenvolvimento seguro da Doutrina e suas práticas. Kardec avaliou a sua importância significativa no plano da divulgação e da orientação dos Grupos, explicando ser preferível a existência de vários Centros pequenos e modestos numa cidade ou num bairro, à existência de um único Centro grande e suntuoso.
Um Centro Espírita pequeno e modesto – como na maioria o são - atrai as pessoas realmente interessadas no conhecimento doutrinário, cria um ambiente de fraternidade ativa em que as discriminações sociais e culturais desaparecem no entrelaçamento de todos os seus componentes, considerados como colaboradores necessários de uma obra única e concreta. O ideal é o Centro funcionar em sede própria, para maior e mais livre desenvolvimento de seus trabalhos, mas enquanto isso não for possível, pode funcionar com eficiência numa sala cedida ou alugada, numa garagem vazia ou mesmo numa dependência de casa familial. As objeções contra isso só podem valer quando se trate de casas em que existam motivos impeditivos materiais ou morais.
Muitos centros Espíritas surgiram do desenvolvimento de grupos famílias, desligando-se mais tarde da residência em que se formara. A alegação de que a casa fica infestada ou coisas semelhantes é contraditada pela experiência. Um trabalho de amor ao próximo, feito com sinceridade e intenções elevadas, conta com a proteção dos Espíritos benevolentes e a própria defesa de suas boas intenções. Os Centros oriundos de grupos familiares mostram-se mais coesos e mais abertos conservando a seiva fraterna de sua origem. É esse o clima de que necessitam os trabalhos doutrinários.
Organizado o Centro, com uma denominação simples e afetiva, com o nome de um Espírito amigo ou de uma figura espírita abnegada, de pessoa já desencarnada, preparados, aprovados em assembléia geral e registrados os estatutos, sua função e significação estão definidas como estudo e prática da Doutrina, divulgação e orientação dos interessados, serviço assistencial aos espíritos sofredores e às pessoas perturbadas, sempre segundo a Codificação de Allan Kardec. Sem Kardec não há Espiritismo, há apenas mediunismo desorientado, formas do sincretismo religioso (...), confusões determinadas por teorias pessoais de pretensos mestres.
Dirigente, auxiliares e freqüentadores de um Centro Espírita bem organizado sabem que a Obra de Kardec é um monumento científico, filosófico e religioso de estrutura dinâmica, não estática, mas cujo desenvolvimento exige estudos e pesquisas do maior rigor metodológico, realizadas com humildade, bom-senso, respeito à Doutrina e condições culturais superiores. Opiniões pessoais, palpites de pessoas pretensiosas, livros mediúnicos ou não de conteúdo mistificador, cheios de absurdos ridículos – seja o autor quem for – não têm nenhum valor para um verdadeiro Centro Espírita.
Cada Centro Espírita tem os seus protetores e guias espirituais que comprovam a sua autenticidade pelos serviços prestados, pelas manifestações oportunas e cautelosas, pela dedicação aos princípios Kardecianos. A autoridade moral e cultural dos dirigentes e dos espíritos protetores e guias de médiuns e trabalhos decorre da integração dos mesmos na orientação de Kardec. O Centro que se esquece disso cai fatalmente em situações negativas, adotando práticas antiespíritas e enveredando pelo caminho da traição a Kardec e ao Espírito da Verdade. As conseqüências dessas falências são altamente prejudiciais a todo o movimento espírita. Não se trata de nenhum problema sobrenatural, mas simplesmente de falta de vigilância – principalmente contra o orgulho e a vaidade, que levam muitas pessoas a quererem parecer mais do que outras. Isso acontece também em todos os campos da atividade humana, nos quais encontramos cientistas pretensiosos e sistemáticos, negociantes fraudulentos, médicos apegados às suas idéias próprias. A pretensão humana não tem limites e cada indivíduo pretensioso está sempre assessorado por entidades mistificadoras.
A Ciência Espírita é um organismo vivo, de natureza conceptual, estruturada em leis psicológicas, ou seja, em princípios sem pôr em perigo imediato todo o seu sistema. No centro Espírita em que essa compreensão da doutrina não se desenvolve, na verdade não existe Espiritismo, mas apenas um vago desejo de atingí-lo. As raízes dessa estrutura conceptual estão no cristianismo, não em seu aspecto formal-igrejeiro, mas em sua essência evangélica, definida na Codificação Kardeciana. Os Evangelhos canônicos das Igrejas Cristãs estão carregados de elementos da era Mitológica e superstições judaicas, são esses elementos do passado pagãos-judeu que deformaram o ensino puro de Jesus, permitindo interpretações flagrantemente contrárias ao que Jesus ensinou e exemplificou. No livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo” no livro “A Gênese” Kardec mostrou como podemos restabelecer a pureza das raízes evangélicas, usando a pesquisa histórica das origens cristãs, o método analítico-positivo do estudo histórico e o método lógico comparativo dos textos. Sem a pureza das raízes não teremos a pureza dos textos e cairemos facilmente nas trapaças ou nas ilusões dos mistificadores encarnado e desencarnados.
Nas primeiras comunidades cristãs, onde o culto pneumático era praticado, manifestava-se espíritos furiosos, defensores de suas crenças antigas, que injuriavam o Cristo e seus adeptos, a expressão culto pneumático vem do grego, pis pneuma quer dizer espírito. O culto constituía a parte prática do ensino espírita de Jesus. Na I Epístola aos Corintios o apóstolo Paulo dá instruções à comunidade de Corinto sobre a realização desse culto, ensinando até mesmo como os médiuns (então chamados profetas) deviam se comportar na reunião. Os Espíritos se manifestavam pelos médiuns e eram doutrinados pelos participantes do culto. Esse trecho expressivo encontra-se no tópico da epístola que trata dos Dons Espirituais. Não obstante, as Igrejas Cristãs deram interpretações inadequada e absurda a esse trecho, como fizeram com todos os trechos dos Evangelhos em que Jesus se refere à reencarnação. Incapazes de doutrinar os espíritos mistificadores ou agressivos, que atacavam Jesus e sua missão, os que se ligaram ao império Romano suprimiram o culto pneumático, alegando que as entidades que neles se manifestavam eram diabólicas, rejeitando as manifestações espíritas.
Num centro Espírita bem organizado esses problemas são estudados, e ensinados, para que as pessoas interessadas no ensino real do Cristo possam compreender o sentido do Espiritismo. Sem isso, o Centro Espírita deixa de cumprir a sua missão na grande obra de restauração do cristianismo em espírito e verdade. O que o Espiritismo busca é a verdade cristã, cumprindo na Terra a promessa de Jesus, que através de Kardec e seu Guia Espiritual, o Espírito superior que deu a Kardec, quando este lhe perguntou quem era, esta resposta simples: “Para você, eu sou A Verdade”. O Centro Espírita significa, assim uma fortaleza espiritual da grande batalha para o restabelecimento da verdade cristã na Terra. Mas tudo isso deve ser encarado de maneira racional e não mística, no Centro Espírita. Ninguém está ali investido de prerrogativas divinas, mas apenas de obrigações humanas.

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Fotos do lançamento do livro "Sementes de Paz"

Com os amigos Eliane, Ana Lúcia, Rosângela, a companheira Tereza e o amigo Marco.



                                                  Com a mãezinha do coração Neir, um amor.
                                      Com a companheira Tereza e a amiga Ana, dando autógrafo.
                                                                 Com a amiga Patrícia.
                                              Com o amigo Charles Santiago, nosso fotógrafo
                                          Com os amigos do peito Ana Lúcia, Rosângela e Marco.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Lançamento do livro "Sementes de Paz" de Espíritos Diversos, psicografia de Leonardo Paixão dia 05 de Setembro às 19 horas no GE Bezerra de Menezes à Rua Silva Tavares, 46 - Altos. Pq. Rosário.Campos dos Goytacazes
Breve lançamento em outras casas também.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Crítica Literária

              (Do site Orientação Espírita - orientacaoespirita.org)
 
Ícaro Redimido

Autor: Adamastor
Médium: Gilson Freire
Editora: Inede
Número de Páginas:
Lançamento: 2007

 
Análise de Leonardo Paixão
 
Colocaremos para uma leitura dinâmica, parte de textos do livro que consideramos “chaves” para a análise por nós feita e, logo em seguida as nossas observações.
 
“Durante um ano, antes de iniciar este trabalho, fui invadido, no momento do sono, por uma profusão de sonhos muito reais e que entreteciam todo o enredo da história que iria escrever mais tarde. No entanto, eu não estava ciente do fato e não podia compreender a razão daquilo. Passava os dias acompanhado por aquelas imagens inquietantes e guardava a estranha sensação de trazer a mente invadida por pensamentos que não me pertenciam, pressionando-me as paredes do cérebro para evadir-se. De certa forma me perturbavam, dificultando-me o trabalho diurno, causando-me uma íntima inquietude e a inexplicável impressão de não estar completamente desperto e integrado ao nosso mundo” (Esclarecimentos Necessários, p. 12).
 
É estranha essa declaração, pois, Espíritos esclarecidos não perturbam a vida cotidiana do médium e deixam agradáveis vibrações e seu trabalho é realizado em dia e horários pré-estabelecidos, sendo que, como diz o Espírito Odilon Fernandes no livro “Mediunidade e Doutrina” psicografia de Carlos Antônio Baccelli e Prefácio de Emmanuel por Chico Xavier, os Espíritos podem de forma natural e espontânea dar mensagens fora deste contexto, mas não é a regra e em o fazendo não perturbarão ao médium.
 
“Uma entidade que não pertence a este mundo esteve presente junto a mim, inspirando-me no seu relato. Responde pelo nome de Adamastor e sentia a força de sua presença, impondo-me o seu pensamento e dirigindo ativamente o trabalho” (Idem – grifo meu).
 
Os Bons Espíritos não impõem seus pensamentos, eles os projetam e o médium os filtrará de acordo com a sua capacidade, sendo mais ou menos fiel ao pensamento do Espírito. Aconselhamos sobre este assunto de trabalhos literários pelas vias psicográficas a leitura do capítulo “O amigo Beletrista”, na obra “Devassando o Invisível”, de Yvonne Pereira.
Vejamos aqui resposta de Yvonne sobre psicografia, é de muito esclarecimento o que ele nos transmite:
 
RIE- Como e quando começou a psicografar?

Resposta de Yvonne Pereira:
 
Aos doze anos de idade eu já escrevia impulsionada pelos espíritos, sem, contudo, ter verdadeira noção do fenômeno. Sou criada em ambiente espírita desde o berço e por isso o fato nunca me impressionou. Sentia indomável impulso no braço e atordoamento, sem, no entanto, se verificar o transe, e isso fora mesmo de sessões práticas. Desejava parar de escrever e não conseguia. O fenômeno parece que se processava pela psicografia mecânica. E via o espírito comunicante, que se nomeava Roberto, afirmando ter vivido na Espanha, pelo século XIX. Nunca procurei desenvolver a mediunidade ou a provoquei. Apresentou-me ela, naturalmente, desde a infância. Apenas procurei imprimir-lhe o rumo conveniente, educando-me na moral evangélica e nas disciplinas recomendadas pela doutrina espírita. E comecei a psicografar livros ainda em minha juventude, recebendo o primeiro convite ao trabalho e as necessárias instruções do espírito Camilo Castelo Branco, que desde minha infância se revelou um grande amigo espiritual. Qualquer entidade que conceda uma obra psicografada convida o médium (não ordena) e fornece instruções. Sem esse convite será difícil, senão impossível, conseguir-se alguma coisa autêntica. Pelo menos é o que acontece comigo. (grifamos)
Fonte: Pelos caminhos da Mediunidade Serena/ Yvonne do Amaral Pereira – 1ª Ed., 1ª reimp. – São Paulo, SP: Lachâtre, 2007, pag.24-26.
 
No Prefácio/Apresentação – que tem por título “A História de um Ícaro” – escrito supostamente pelo Espírito Bezerra de Menezes, há considerações duvidosas:
 
“(...) aproximando o curso dos fatos desta e da outra vida, unindo causas e efeitos, entretece a verdadeira sucessão da História, em sua lógica impreterível, quando vista sobre o prisma do espírito” (p. 20)
 
Perguntamos: Se o Carlos Vítor Mussa Tavares, o Carlinhos (filho de Clóvis Tavares), foi a reencarnação de Santos Dumont, conforme revelação de Chico Xavier a Clóvis Tavares, qual a necessidade deste livro? Os fatos já não teriam dito muito?
 
“Agradeçamos ao esforço de todos por esta contribuição à História, mesmo que os homens da Terra teimem em não lhe reconhecer a inquestionável veracidade” (p. 21 – grifo meu).
 
Esta não é uma expressão condizente para um Espírito Superior, pois este não está preocupado se os homens o aceitarão ou não, sabe que a obra será realizada. Por outra, a “inquestionável veracidade” sobre a História espiritual de Santos-Dumont é a que foi revelada por Chico Xavier, Yvonne Pereira, Newton Boechat, Wallace Rodrigues e César Burnier (adiante falaremos sobre ela), que destoam do que nesta obra está escrito.
 
“(...) De forma que não podemos mais duvidar da possibilidade de regressão (grifei), representando, sem dúvida, o maior dano que o espírito é capaz de se infligir” (Cap. 08 – Na Câmara dos Ovoides, p. 84).
 
Apesar de se estar falando de espíritos em estágio de ovoidização, o autor espiritual fala claramente neste texto que o Espírito pode regredir, afirmativa que vai de encontro às respostas dos Guias da Humanidade em “O Livro dos Espíritos” (vide a questão 193, 194 e o Capítulo V – Considerações sobre a Pluralidades das Existências).
 
“(...) Será, no entanto, recurso defensivo importante para a manutenção de seu equilíbrio. A medicina terrena ainda não se deu conta disso e trata de inibir, com insistência, essas importantes leucorreias, dificultando muitas vezes o trabalho de drenagem dos miasmas pestilentos” (Cap. 10 – A Bênção do Recomeço).
 
É informação dada apenas por um Espírito e um médium, sendo o médium Freire médico, o que será que pensa desta proposta anti-higiênica?
 
“(...) A contração máxima, como a vemos, era já esperada porque Alberto se defrontou com o meio adequado para isso, e a executou convenientemente. Se, no entanto, ele não tivesse sido acomodado no seio uterino, aí sim o processo lhe seria drástico, pois, terminaria, como já vimos, na ovoidização” (Cap. 10, p. 100).
 
Chico Xavier, Yvonne Pereira, Newton Boechat, Wallace Rodrigues e César Burnier, jamais falaram sobre ovoidização no caso de Santos-Dumont. É estranho que cerca de 60 anos após a mensagem que Dumont deu a Chico Xavier, precise se revelar o fato agora, pois, a sua dolorosa reencarnação como Carlinhos (viveu 17 anos tetraplégico), já foi um grande exemplo e um testemunho da reencarnação. Será que verdadeiramente é preciso mais?
 
“(...) Somente entidades de altíssimo quilate evolutivo conseguem manipular à distância o desenvolvimento de sua forma, mantendo-se em relativa liberdade durante o processo” (Cap. 11 – Dias Atribulados, p. 106).
 
Tal informação contrasta com a questão 344 de “O Livro dos Espíritos” e com a questão 51 do item 284 de “O Livro dos Médiuns”. Um exemplo a dar é o de D. Laura, mãe de Lísias em “Nosso Lar”, que não mais precisava reencarnar e em o fazendo deixou aos parentes em “Nosso Lar” muito tristes com a sua “partida”. Outro fato digno de nota é o caso de Espíritos que revelam que iram reencarnar e ao o fazerem, já não mais dão comunicações. Podemos dizer ser este o caso do Espírito Emmanuel, guia de Chico Xavier que, segundo consta está reencarnado desde o ano 2000. Médiuns que dizem receber Emmanuel e até psicografam livros, como é o caso do Wagner Gomes da Paixão em Belo Horizonte, tem sido rechaçado por aqueles que conviveram com Chico de perto, como Eurípedes Humberto Higino dos Reis (filho de coração de Chico), Geraldo Lemos Neto, Nena Galves e outros.
 
“(...) notamos que a mente do facultativo não se mostrava acessível a qualquer tipo de inferência de nosso plano (grifei)” (Cap. 11, p. 110).
 
Este trecho é uma contradição com o que em seguida vai escrito.
 
“(...) Notávamos-lhe a sólida formação moral (grifei), rica de possibilidades para a devida orientação à nossa amiga, porém sua pressa e seu pouco interesse em se envolver com o caso tornavam-no completamente impérvio à nossa atuação” (Cap. 11 – Dias Atribulados, p. 111).
 
Muito estranha esta passagem, pois, justamente esta “sólida formação moral” é que torna o ser humano dócil às vibrações dos Benfeitores Espirituais e seria fácil a eles a inspiração ao médico citado como de “sólida formação moral”. E o médico, se realmente tivesse esta formação seria uma alma sensível e, por isso mesmo, auxiliaria a meretriz que lhe pedia socorro.
 
“Nosso sustento na vida ainda se baseia em inadequado vampirismo, praticado em refinadas expressões, sem nos darmos conta de que exercitamos, na verdade, um regime em oposição à Lei do Amor. Se insistimos neste estranho hábito de ingerir as vísceras de nossos irmãos inferiores, justificados por viciadas e pretensas necessidades biológicas, justo é estarmos, por nossa vez, sujeitos ao roubo exploratório de nossas biomassas doentiamente surrupiadas de outros. O amor e não a morte deve alimentar a nossa vida, se queremos de fato que a felicidade habite nossa alma. A indústria da morte, sustentando nos séculos o vício do vampirismo, deve ser assim banida de nossa sociedade, a fim de que ela se harmonize com as Leis de Deus e a paz se estabeleça em seu seio. Sem dúvida que o homem encontrará diversas maneiras de prover a sua vida física no planeta, de forma eficiente e saudável, que não se baseie no extermínio de seus irmãos menores, maculando o puro amor que lhe consubstancia a alma divina” (Cap. 13 – Doloroso Transe, p. 123).
 
Este parágrafo ressuscita a defesa ferrenha do vegetarianismo que faz o espírito Ramatís no seu livro “Fisiologia da Alma”. Sobre o assunto vejamos o que diz o Espírito Lamennais na Revista Espírita de Dezembro de 1863: “o esquecimento da carne leva mais facilmente à meditação e à prece”. Entretanto, termina dizendo: “Pode ser-se bom cristão e bom espírita e comer a seu gosto contanto que seja razoável. É uma questão um tanto leviana para os nossos estudos, mas não menos útil e proveitosa” (grifos meus).
Lamennais diz que é uma questão leviana, isto é, não tem muita importância; e em que sentido ela é “não menos útil e proveitosa”? No sentido de que nos faz refletir sobre os nossos hábitos alimentícios em relação a como estamos usando os alimentos: com sobriedade ou com exagero? O que importa é o crescimento moral e não o deixar ou não de comer carne.
Já finalizando estes nossos comentários que vão longo, porém, necessários e antes de deixarmos aqui as palavras do confrade Flávio Mussa Tavares, filho de Clóvis Tavares e irmão de Carlos Vítor Mussa Tavares, se faz necessário dizer que a obra de 450 páginas é um repertório de termos médicos e como o espírito Adamastor, conforme orelha do livro “é o pseudônimo de um médico que viveu na França no final do século XIX e se transferiu para o Brasil, onde desencarnou em decorrência do abuso do álcool e do fumo, tendo sido recebido no plano espiritual como suicida (...) Até onde sabemos, seus trabalhos junto a nós têm se desenvolvido no Grupo da Fraternidade Espírita Irmão Vítor, onde já se manifestou através de diversas mensagens de elevado teor, em nome de Bezerra de Menezes (grifei), algumas dirigidas ao Movimento da Fraternidade”.
 
Um Espírito suicida pode se recuperar e escrever para trazer ensinamentos aos homens, foi o caso de Camilo Castelo Branco através de Yvonne Pereira que, além de outras obras de inegável valor doutrinário, nos legou “Memórias de um Suicida” e de André Luiz que, através de Chico Xavier nos legou a sua lavra de “repórter do Além”.
No caso em pauta, estamos a analisar a linguagem técnica em excesso do referido autor espiritual. Ou o espírito quer dar mostras de seu conhecimento científico, já que ele fora médico ou o médium liberou conhecimentos pela via anímica, para nós sendo mais provável esta última hipótese, pois que os termos são da moderna medicina e, por uma questão de identidade espiritual, o espírito poderia usar dos termos que sabia, diferente com o ocorrido a André Luiz, pois este escreveu pouco depois de sua desencarnação e os conhecimentos que possuía não estavam distantes do conhecimento que se tinha, já não se dá este fato com o espírito Adamastor, que se encontra desencarnado há mais de um século. O fato de ele ter aprendido no Além, diante do que lemos na obra, deixa claro se tratar de um espírito pseudossábio, inclusive enviando mensagens em nome de Bezerra de Menezes, quando vemos o próprio Bezerra – quando se trata de assuntos do Espiritismo e do Movimento Espírita – a irradiar seu pensamento como Espírito Superior que é, a diversos médiuns. Diante disto seria o Prefácio/Apresentação do livro escrito por Bezerra de Menezes ou foi o espírito Adamastor que o escreveu usando o nome do “Médico dos Pobres” (método muito usado pelos espíritos que querem enganar é usurpar o nome de entidades venerandas) e, por isso, dizendo da “inquestionável veracidade” da obra?
Ao final da obra o médium Freire coloca a mensagem que Santos-Dumont deu por Chico Xavier e em nota diz:
 
“(...) Ela (a mensagem) nos mostra que Santos Dumont já havia se recuperado, embora tivessem decorrido apenas 16 anos de sua trágica morte, tempo considerado curto, tendo em vista a habitualmente longa recuperação dos suicidas. O teor de suas palavras nos atesta que ele se movia rumo à aquisição de nobilitantes conquistas, sobremodo distanciadas dos antigos interesses que o motivaram na vida física, comprovando-se as revelações aqui expostas”.
 
Em realidade, as palavras de Santos-Dumont não comprovam as “revelações” desta obra, haja vista que a família do saudoso Professor Clóvis Tavares, onde Santos-Dumont encarnou, sendo o Carlinhos, contesta veementemente as “revelações” desta obra. Por outra, a afirmativa de que Santos-Dumont já havia se recuperado, embora tivessem decorrido apenas 16 anos de sua trágica morte (...)”, contrastam com a revelação de Chico Xavier a Clóvis Tavares “de que Santos Dumont, desde 1936, era um dos mais devotados Amigos Espirituais de nossa Escola Jesus Cristo” (TAVARES, Clóvis. Trinta Anos com Chico Xavier. 7. ed. Araras, SP: IDE, 2008. p. 152).
Se Dumont já era Amigo da Escola Jesus Cristo e “um dos mais devotados”, desde 1936, peca o médium Freire em dizer que Santos Dumont recuperou-se 16 anos depois, antes disto, ele já estava ativo no Mundo Espiritual. Ainda sobre o assunto, vejamos a nota que o Dr. Flávio Mussa Tavares colocou à página 67 do livro “Rocha dos Séculos”, 1ª edição, Campos, RJ: Escola Jesus Cristo, 2008:
 
“É importante revelar aqui que o nobre espírito Santos Dumont comunicou-se também pelo mesmo médium, com o pseudônimo de Lill, escrevendo particularmente a Clóvis Tavares. Estas comunicações estão inseridas no livro “A Morte é Simples Mudança”, onde estão também as poesias de Carlos Vítor, o Carlinhos, filho primogênito de Clóvis Tavares. Ele sofreu como Carlinhos, uma expiação voluntária de seu intento contra a vida na pessoa do Pai da Aviação. Acrescento aqui esta nota, pois a literatura espírita mediúnica está produzindo textos que aludem a uma situação espiritual negativa de Santos Dumont que é absolutamente diferente das informações coincidentes que temos através das mediunidades de Chico Xavier, Yvonne Pereira, Wallace Rodrigues, César Burnier e Newton Boechat. Como Allan Kardec ensinou-nos que devemos balizar-nos pela Universalidade do Ensino dos Espíritos, segue-se que qualquer comunicação que sugira a Santos Dumont uma situação espiritual diferente da observada pelos médiuns supracitados seja apócrifa”.

sábado, 25 de maio de 2013


Restauração do Cristianismo
Por Leonardo Paixão
(Orador e Médium em Campos, RJ - Brasil)

Desde que Constantino em 325 d.C. realizou o Concílio de Nicéia, teve início a grande desfiguração do Cristianismo, onde a crença pagã (politeísta, enraizada na doutrina da santíssima trindade e nos cultos dos santos), já não é apenas o aspecto sincrético proveniente do aumento do número de cristãos no Império Romano, fenômeno perfeitamente explicável pelos estudos de antropologia cultural, mas verdade de fé e por isso mesmo irrevogável. Era o início de um poder terreno que se fazia na Terra o representante escolhido diretamente pelos Céus! (1) O interesse de Constantino em manter a unidade política, territorial e religiosa do Império e uma posição proeminente para sua pessoa imperial, foram os motivos para a convocação de um Concílio reunindo líderes de diversas igrejas e somente após o Concílio de Nicéia foi que o imperador tornou – se popular em Roma e, agora só havia uma doutrina teológica verdadeira porque inspirada pelo Espírito Santo (?) (2), sobre este assunto esclarece o prof. J. Herculano Pires:

(...) Os Gnósticos, que enfrentaram o avanço dos cristãos, apoiados pelo Imperador Constantino, de Roma, diziam – se herdeiros de uma revelação antiga, que se conservava na sucessão dos mandatos. Pretendiam a universalidade, como os cristãos, mas não dispuseram de um apoio político e militar suficiente, sendo condenados como hereges. Os cristãos realizaram sua institucionalização sob a proteção romana toda poderosa. Tinham o mandato de César, mas faltava – lhes o de Deus. Todas as seitas cristãs que discordavam da posição dos protegidos de Roma eram declaradas hereges e muitas vezes exterminadas. A mesma aliança anteriormente efetuada entre romanos e judeus, em Jerusalém, efetuava – se então entre romanos e cristãos, com propósito mais vasto, que era o domínio do mundo. Por mais que desejemos dourar essa situação, alegando a necessidade de expansão do Cristianismo para a salvação da Humanidade, a verdade dos fatos históricos nos mostra que o objetivo principal, e que realmente se realizou, pelo menos em parte, era o domínio político e militar dos povos sob o prestígio da igreja apoiada pelo Império (Revisão do Cristianismo, 1996).

As consequências de tal decisão produziram o período de trevas na humanidade começando com as Cruzadas que tinham por objetivo retirar os árabes da Terra Santa culminando com a instituição da Congregação do Santo Ofício (hoje Congregação para a doutrina da Fé), ironicamente chamada de Santa Inquisição, que tanta dor e confusão causou devido ao fanatismo religioso e à ambição desmedida dos novos sacerdotes da caricatura cristã. A massa ignara seguia piedosamente as ordens “divinas”, é chocante o episódio ocorrido com John Huss: quando este estava sendo queimado uma velhinha se aproxima e coloca um pequeno galho para aumentar o fogo, ao que Huss exclama: sancta simplicita! (santa ignorância), o povo cria que quanto maior fosse o fogo, a alma do “infiel” seria mais purificada de seus “pecados”.

É no seio da própria Igreja que o começo de uma ação para restaurar a verdade cristã em seu verdadeiro significado irá se produzir, quando em 31 de outubro de 1517 o monge agostiniano Martin Luther (Martinho Lutero) fixa na porta da igreja de Wittenberg as 95 teses, dando início a intensos debates teológicos que culminam na divisão da cristandade em católicos e protestantes. Entretanto, apesar de Lutero haver retirado a letra morta para a claridade das consciências, o livre exame das Letras Sagradas trouxe divergências na interpretação, provocadas pelo orgulho humano que só percebe a sua verdade, nasceram daí os anabatistas e os calvinistas e mais divisão foi feita entre os cristãos.

No decorrer da história humana, muitos pensadores apareceram buscando fazer ver ao homem que a vida tem um sentido e que o Cristianismo do Cristo não estava perdido, teremos o “cogito” de Descartes (século XVII), os enciclopedistas no Século das Luzes (século XVIII), o panteísmo de Spinoza (século XVII), a desenvolver – nos uma concepção de Deus nada antropomórfica, de Spinoza disse Ernest Renan: “eis o homem que teve a mais profunda visão de Deus!”. E, para fazer a revisão dos ensinos de Jesus de Nazaré, Renan, o grande racionalista do século XIX, em 24 de junho de 1863, lança a sua obra – prima Vida de Jesus (3), restituindo a Jesus a sua figura humana, filho de José e Maria e não um deus encerrado num corpo humano, como se tal coisa fosse possível, o Criador dos Universos limitado como um mortal, Ele que é a um só tempo Eterno e a Eternidade. Guiando – se na mesma postura de Renan, mas sob ótica diversa, Allan Kardec também inicia o processo de revisão do Cristianismo quando publica O Evangelho segundo o Espiritismo em 1864. No livro Obras Póstumas, Kardec pergunta aos Espíritos o que dirá o clero sobre O Evangelho, ao que responderam:

“O clero gritará – heresia, porque verá que atacas decisivamente as penas eternas e outros pontos sobre os quais ele baseia sua influência e o seu crédito. (...) O anátema secreto se tornará oficial e os espíritas serão repelidos, como o foram os judeus e os pagãos, pela Igreja Romana. Em compensação, os espíritas verão aumentar – se – lhes o número, em virtude desta perseguição, sobretudo com o qualificarem, os padres, de demoníaca uma doutrina cuja moralidade esplenderá como um raio de Sol pela publicação do teu novo livro e dos que se seguirão.

(...) o Espiritismo é a única tradição verdadeiramente cristã e a única instituição verdadeiramente divina e humana” (4).

O Espiritismo desmistifica e demitifica todo o arcabouço filosófico e teológico que a escolástica durante séculos produziu, colocando o homem na posição de espírito em evolução e tendo por máxima Fora da Caridade não há salvação (5), restaura a simplicidade cristã que é sem culto oficial, sem ritos, sem pompas, como eram as reuniões na igreja primitiva.

Notas:

1 – Este poder temporal vindo do céu estendeu – se à figura dos reis:

Se a sociedade era uma e tripartida e o rei era a figura que liga o triângulo, este apresentava - se, (...), na teologia política com um duplo corpo: o corpo mortal, terreno e humano, e o corpo que era na verdade o corpo místico, designativo do coletivo idealizado nas três ordens.

O duplo corpo do rei era por um lado a junção do corpo clerical e do corpo leigo, do sagrado e do profano, por isso o rei era ungido e eleito como todos que são da esfera do sagrado. Mas o rei não pertencia ao corpo clerical. Nem ao corpo clerical, nem à cultura clerical somente, porque o rei guerreiro também, leigo como seus pares, primus inter pares [primeiro entre iguais]. (FRÓES, Vânia Leite. Era o tempo do Rei... IN: LIMA, Lana Lage da Gama, HONORATO, César Teixeira, CIRIBELLI, Marilda Corrêa, SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. História e Religião. Rio de Janeiro: FAPERJ: Mauad, 2002. p. 59-60).

2 - (...) o Concílio de Nicéia era uma convocação de líderes religiosos vindos dos quatro cantos do mundo antigo, desde a Espanha até a Pérsia, do norte da África ao norte da França, do Egito da Síria, da Armênia e da Palestina. Constantino organizou e controlou a reunião, a primeira conferência ecumênica, criando, com esmero, a primeira imagem da cristandade. (...) As gerações seguintes acreditaram de modo geral que o Concílio de Constantino, fora guiado diretamente pelo Espírito Santo. O imperador entronizado e seus bispos aparecem como o protótipo do governo ocidental, pois foi em Nicéia que essa ordem dual de poder espiritual e temporal recebeu sanção pela primeira vez. No centro desse novo Império cristão ficavam os livros sagrados da Bíblia (ROMER, 1991).

3 – Esta obra de Renan é o marco da pesquisa universitária sobre a historicidade de Jesus e é reconhecida, diante das recentes descobertas arqueológicas como um dos mais importantes textos sobre esta.

4 – Para melhor entendimento dessa afirmativa leia – se o capítulo I do livro A Gênese, de Allan Kardec – Caráter da Revelação Espírita.

5 – É interessante observar que os exegetas têm traduzido para a Bíblia a palavra caridade por amor, já que aquela tem tido na atualidade o sentido de assistência social fugindo do sentido original, caridade vem do grego kharitas e significa amor supremo, lembramos que os gregos tinham oito palavras para exprimir o amor, cada qual em sentido específico, a caridade (amor supremo) como a entendia Jesus é a “benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas” (O Livro dos Espíritos, questão 886).

 

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

FENÔMENO ANÍMICO X FENÔMENO MEDIÚNICO
Por Leonardo Paixão

No campo das pesquisas espíritas temos que considerar dois tipos de fenômenos que se assemelham e, por isso mesmo, confundem muitos espiritistas não afeitos à pesquisa e que erroneamente os classificam num único tipo: o fenômeno mediúnico. Se atentassem para a história das pesquisas psíquicas compreenderiam que, sendo o ser humano um Espírito encarnado, ele possui faculdades próprias do Espírito que se manifestam em estado próprio, como o estado de "transe".As experiências de Charcot, Braid e Lombroso referentes à hipnose comprovaram que no estado hipnótico há insensibilidade nervosa e transposição dos sentidos, sobre isto, Lombroso cita a experiência que realizou com a jovem C. S., de 14 anos:
 
"De início, sonambulismo, durante o qual mostrava singular atividade nos labores domésticos, grande afetividade aos parentes, distinta disposição musical; mais tarde, apresentou mutação no caráter, audácia viril e imoral; mas, o fato mais estranho era que, enquanto perdia a visão dos olhos, via, com o mesmo grau de acuidade (o 7° na escala Jager), pela ponta do nariz e lóbulo esquerdo da orelha, lendo, assim, uma carta que então viera dos Correios, enquanto que eu lhe vendara os olhos, e pôde distinguir os números de um dinamômetro.
Curiosa era depois a nova mímica com que reagia aos estímulos levados aos que chamaremos órgãos ópticos transitórios e transpostos.
Avizinhando, por exemplo, um dedo à orelha ou ao nariz, ou fazendo menção de os tocar, ou ainda melhor, fazendo com uma lente incidir um raio de luz de lâmpada, mesmo à distância e por fração de minuto, ressentia-se vivamente e irritava-se.
- Quereis cegar-me? - gritava.
Depois, com instintiva mímica inteiramente nova, tão nova quanto o fenômeno, movia o antebraço a defender o lóbulo da orelha e a extremidade do nariz, e assim permanecia por alguns minutos" (LOMBROSO, César. Hipnotismo e Mediunidade. 5. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1999. p. 70-71).

Tais fenômenos levaram a estudos sérios sobre a real causa destes fatos, se tinham plausível explicação fisiológica ou eram produtos da emancipação da alma. No caso do Hipnotismo, como o paciente "está nas mãos do operador" é difícil a explicação espiritualista, a não ser quando através deste processo há a intervenção inesperada de outra "força" (Espírito) totalmente alheia à vontade do operador.
Bem compreendidos,os fenômenos anímicos são uma evidência da independência e imortalidade da alma; a clarividência, a clariaudiência, a telepatia, os sonhos premonitórios, o transe sonambúlico natural ou provocado e o desdobramento astral ou projeção psíquica, são algumas faculdades que possuem em grau elevado determinadas criaturas, podendo em algumas tais faculdades serem desenvolvidas pelo exercício.
Allan Kardec estudou os fenômenos do magnetismo por 35 anos consecutivos e afirmou ser este uma excelente ferramenta para o estudo das potencialidades anímicas, já os fenômenos mediúnicos trazem a característica de evidenciar a sobrevivência do Ser após a morte, dando o Espírito através do médium provas de sua identidade, no caso de ser alguém conhecido ou, através da linguagem, caso seja personagem de há muito desencarnada.
Como vemos, no fenômeno anímico só há a manifestação do médium, a aparência de fenômeno mediúnico de que este se reveste confunde muitos dirigentes de reuniões mediúnicas, daí a necessidade do estudo e da pesquisa séria para que não haja confusão entre fenômenos psíquicos, tais os sonhos premonitórios, pressentimentos e outros com a real mediunidade ostensiva, própria de muitos médiuns que foram pesquisados no passado e, ainda hoje, raros de se encontrar, para que tal se dê se faz necessário agir com o rigor científico que caracterizou a obra de pesquisadores como Kardec, Denis, Delanne, Bozzano, Richet, Joseph Banks Rhine e outros. Somente com tal postura haverá de se fazer um trabalho sério e dignificante e, ao mesmo tempo, de consolo e amparo ao próximo, seja na cura das obsessões, seja pelas chamadas cartas consoladoras, seja pela simples aplicação de um passe reconfortante. Eis aí, como disse Newton Boechat, "a sabedoria que ama e o amor que sabe".