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segunda-feira, 1 de maio de 2017

RETORNO E TAREFA

Nívea claridade fazia-se naquela manhã que começava. Instrutores do Mais além reuniam-se para um momento especial: o jovem Marcos estava prestes a reencarnar e a mediunidade lhe seria um Guia Redentor, se praticada à Luz do Evangelho Redivivo.
 
O seu Anjo de Guarda, que chamaremos aqui de Guardião, também lá se encontrava, espraiando a sua claridade de servidor do Cristo.
 
Os Instrutores, representados por Alcebíades, perguntaram então ao jovem Marcos em quem viam promissor futuro de Obreiro do Senhor:
 
- Descerás à Terra, novo corpo organizado para expressar uma sensibilidade mais apurada lá te aguarda, para que possas prestar os serviços que pedistes. Tens plena consciência disto?
 
- Sim - respondeu o jovem.
 
- Sacrifícios, renúncias, dissabores de toda ordem se te farão presentes...
 
- O Evangelho à Luz do Espiritismo será meu Guia.
 
- Lutarás com preconceitos no próprio meio doutrinário e muitas vezes te encontrarás só.
 
- Saberei reconhecer que "O Senhor é meu Pastor e nada me faltará".
 
- Não tereis a bênção e o aconchego de um lar e, ainda assim, darás assistência aos filhos de coração no seio de tua família.
 
- O Universo é a minha Pátria - respondeu valorosamente o mancebo.
 
- A mediunidade te dará alegrias ou tristezas, conforme o seu uso.
 
- A respeitarei como empréstimo do Criador para que eu realize a minha Redenção.
 
- Então, emprestarás seu corpo aos necessitados e ampararás os aflitos do Caminho em nome do Cristo?
 
- É o dever que me imponho como Cristão.
 
- Pedir-te-ão muitas vezes mais do que poderás dar...
 
- Direi que em Cristo todos temos vida abundante e que apenas começo meu caminho para Ele.
 
Neste ponto do diálogo, Marcos é abraçado por Alcebíades que lhe diz:
 
- Estaremos contigo sempre. Tuas preces quando em aflição serão o teu chamado para o nosso coração.
Siga, meu filho, e respeite ao teu Guardião, que sempre estará contigo, pois te será o Pai Espiritual a carregar-te nos braços nos lances mais dolorosos, mas tenha a certeza de que o cumprimento reto do dever se te fará retornar vitorioso das lutas que enfrentares.
Seja o Cristo o teu Guia e Modelo, hoje e sempre.
 
Na Terra, passados alguns dias, o choro de uma criança alerta que mais uma Alma a buscar a Redenção, renascia para uma tarefa de paz e consolo aos corações aflitos, caso seguisse as Diretrizes do Mais Alto.
 
Alberto, guia do médium
(Página recebida em reunião íntima do Grupo Espírita Severino Rosa, Campos dos Goytacazes, RJ, no dia 27/05/2011 pelo médium Leonardo Paixão).

sexta-feira, 28 de abril de 2017

RELACIONAMENTOS

MARIA MODESTO CRAVO
 
 
 
 
A vida em sociedade é fator da evolução humana, sem a cooperação precisas entre os animais o psiquismo em evolução jamais alcançaria o sentimento de solidariedade e de compaixão. Podemos, obviamente, irmos muito além dos animais, das plantas e dos organismos unicelulares, pois sem que houvesse atração entre partículas atômicas e subatômicas a vida não se processaria no Universo.
 
Em toda parte a cooperação.
 
Mesmo em meio aos instintos brutais de sobrevivência que vemos nas selvas, observam-se os bandos no trabalho de cooperação uns com os outros para que haja sobrevivência. Também assim entre os homens e mulheres que ainda se mantém na ignorância e servem ao mal e, como a Lei é sábia, mesmo aí é preciso haver, ainda que por interesse pessoal, cooperação entre os que assim vivem.
 
Sem que, em qualquer espécie de relacionamento, haja cooperação, este não sobrevive, por isso, buscamos falar especialmente ao núcleo máter da sociedade - a família - para que cooperem uns com os outros em todos os setores: educação, organização, possibilitando harmonia na vida cotidiana. Advertimos, porém, que sem o diálogo franco, mas sem rudeza, qualquer relacionamento se torna inviável, seja ele, familiar, amigável, profissional. Se insistimos no diálogo fraterno e compreensivo é porque a falta de comunicação neste mundo em que a Tecnologia da Informação faz parte do cotidiano do ser contemporâneo, tem promovido o sentimento de indiferença para com as questões do outro que tal como todos está e é necessitado de ser ouvido, de que se lhe dê atenção.
 
Terapias diversas no ramo da Psicologia e suas derivações bem como as terapias holísticas têm recebido procura e isto porque mesmo entre amigos, por exemplo, não raro, há a audição neutra, sem julgamentos, da parte do que é procurado para o outro expor seus conflitos, suas dores, suas mágoas, além do julgamento ante a atitude do outro há também, muitas vezes, o tomar para si o problema que diz respeito ao outro e de se considerar que o outro deva agir conforme se pensa, esquecendo que cada ser humano guarda a sua singularidade. Quando compreendermos isso haveremos de tanto ter compaixão genuína quanto empatia.
 
Buscar um relacionamento saudável é aprender a viver a própria vida libertando-se e libertando o outro, do contrário será manter-se em relacionamentos tóxicos apertando laços fluídicos nocivos a desajustarem os centros de força, mais comumente os chacras frontal, cardíaco e gástrico (1), afetando a lucidez do raciocínio, o administrar dos sentimentos e das emoções.
 
Amar não é apegar-se, amar é o ato incondicional de estar bem e sabendo bem a quem se ama, tanto quanto de respeitar o momento daquele ou daquela que ainda não deu o fruto do amadurecimento. Este o amor apregoado e exemplificado pelos missionários da Humanidade que pode sim, ser cada um de nós.
 
Amar sem condições, sem exigências é o caminho único para a libertação.
 
Da amante do bem e servidora do Cristo,
 
Maria Modesto Cravo
(Página recebida espontaneamente no dia 13/04/2017 em Campos dos Goytacazes, RJ, pelo médium Leonardo Paixão).
 
Nota do médium: O Espírito André Luiz nos esclarece sobre as administrações dos centros de força ou chacras, vejamos:
 
Centro frontal ou cerebral - "com influência decisiva sobre os demais, governando o córtice encefálico na sustentação dos sentidos, marcando a atividade das glândulas endocrínicas e administrando o sistema nervoso em toda a sua organização, coordenação, atividade e mecanismo, desde os neurônios sensitivos até as células efetoras" (XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo. Evolução em Dois Mundos. Primeira Parte, item Centros Vitais, cap. 2).
"(...) a visão, a audição, o tato e a vasta rede de processos da inteligência que dizem respeito à palavra, à cultura, à arte, ao saber. É no 'centro cerebral', que possuímos o comando do núcleo endocrínico, referente aos poderes psíquicos" (XAVIER, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu. Cap. 20).
 
Centro Cardíaco - "(...) sustenta os serviços da emoção e do equilíbrio geral" (XAVIER, Francisco Cândido. Entre a Terra e o Céu. Cap. 20).
 
Centro Gástrico - "(...) que se responsabiliza pela penetração de alimentos e fluidos em nossa organização" (XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo. Evolução em Dois Mundos. Primeira Parte, cap. 20). Tem ação sobre a digestão e a absorção de alimentos.
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O PROCESSO PSICOFÔNICO

Por Leonardo Paixão (*)
 
"Médiuns falantes: os que falam sob a influência dos Espíritos. Muito comuns".
(O Livro dos Médiuns, Segunda Parte - Capítulo 16, item 190)
 
A mediunidade possui diversas características e a mais presente e comum que se observa nas Casas Espíritas é a psicofonia (do grego psiké, borboleta, alma, e phonê, som ou voz: transmissão do pensamento dos Espíritos pela voz de um médium falante, conforme "Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas", de Allan Kardec, Vocabulário Espírita).
 
A psicofonia é mediunidade comum, pois até mesmo pelo decorrer da história da comunicação humana, o homem iniciou sua trajetória comunicativa através da oralidade, daí também a maior flexibilidade prestada na psicofonia para uma educação mediúnica.

Muitos médiuns iniciantes ficam temerosos de se expressarem verbalmente por não se sentirem seguros ante os pensamentos e sensações que lhes surgem, pensando ser deles mesmos tais impressões, porém, uma análise de si mesmo com o tempo irá fazer o medianeiro iniciante perceber a diferença de sensações e de pensamentos que lhe acodem. Muitas vezes se passou um dia tranquilo e no momento da prática mediúnica o médium sente tristeza profunda ou alegria extrema, ímpetos de violência ou uma calma incomum a si próprio, sente um sorriso sarcástico ou um sorriso sem motivo, são sensações diversas que o médium há de buscar analisar a cada reunião e, assim, aprendendo a discernir o que lhe é próprio e o que vem de uma influência externa. Além destas impressões há também as sensações fisiológicas como taquicardia (acelerar das batidas do coração) ou braquicardia (diminuição das batidas do coração), uma vibração intensa na garanta, na região do chacra laríngeo (centro de força que preside aos fenômenos vocais, inclusive às atividades do timo, da tireoide e das paratireoides. Ele controla os processos de fala e de respiração), neste momento o médium sente uma extrema necessidade de falar, outras sensações e reações também ocorrem como: respiração ofegante, lágrimas, bocejos, sono, cansaço, etc. Uma sugestão e que é uma orientação dada a todo médium iniciante no processo da psicofonia é que não tema o que vai falar, que o diga, que qualquer palavra que lhe venha à mente seja colocada, claro que há de se não dizer palavrões nem se gritar, para isso o estudo prévio da teoria como recomenda Allan Kardec em O Livro dos Médiuns é fundamental antes de se exercitar na prática mediúnica.

Vejamos agora o que nos trazem algumas obras a respeito do processo psicofônico:

"A psicofonia é a transmissão verbal da mensagem do espírito comunicante.
Embora a psicografia seja, talvez, o tipo de mediunidade mais conhecido do grande público (através dos livros psicografados por Chico Xavier (...)), na prática, nas sessões mediúnicas, é a psicofonia a mais exercitada e a que melhor se presta aos treinos que o médium necessita, por oferecer uma comunicação mais dinâmica, rápida e eficiente.
É a psicofonia que possibilita o atendimento aos espíritos necessitados, através do diálogo que se estabelece entre o espírito comunicante e o doutrinador. O médium psicofônico, portanto, verbaliza o pensamento do desencarnado, transmitindo-lhe não somente a mensagem, mas também as sensações de que é portador, suas angústias, seus medos, enfim, todos os seus conflitos.
Vários são os motivos que tornam a psicofonia o tipo de mediunidade mais comum nas reuniões mediúnicas. Entre eles citamos:

1º) É mais fácil e mais rápido transmitir verbalmente o pensamento dos espíritos do que escrever;
2) o médium se adestra com mais rapidez no exercício da psicofonia;
3º) O espírito comunicante tem ensejo de extravasar suas emoções e narrar o seu drama, o que constitui um precioso aprendizado para os encarnados.

Além disso, tem-se como regra geral para os médiuns - instituída pela lógica e pelo bom-senso - que não é oportuno psicografar mensagens de espírito sofredor, obsessor ou necessitados, pois estes carecem de ajuda, esclarecimentos, do diálogo fraterno com o doutrinador, razão pela qual estas comunicações devem ser pela psicofonia. Infere-se, por via de consequência, que não existe um proveito maior nas páginas psicográficas com essas características.
A psicofonia tem algumas gradações, a saber:
1º) Psicofonia inconsciente - Quando o espírito atua diretamente nas cordas vocais do médium, estando este num transe mais profundo, podendo ocorrer, inclusive, mudança no timbre de voz.
2º) Psicofonia semiconsciente - O transe é menos profundo e o médium tem certa consciência da mensagem que o espírito transmite;
3º) Psicofonia intuitiva - O transe é superficial e o médium, neste caso, transmite com seu próprio vocabulário o pensamento do comunicante, mantendo a consciência do que ocorre.
Como se depreende, as comunicações psicofônica são a base das reuniões mediúnicas, pois também, com muita frequência, os Benfeitores Espirituais se utilizam desse processo para transmitirem orientações, mensagens de exortamento, de incentivo, que são, na verdade, o coroamento de todo o trabalho no campo da mediunidade com Jesus" (SCHUBERT, Suely Caldas. Mediunidade: Caminho para ser Feliz. Capítulo 12 - A Psicofonia)

"O mentor da casa aproximou-se dela e aplicou-lhe forças magnéticas sobre o córtex cerebral, depois de arrojar vários feixes de raios luminosos sobre extensa região da glote.
Notamos que Eugênia-alma afastou-se do corpo, mantendo-se junto dele, a distância de alguns centímetros, enquanto que, amparado pelos amigos que o assistiam, o visitante sentava-se rente, inclinando-se sobre o equipamento mediúnico ao qual se justapunha, à maneira de alguém a debruçar-se numa janela.
Ante o quadro, recordei as operações do mundo vegetal, em que uma planta se desenvolve à custa de outra, e compreendi que aquela associação poderia ser comparada a sutil processo de enxertia neuropsíquica.
Suspiros de alívio desprenderam-se do tórax mediúnico que, por instantes, se mostrara algo agitado.
Observei que leves fios brilhantes ligavam a fronte de Eugênia, desligada do veículo físico, ao cérebro da entidade comunicante.
Porque eu lhe dirigisse um olhar de interrogação e estranheza, Áulus explicou prestimoso:
- É o fenômeno da psicofonia consciente ou trabalho dos médiuns falantes. Embora senhoreando as forças de Eugênia, o hóspede enfermo do nosso plano permanece controlado por ela, a quem se imana pela corrente nervosa, através da qual estará nossa irmã informada de todas as palavras que ele mentalize e pretenda dizer. Efetivamente apossa-se ele temporariamente do órgão vocal de nossa amiga, apropriando-se de seu mundo sensório, conseguindo enxergar, ouvir e raciocinar com algum equilíbrio, por intermédio das energias dela, mas Eugênia comanda, firme, as rédeas da própria vontade, agindo qual se fosse enfermeira concordando com os caprichos de um doente, no objetivo de auxiliá-lo. Esse capricho, porém, deve ser limitado, porque consciente de todas as intenções do companheiro infortunado a quem empresta o seu carro físico, nossa amiga reserva-se o direito de corrigi-lo em qualquer inconveniência. Pela corrente nervosa, conhecer-lhe-á as palavras na formação, apreciando-as previamente, de vez que os impulsos mentais dele lhe percutem sobre o pensamento como verdadeiras marteladas. Pode, assim, frustrar-lhe qualquer abuso, fiscalizando-lhe os propósitos e expressões, porque se trata de uma entidade que lhe é inferior, pela perturbação e pelo sofrimento em que se encontra, e a cujo nível não deve arremessar-se, se quiser ser-lhe útil. O Espírito em turvação é um alienado mental, requisitando auxílio. Nas sessões de caridade, qual a que presenciamos, o primeiro socorrista é o médium que o recebe, mas, se esse socorrista cai no padrão vibratório do necessitado que lhe roga serviço, há pouca esperança no amparo eficiente. O médium, pois, quando integrado nas responsabilidades que esposa, tem o dever de colaborar na preservação da ordem e da respeitabilidade na obra de assistência aos desencarnados, permitindo-lhes a livre manifestação apenas até o ponto em que essa manifestação não colida com a harmonia necessária ao conjunto e com a dignidade imprescindível ao recinto" (Nos Domínios da Mediunidade, Espírito André Luiz, psicografia de Chico Xavier, capítulo 6 - Psicofonia consciente).

Este trecho contém muitos ensinamentos e advertências, recordamos que em nossas primeiras experiências no campo da psicofonia, percebemos os Espíritos atendidos exatamente conforme a descrição de André Luiz: "(...) o visitante sentava-se rente, inclinando-se sobre o equipamento mediúnico ao qual se justapunha, à maneira de alguém a debruçar-se numa janela". Víamos os Espíritos e captávamos-lhes as palavras no exato momento em que o Espírito se expressava, saindo palavras de nossa boca e podendo assim se dar o início do diálogo com os Espíritos.

Fato interessante de notar é que, em diversas manifestações de espíritos obsessores, membros da reunião que tinham conhecimento de tal ou tal caso que nos foi direcionado para tratamento desobsessivo, no momento final da avaliação da reunião, revelam que o Espírito falou tal como este ou aquele encarnado fala e isso sem o conhecimento do médium, além de outros médiuns relatarem intuições, visões ou sensações que se mostram coerentes com o caso. Estas confirmações se tornam importantes, pois auxiliam a que os médiuns estejam cada vez mais seguros e à vontade para expressarem o que lhes vem à mente.

Este trecho deixa claro o  por que de não ser prática adequada a presença de obsidiados no recinto da reunião: "Nas sessões de caridade, qual a que presenciamos, o primeiro socorrista é o médium que o recebe, mas, se esse socorrista cai no padrão vibratório do necessitado que lhe roga serviço, há pouca esperança no amparo eficiente". Isto também alerta Yvonne do Amaral Pereira:

"Para os casos de obsessão ou atuações fortes em médiuns não desenvolvidos não convirá desenvolvê-los nessa ocasião. Nesse estado anormal, o médium torna-se um enfermo que necessita tratamento antes de mais nada. O mais prudente será passar a entidade para outro médium, conversar com ela a fim de esclarecê-la, e tratar cautelosamente do médium, inclusive esclarecendo-o também.
Doutrinar a entidade servindo-se do médium assim atormentado é prejudica-lo ainda mais, pois ele poderá não possuir o critério necessário a tal empreendimento, nem aguentar a responsabilidade do compromisso; desenvolver sua faculdade nessa ocasião é abrir-lhe a possibilidade para novas obsessões. O trabalho da caridade, qualquer que seja, será recurso salvador" (PEREIRA, Yvonne. Cânticos do Coração, vol. II, Capítulo IX - Considerações sobre a Mediunidade).

(*) Leonardo Paixão é trabalhador espírita em Campos dos Goytacazes, RJ, colaborando com amigos de Ideal no Grupo Espírita Semeadores da Paz.

 
 
 
 
 

sábado, 1 de abril de 2017

CRÍTICA LITERÁRIA

 
 
 
Livro: Perdoo-te – Memórias de um Espírito.
Médium: Eudaldo Pagés.
Organizadora: Amalia Domingo y Soler.
Editora: Lachàtre.
Lançamento: Maio de 2013. 12. edição.
Páginas: 720.
 
Análise de Leonardo Paixão (*)
 
Amalia Domingo y Soler é conhecida no Movimento Espírita Internacional como uma das maiores divulgadoras e defensoras dos postulados espíritas e as obras vindas por suas mãos são amadas pelo público. A sua obra mais conhecida é a belíssima Memórias do Padre Germano.
O Perdoo-te – Memórias de um Espírito foi produzido tal como o Memórias do Padre Germano, isto é, através da faculdade psicofônica do médium Eudaldo Pagés e as comunicações eram transcritas por Amália Domingo y Soler. Relata Amalia no Prefácio  à obra: “Dentre as muitas comunicações obtidas no Centro Espírita La Buena Nova, destacam-se as Memórias de um Espírito, relato histórico verdadeiramente interessante”.
            O Espírito Íris relata três de suas encarnações. Na primeira, como Íris, relatará a sua queda ao trair o sábio Antúlio que havia encarnado para fundar nova escola de pensamento e fazer evoluir a Humanidade.
Em seu segundo relato narra uma reencarnação onde se entende que se trata de Maria de Magdala e, seguindo ao Cristo, amparando os sofredores, o Espírito Íris vai se reabilitando, tendo ainda muitas imperfeições a desfazer.
Sua terceira narrativa relata uma reencarnação onde se percebe se tratar de Teresa d’Ávila e vem nos revelar que esta personalidade canonizada pela Igreja Católica, jamais foi um mulher extática, voltada apenas para a oração no Templo, foi sim uma médium de grande potencial e muito perseguida pelo clero, pois os seus escritos de origem mediúnica iam contra diversos dogmas da Igreja, tendo seus escritos sido destruídos e os que hoje se têm foram falseados pelo clero em seu próprio interesse. Para se ter uma rápida ideia do que Teresa D’Ávila pregava, retiramos da obra à página 683, o seguinte: “...não devemos vê-lo (Jesus) aterrando os homens com seu cruento martírio, mas sim atentar para as suas palavras quando diz: ‘- Eu sou o irmão maior de sua raça e espero-os de braços abertos para leva-los à presença de nosso Pai que está nos Céus’.
            A obra traz ensinamentos evangélicos e doutrinários que nos levam à reflexão e à sensibilização na prática da caridade, esta uma constante na vida de Tereza D’Ávila.
Ao final do obra há um Apêndice de D. Amalia Domingo y Soler em que traz lúcidos esclarecimentos e ensinos como este:
“Quanto às religiões, todo aquele que tem bom-senso compreende que elas têm sido em todos os tempos uma paródia da verdadeira e sacrossanta religião: o amor à humanidade. Não há melhor religião que a de uma consciência honrada. Os deveres religiosos do homem são estes: o resistir, o reformar e o adquirir. Resistir aos embates da vida, reformar nossos costumes e adquirir novos conhecimentos que levem a compreender a grandeza de Deus, que se irradia na natureza. Íris usou destes ensinamentos racionais tão acertadamente, que pôde destruir os céus, os infernos e desmascarar os santos. Demonstrou que os milagres não são outra coisa senão manifestação de leis conhecidas pelo vulgo. Deu aos espíritas lições altamente proveitosas. Sua última encarnação é assunto para aprofundado estudo para todos aqueles que pensam que, ao deixar a Terra, encontram-se logo com os espíritos superiores, seguindo com eles por esses mundos de Deus. Não basta crer na pluralidade dos mundos e das existências”. (p. 702).
Em relação às suas reencarnações citadas, se consultarmos comunicações de Teresa d’Avila por Fernando de Lacerda, médium português em seu livro Do País da Luz, volumes 2 e 4, especialmente, perceberá o quanto se relacionam os dizeres sobre sua passagem na Terra com os ditados vindos por Íris.
É obra que se recomenda pelos seus lúcidos ensinos doutrinários.
(*) Leonardo Paixão é trabalhador espírita em Campos dos Goytacazes, RJ, colaborando no Grupo Espírita Semeadores da Paz.

quarta-feira, 22 de março de 2017

MAU OLHADO, FEITIÇARIA...REALIDADE OU FANTASIA? O QUE FAZER?

Por Leonardo Paixão (*)

Ouvimos comumente em nossa frequência ao Grupo Espírita pessoas se queixando de que há energias negativas em sua volta, que há invejosos que as fazem sentir mal, que há pessoas que lhes odeiam, que sofrem de "mau-olhado", que se lhes fizeram "trabalhos de feitiçaria", (1) etc., e ficam a desejar que haja fórmulas mágicas, prontas para resolverem seu caso e precisam de orientação clara, precisa, de que a solução está nelas mesmas, de sua necessidade de estarem higienizadas mentalmente, do contrário haverão de se manterem conectadas às vibrações maléficas emanadas de outras mentes, sejam encarnadas ou desencarnadas, bem como as que extraem de si mesmas ao alimentarem, mágoas, rancores, raivas, ressentimentos, etc...
 
Vejamos o que nos aconselham pesquisadores do Espiritismo a este respeito:
 
De "O Livro do Médium Curador", de José Lhome, acessível gratuitamente em www.autoresespiritasclassicos.com


ASSOMBRAMENTO PSÍQUICO
MÁ SORTE - ENVULTAMENTO



"Se a vontade pode, (...), dar certas qualidades aos fluidos exteriorizados, se o magnetizador pode dirigi-los para uma determinada pessoa (homem ou mulher), que possui dons psíquicos e um poder de concentração desenvolvida, não poderia lançar contra o seu próximo fluidos perniciosos?


Sim, a coisa é possível e acontece que pessoas desorientadas chegam a cometer esse crime de lesa-humanidade, todavia, as suas operações não se realizam sem perigo para elas mesmas.


Com efeito, elas se expõem a um choque de retorno muito violento se a pessoa visada lhes é moral ou psiquicamente superior.


Que o enfermo reflita, se acredita nos malefícios de uma pessoa mal-intencionada, causa inicial do mal que padece.


Que comece por não pensar nele. Julgar que a coisa provém daí já é dirigir o seu pensamento para ele. É, sem dúvida, avivar a lembrança dos alarmas, das dores, dos males suportados, é baixar-se ao nível das pessoas malévolas de que se quer evitar a presença a qualquer preço; é, de qualquer modo, abrir a porta a um adversário perverso.


Que o enfermo se abstenha de tal esforço. Nas horas difíceis, que ele se refugie no êxtase de um pensamento cheio de bondade, que ocupe o seu espírito em realizações excelentes, que faça um escudo de ações generosas, que ame sinceramente os que o acotovelam na estrada da vida e se afaste das pessoas de tendências materiais e apaixonadas.


Pela força de vontade, pelo descarrego mediúnico e pela sua elevação espiritual, três coisas indispensáveis, ele terá adquirido uma proteção eficaz, e os dardos que lhe forem dirigidos ricochetearão e voltarão, automaticamente, para a fonte que os enviou. E é uma justiça".

Esse texto complementa e desenvolve a questão 555 de "O Livro dos Espíritos":

"Que sentido se deve dar ao qualificativo de feiticeiro?"
"Aqueles a quem chamais feiticeiros são pessoas que, quando de boa-fé, gozam de certas faculdades, como sejam a força magnética ou a dupla vista. Então, como fazem coisas geralmente incompreensíveis, são tidas por dotadas de um poder sobrenatural. Os vossos sábios não tem passado muitas vezes por feiticeiros aos olhos dos ignorantes?"
 
Como se vê, pessoas dotadas de força magnética (2) ou dupla vista (3), conseguindo deste modo perceber fraquezas de outros, podem usar do magnetismo inferior para atormentar a alguém de quem não goste ou que sinta o estar incomodando, a questão é que se a pessoa visada tem uma elevação espiritual ou uma força magnética ou uma dupla vista superior a quem lhe envia fluidos negativos, ela os receberá de volta com mais intensidade.
 
Adverte o Espírito André Luiz no livro "Missionários da Luz", cap.19:
 
"Assim como o corpo físico pode ingerir alimentos venenosos que lhe intoxicam os tecidos, também o organismo perispiritual pode absorver elementos de degradação que lhe corroem os centros de força, com reflexos sobre as células materiais. Se a mente da criatura encarnada ainda não atingiu a disciplina das emoções, se alimenta paixões que a desarmonizam com a realidade, pode, a qualquer momento, intoxicar-se com as emissões mentais daqueles com quem convive e que se encontram no mesmo estado de desequilíbrio. Às vezes, semelhantes absorções constituem simples fenômenos sem maior importância; todavia, em muitos casos, são suscetíveis de ocasionar perigosos desastres orgânicos. Isto acontece, mormente, quando os interessados não têm vida de oração, cuja influência benéfica pode anular inúmeros males".
 
Notas:
(1) Sobre esse assunto ver o capítulo 27 - Mediunidade Transviada no livro "Nos domínios da Mediunidade", do Espírito André Luiz, psicografia de Chico Xavier e também o capítulo 17 - A mediunidade a serviço do malfeito no livro "Bastidores da Mediunidade", do Espírito Nora, psicografia de Emanuel Cristiano.
 
(2) Força magnética = Magnetismo. Magnetismo é a ação recíproca que os corpos exercem uns sobre os outros.
Magnetizar é dirigir o fluido vital, por um esforço de vontade, sobre um objeto ou uma pessoa. Conforme "O Livro do Médium Curador", de José Lhome.
 
(3) Dupla Vista - É a vista da alma, faz parte do processo de emancipação da alma. Esclarece Allan Kardec em "O Livro dos Espíritos", no item 455 - Resumo teórico do Sonambulismo, do Êxtase e da Dupla Vista:
 
"A emancipação da alma se verifica às vezes no estado de vigília e produz o fenômeno de segunda vista ou dupla vista, que é a faculdade graças à qual quem a possui vê, ouve e sente além dos limites dos sentidos humanos. Percebe o que exista até onde estende a alma a sua ação. Vê, por assim dizer, através da vista ordinária e como por uma espécie de miragem.
 
No momento em que o fenômeno da segunda vista se produz, o estado físico do indivíduo se acha sensivelmente modificado. O olhar apresenta alguma coisa de vago. Ele olha sem ver. Toda a sua fisionomia reflete uma como exaltação. Nota-se que os órgãos visuais se conservam alheios ao fenômeno, pelo fato de a visão persistir, malgrado à oclusão dos olhos.
 
Aos dotados desta faculdade ela se afigura tão natural, como a que temos de ver. Consideram-na um atributo de seus próprios seres, que em nada lhes parecem excepcionais. De ordinário, o esquecimento se segue a essa lucidez passageira, cuja lembrança, tornando-se cada vez mais vaga, acaba por desaparecer, como a de um sonho.
 
O poder da vista dupla varia, indo desde a sensação confusa até a percepção clara e nítida das coisas presentes ou ausentes. Quando rudimentar, confere a certas pessoas o tato, a perspicácia, uma certa segurança nos atos, a que se pode dar o qualificativo de precisão de golpe de vista moral. Um pouco desenvolvida, desperta os pressentimentos. Mais desenvolvida mostra os acontecimentos que deram ou estão para dar-se".

(*) Leonardo Paixão é trabalhador espírita em Campos dos Goytacazes, RJ, colaborando com um grupo de amigos de Ideal no Grupo Espírita Semeadores da Paz.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

CURSO DE PASSE


TEMAS A SEREM DESENVOLVIDOS

- Mesmer (Biografia);

- Magnetismo e Espiritismo;

- Os Fluidos;

- Elementos Fluídicos;

- Formação e Propriedades do Perispírito;

- Ação dos Espíritos sobre os Fluidos. Criações Fluídicas. Fotografia do Pensamento;

- Qualidades dos Fluidos;

- Curas;

- Quem é o Médium Curador?;

- O Tato Magnético (com demonstrações de exercícios);

- O Passe Espírita;

- Conceito Espírita de Passe;

- Tipos de Energias Transmitidas no Passe;

- Mecanismos do Passe;

- Centros de Força;

- Plexos Nervosos;

- O Passe na Reunião Mediúnica;

- Qualidades do Aplicador de Passes;

- Tipos de Passes;

- A Ação Magnética;

- Colocação em Estado de Relação;

- Relação por Contato;

- Processos;

- Imposição das Mãos;

- Contato Simples ou Duplo;

- Passes;

- Passes Longitudinais ou Vitalizantes;

- Passes Transversais;

- Passes Rotativos;

- Insuflações;

- Sopro Quente e Sopro Frio;

- Jato Fluídico;

- Magnetóforos;

- Água Magnetizada;

- Passe à Distância.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

DESOBSESSÃO E MAGNETISMO

Por Leonardo Paixão (*)
 
"E, chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem e para curarem toda enfermidade e todo mal" - Lucas, 10:1.
 
 
Analisando o termo grego para a expressão "espíritos imundos" da referida citação do versículo evangélico, temos que, em grego, a expressão é akhatarton (espírito não purificado), o que implica na ideia de que os espíritos podem se purificar, assim como a expressão "espíritos imundos" leva-nos a pensar que é possível a estes espíritos se tornarem limpos, o que está conforme a explicação espírita que coloca a respeito da igualdade da Lei de Evolução, de Ação e Reação, de Causa e Efeito para todos os seres da Criação, guardando, óbvio, as dimensões em cada caso.
 
Conforme esclarecem os Benfeitores da Vida Maior, os Espíritos - almas de homens e mulheres que deixaram a Terra -, a depender de sua condição evolutiva nos influenciam a ações nobres ou nos exacerbam desejos e hábitos viciosos.
 
"Assim como as enfermidades resultam das imperfeições físicas que tornam o corpo acessível às influências exteriores, a obsessão decorre sempre de uma imperfeição moral, que dá ascendência a um Espírito mau. A uma causa física, opõe-se uma força física; a uma causa moral preciso é se contraponha uma força moral. Para preservá-lo das enfermidades, fortifica-se o corpo; para garanti-la contra a obsessão tem-se que fortalecer a alma; donde, para o obsidiado, a necessidade de trabalhar por se melhorar a si próprio, o que as mais das vezes basta para livrá-lo do obsessor, sem o socorro de terceiros. Necessário se torna este socorro, quando a obsessão degenera em subjugação e em possessão, porque nesse caso o paciente não raro perde a vontade e o livre-arbítrio" (KARDEC, Allan. A Gênese. Cap. XIV - Obsessões e Possessões, item 46. 3. edição. Federação Espírita Brasileira: Rio de Janeiro. p. 305).
 
Vê-se assim que, estando o obsidiado sem ter  a sua capacidade de raciocínio alterada pela influência nefasta nele exercida, ele, com o poder da vontade, do querer verdadeiro, estará livre desta influência. É o alcoólatra que se trata e não mais toma a primeira dose; é o maledicente que não mais usa a língua para relatar as faltas alheias; é o sexólatra que se torna continente; é o agressivo que aprende a dialogar; é o apático que passa a se movimentar; é o fumante que não mais dá o primeiro trago; enfim, são várias as situações e também várias em uma só pessoa em que com força de vontade é plenamente possível vencer esta ou aquela má-tendência. A terapêutica espírita é excelente auxílio e nestes casos indica o seguinte:
 
- Oração;
- Atendimento Fraterno (onde o obsidiado exporá suas dores, dificuldades, etc, e onde receberá as orientações adequadas);
- Assistência às palestras evangélico-doutrinárias;
- Culto do Evangelho no Lar, realizando assim a higienização psíquica de sua casa;
- Tratamento fluídico - recebimento de passes e tomar água fluidificada;
- Realizar a reforma íntima; mudar de atitudes por consequência óbvia da mudança de pensamentos.
 
Nos casos de subjugação e de possessão, onde já não mais tem o obsidiado o seu raciocínio, logo perdendo assim a vontade e o livre-arbítrio, dois os recursos que nos orienta Allan Kardec:
 
"Nos casos de obsessão grave, o obsidiado fica como que envolto e impregnado de um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele. É daquele fluido que importa desembaraçá-lo. Ora, um fluido mau não pode ser eliminado por outro igualmente mau. Por meio de ação idêntica à do médium curador, nos casos de enfermidade, preciso se faz expelir um fluido com o auxílio de um fluido melhor" (Idem, ibidem).
 
Neste caso, o tratamento fluídico em reuniões especializadas é essencial. As Casas Espíritas, em sua maioria, oferecem este tipo de tratamento seja presencial ou à distância com pessoal especializado. No entanto, adverte Kardec:
 
"Nem sempre, porém, basta esta ação mecânica; cumpre, sobretudo, atuar sobre o ser inteligente, ao qual é preciso se possua o direito de falar com autoridade, que, entretanto, falece a quem não tenha superioridade moral. Quanto maior esta for, tanto maior também será aquela.
Mas, ainda não é tudo: para assegurar a libertação da vítima, indispensável se torna que o Espírito perverso seja levado a renunciar aos seus maus desígnios; que se faça que o arrependimento desponte nele, assim como o desejo do bem, por meio de instruções habilmente ministradas em evocações particularmente feitas com o objetivo de dar-lhe educação moral. Pode-se então ter a grata satisfação de libertar um encarnado e de converter um Espírito imperfeito" (Idem, ibidem).
 
*  Leonardo Paixão é trabalhador espírita em Campos dos Goytacazes, RJ, colaborando com amigos de Ideal no Grupo Espírita Semeadores da Paz.