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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Nos Bastidores da Obsessão - Estudo

Estudo do livro Nos Bastidores da Obsessão, do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco.


Examinando a Obsessão (continuação)


Nem sempre, porém, os resultados são imediatos. Para a maioria dos Espíritos, o tempo conforme se conta na Terra, tem pouca significação. Demoram-se, obstinados, com tenacidade incomparável nos propósitos a que se entregam anos a fio, sem que algo de positivo se consiga fazer, prosseguindo a tarefa insana, em muitos casos, até mesmo depois da morte... Isto porque do paciente depende a maioria dos resultados nos tratamentos da obsessão... Iniciado o programa de recuperação, deve este esforçar-se de imediato para a modificação radical do comportamento, exercitando-se na prática das virtudes cristãs, e, principalmente, moralizando-se. A moralização do enfermo deve ter caráter primário, considerando-se que, através de uma renovação íntima bem encetada, ele demonstra para o seu desafeto a eficiência das diretrizes que lhe oferecem como normativa de felicidade.

Merece considerar, neste particular, que o desgaste orgânico e psíquico do médium enfermo, mesmo depois do afastamento do Espírito malévolo, ocasiona um refazimento mais demorado, sendo necessária, às vezes, compreensivelmente, assistência médica prolongada.

 

Comentário de Leonardo Paixão:

 

A compreensão de que não se está a tratar com seres outros e sim, seres humanos, só que na condição de desencarnados, isto é, não mais habitando um corpo material, porém, permanecendo com a sua individualidade e personalidade, logo, com pensamento, memória, emoções, sentimentos, tais quais os tinham na esfera física e permanecem tendo, é que fará com que se perceba que os obsessores são seres humanos feridos em seus valores mais íntimos e que, do mesmo modo, que nós, os encarnados podemos carregar profundas mágoas a gerarem raiva e até mesmo ódios em nós, os Espíritos desencarnados que sofreram decepções as mais diversas como traições, acusações por crimes que não cometeram, abandonos quando mais precisavam de ajuda, rejeição de pessoas próximas – parentes ou amigas -, que foram lesados em seus patrimônios ou que até mesmo foram roubados e, tendo ciência da ação criminosa ou ofensiva contra eles ou não no período em que estiveram reencarnados, levam para o além as mágoas vivenciadas ou ao descobrirem toda a trama realizada contra eles agora que estão na esfera espiritual, onde nada há oculto, após a decepção vem a raiva e, é aí que se iniciam muitos processos obsessivos que facilmente se instalam até pelo fato de, a maioria dos Espíritos reencarnados na Terra, não terem uma convicção na vida além-túmulo quanto mais conhecimentos sobre o processo obsessivo. Em assim sendo, há para o Espírito desvestido agora de seu corpo físico, imensa possibilidade de acesso à mente do encarnado sugestionando-lhe pensamentos e comportamentos desequilibrados que podem e, não raro, chegam ao ponto de lhes tirar a sanidade mental.

O Espírito, conforme colocamos acima, sendo um ser humano desencarnado e tendo as potencialidades próprias como pensamento, memória, sentimentos, emoções, mantém as qualidades e defeitos que mostrava ter na Terra, logo, voltando à vida espiritual retorna à liberdade de ações que estavam antes tolhidas pela influência da matéria. Agora ele pode percorrer o espaço com a velocidade do pensamento, barreiras físicas (paredes, muros, a água, o fogo, ventanias) não são impedimentos para a sua movimentação, assim como não há mais para o Espírito as necessidades fisiológicas como sede, fome, sono – há  aqueles casos em que por um processo psicológico o Espírito acha que tem essas necessidades, são casos de Espíritos muito ligados a esfera física e outros que são hipnotizados por obsessores no Além – fica-se livre para agir o Espírito onde desejar se houver para com ele sintonia, isto é, afinidades de gostos devido ao patamar moral em que o encarnado se encontre.

O tempo já não tem para o Espírito o mesmo valor quando encarnado, porque já não mais necessita de dormir e nem de realizar as atividades próprias da vida na Terra como trabalhar, ir a compromissos em família, enfim, ter uma organização de agenda. Por isso, os Espíritos que desejam vingança, não é difícil que esperem os seus algozes reencarnarem para então darem início, seja desde criança ou em idade mais avançada à perturbação sobre o seu inimigo agora reencarnado.

Vejamos o que nos esclarece Allan Kardec a esse respeito:

 

“(...) O Espírito mau espera que o outro, a quem ele quer mal, esteja preso ao seu corpo e, assim, menos livre, para mais facilmente o atormentar, ferir nos seus interesses, ou nas suas mais caras afeições. Nesse fato reside a causa da maioria dos casos de obsessão, sobretudo dos que apresentam certa gravidade, quais os de subjugação e possessão. O obsidiado e o possesso são, pois, quase sempre vítimas de uma vingança, cujo motivo se encontra em existência anterior, e à qual o que a sofre deu lugar pelo seu proceder”. (KARDEC. Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Cap. X – Bem aventurados os que são misericordiosos, item 6)

 

E aqui surge uma pergunta muito natural: Como o Espírito obsessor encontra/reconhece o seu inimigo reencarnado? Como ele pode ter acesso a esse conhecimento? Atentemos nessas colocações do Espírito Adolfo Bezerra de Menezes:

(...) Aterrorizado ante as vinditas atrozes movidas pelos Espíritos de seus antigos amos de Lisboa, o Espírito João-José preferiu ocultar-se numa encarnação de formas femininas, esperançado de que, assim disfarçado, não pudesse ser reconhecido. Enganou-se, porém, visto que sua própria organização psíquica atraiçoou-o, modelando traços fisionômicos e anormalidades físicas idênticos aos que arrastara na época citada. Encontrou-se, de outro modo, enredado em complexos físicos oriundos da mudança de sexo, anormalidades sexuais e mentais fáceis de fornecerem, pista de reconhecimento a um obsessor...’ (PEREIRA, Yvonne A. Dramas da Obsessão. Pelo Espírito Adolfo Bezerra de Menezes. 4. ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2010. p. 156)

 

Para que não fiquemos somente na literatura mediúnica, mas aprofundemos nossos estudos, já que o Espiritismo é por definição do próprio Allan Kardec “uma ciência de observação e uma doutrina filosófica” (O que é o Espiritismo. Preâmbulo), recorramos a relatos de experiências científicas que nos trazem sobre uma possível descoberta do perispírito.

“Na respeitadíssima Universidade de Kirov do Cazaquistão, em Alma-Ata, biologistas, bioquímicos e biofísicos reuniram-se em torno de um imenso microscópio eletrônico. O equipamento dos Kirlians fizera um longo trajeto. Agora estava preso àquele sofisticado e intricado instrumento eletrônico. Olhando pelo ocular do microscópio eletrônico, os cientistas viram na silenciosa descarga de alta frequência alguma coisa outrora reservada apenas aos clarividentes. Viram o "duplo" vivo de um organismo vivo em movimento.

Fizeram-se inúmeras experiências com plantas, animais e seres humanos vivos utilizando o efeito kirliano. Que era esse "duplo"? "Uma espécie de constelação elementar, semelhante ao plasma, feita de elétrons e prótons ionizados, excitados, e possivelmente de outras partículas", disseram eles. "Ao mesmo tempo, porém, o corpo energético não é apenas formado de partículas. Não é um sistema caótico. É, por si mesmo, todo um organismo unificado." Atua como unidade, dizem eles e, como unidade, emite os próprios campos eletromagnéticos e à base de campos biológicos.

Em 1968, os Drs. V. Empuxem, V. Grishchenko, N. Vorobev, N. Shouiski, N. Fedorova e F. Gibadulin anunciaram o seu descobrimento: todas as coisas vivas - plantas, animais e seres humanos – possuem não só um corpo físico, constituído de átomos e moléculas, mas também um corpo energético equivalente, a que dão o nome de "Corpo do Plasma Biológico". (75-60-198)

As implicações são tremendas:

Num trabalho científico volumoso como um livro, publicado pela Universidade do Cazaquistão, "A essência biológica do efeito de Kirlian", (Alma-Ata, 1968), eles descreveram as pesquisas levadas a efeito com o "corpo energético" vivo.

"A bioluminescência visível nas fotografias de Kirlian é causada pelo bioplasma e não pelo estado elétrico do organismo", dizem eles. Um dos traços mais característicos desse corpo energético colorido e vibrante, que existe em todas as coisas vivas, é "a sua organização espacial específica". Possui forma. No interior do corpo energético, afirmam os cientistas, os processos têm o seu próprio movimento labiríntico, absolutamente diverso do padrão de energia no corpo físico. O corpo bioplasmático também é polarizado.

"O plasma biológico do corpo energético é específico de cada organismo, de cada tecido e, possivelmente, de cada biomolécula", afiançam eles. "A especificidade determina a forma do organismo."

Nos últimos anos, inúmeros cientistas de muitos países têm pressuposto a existência de uma espécie de matriz, uma espécie de padrão organizador invisível, inerente aos seres vivos. Na União Soviética, por exemplo, o Dr. Alexandre Studitsky, do Instituto de Morfologia Animal de Moscou, picou um tecido muscular em pedacinhos e enfiou-os na ferida feita no corpo de um rato. A partir desses pedacinhos, o corpo reconstituiu um músculo inteiramente novo, como se existisse um padrão organizador”. (OSTRANDER, Sheila e SCHROEDER, Lynn. Experiências Psíquicas Além da Cortina de Ferro. Editora Pensamento. p. 350-351)

 

Por essas pesquisas podemos ver como a ciência tem tal qual o Espiritismo, revelado aspectos do ser que transcendem a organização fisiológica. E, por que não afirmamos que “a ciência está confirmando o Espiritismo”? Porque, pensamos ser essa uma afirmação que não se coaduna com o que Allan Kardec expôs:   

“Definamos primeiro o sentido da palavra revelação. Revelar, do latim revelāre, cuja raiz, vēlum, véu, significa literalmente sair de sob o véu — e, figuradamente, descobrir, dar a conhecer uma coisa secreta ou desconhecida. em sua acepção vulgar mais genérica, essa palavra se emprega a respeito de qualquer coisa ignota que é divulgada, de qualquer ideia nova que nos põe ao corrente do que não sabíamos.

Deste ponto de vista, todas as ciências que nos fazem conhecer os mistérios da natureza são revelações e pode dizer-se que há para a humanidade uma revelação incessante. A Astronomia revelou o mundo astral, que não conhecíamos; a Geologia revelou a formação da terra; a Química, a lei das afinidades; a Fisiologia, as funções do organismo etc.; Copérnico, Galileu, Newton, Laplace, Lavoisier foram reveladores”. (KARDEC, Allan. A Gênese, os milagres e as predições segundo o Espiritismo. 53. ed. Brasília: FEB, 2013. Cap. I – Caráter da Revelação Espírita. p. 17, item 2)

Com essas transcrições e a nossa observação, podemos assim compreender a influência que o pensamento do Espírito exerce sobre o seu corpo antes de reencarnar, desse modo, deixando sejam sinais, manchas, traços fisionômicos, deficiências físicas, que venham a colaborar para que o seu cobrador que se encontra no Mundo dos Espíritos se recorde dele ao se lhe olhar a nova aparência. Além disso, há também o que Kardec chamou de afinidade fluídica e que possibilita a influência maior de um Espírito sobre um médium, lembrando que toda pessoa obsedada é médium, sendo que atormentado.

 

segunda-feira, 20 de novembro de 2023

Nos Bastidores da Obsessão - Estudo

Estudo do livro Nos Bastidores da Obsessão, do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco.


Examinando a Obsessão (Continuação)


Obsessores, obsidiados!

A obsessão, sob qualquer modalidade que se apresente, é enfermidade de longo curso, exigindo terapia especializada de segura aplicação e de resultados que não se fazem sentir apressadamente.

Os tratamentos da obsessão, por conseguinte, são complexos, impondo alta dose de renúncia e abnegação àqueles que se oferecem e se dedicam a tal mister.

Uma força existe capaz de produzir resultados junto aos perseguidores encarnados ou desencarnados, conscientes ou inconscientes: a que se deriva da conduta moral. A princípio, o obsessor dela não se apercebe; no entanto, com o decorrer do tempo, os testemunhos de elevação moral que enseja, confirmando a nobreza da fé, que professa como servidor do Cristo, colimam por convencer o algoz da elevação de princípios de que se revestem os atos do seu doutrinador, terminando por deixar livre, muitas vezes, aquele a quem afligia. Além da exemplificação cristã, a oração consegue lenir as úlceras morais dos assistidos, conduzindo benesses de harmonia que apaziguam o desequilibrado, reacendendo nele a sede e a necessidade da paz.

 

Comentário de Leonardo Paixão:

 

A desobsessão é tarefa árdua que exige muita perseverança de quem a exerce nos agrupamentos espíritas e é exercício de amor incondicional, porque lida-se com Espíritos perversos, sejam estes desencarnados sejam estes encarnados.

Muitas pessoas, por desconhecimento dos processos desobsessivos, ao pedirem socorro para casos de obsessão sejam em si mesmas ou para terceiros, acha, que em uma sessão de desobsessão o seu caso será resolvido ou que bastará as orações dos membros da equipe mediúnica para resolver os seus problemas espirituais, voltando assim tudo rapidamente ao normal. Por isso, se faz de grande importância esclarecer aos assistidos sobre a natureza do obsessor – ser humano tal como ela é e que, em passada existência (quando de obsessão por vingança) muito foi atingida em seus afetos, em sua dignidade pela vítima de hoje que, como ocorre entre os encarnados quando ofendidos, não raro guardam mágoa e esta se transforma em raiva, rancor, até atingir o ápice: o ódio. Compreendida a natureza humana do espírito obsessor, também ele um ser humano, só que sem o corpo físico, fica-se mais fácil de se entender que o tratamento da obsessão é demorado e complexo e exige mudança de comportamento do obsedado. A desobsessão quando bem realizada, trabalha a doutrinação tanto do desencarnado quanto do encarnado.

No capítulo A Interpenetração Fluídica no Processo Obsessivo, do livro A Obsessão e seus Mistérios, de Carlos Bernardo Loureiro são as seguintes observações do autor, colocando sua experiência de 30 anos no tratamento das obsessões:

“O trabalho da doutrinação é penoso e demorado. Exige paciência de ambos os lados, especialmente da parte dos que conduzem o obsidiado à casa espírita. Surge, ao longo do tratamento desobsessional, uma série de impedimentos que devem ser vencidos com paciência e obstinação.

Outro fator importante a ser observado pelos dirigentes das reuniões de desobsessão é que, nos primeiros contatos, o assistido pode apresentar uma sensível piora. E o obsessor (ou grupo de obsessores) que reage, isto é, assume franca e refratária oposição ao tratamento. A sua indisposição, traduzida pela raiva e pelo inconformismo, repercute, psíquica e organicamente, naquele que é, pelo menos aparentemente, a sua vítima, cabe, então, aos responsáveis pela sessão, agir com muita cautela, esclarecendo o porquê do recrudescimento dos distúrbios que acometem o assistido. Tais esclarecimentos são absolutamente necessários, evitando-se a fuga do assistido e de seus prepostos das sessões (Nota de Leonardo Paixão: lembrando que os obsedados são tratados à distância, não é permitida a presença destes nas sessões por motivos óbvios de sintonia e disciplina), que, assim procedendo, fazem, infelizmente o jogo dos Espíritos obsessores,

Esse mecanismo vem sendo observado pelo autor desta obra, há vários anos, na cidade de Salvador, nas sessões de desobsessão que faz parte ou que dirige. Não raras vezes, os Espíritos logram êxito nos seus nefastos objetivos, ficando o obsidiado inteiramente á mercê dos seus desafetos, muitas vezes sedados e escravizados por poderosos e inibidores medicamentos. Essas criaturas apáticas, deprimidas, vagam pelas dependências dos sanatórios psiquiátricos, pelos cômodos de seus apartamentos, pelos corredores de suas casas ou pelas ruas, como verdadeiros zumbis. Ainda que a situação que vivenciam, obsessores e obsidiados, seja desesperadora, sempre há uma saída pela Lei Natural, acionando recursos que possibilitam a reconciliação entre desafetos. Em casos extremos, os mecanismos da reencarnação são acionados, dando-se início ao sacrificial reajuste, que demanda tempo, muito tempo...”.

 

E, com relação ao nível espiritual da equipe de trabalhadores do Grupo Espírita, neste caso, especialmente os das reuniões de desobsessão, é essencial que seja em harmonia com os postulados espíritas, pois que os tarefeiros desse campo são constantemente observados por aqueles Espíritos atendidos nas reuniões para tratamento de obsessões. Vejamos este relato do Espírito Adolfo Bezerra de Menezes sobre um trabalho de desobsessão:

 

“E assim foi que, com efeito, durante seis meses habitando aquele Centro de fraternidade, o doutor Timóteo do século 16 e seus três filhos assistiram a curas de paralíticos e de obsidiados, realizadas em nome e pelo amor de Jesus-Cristo, o Nazareno, através daquele grupo de médiuns a quem nós, os do invisível, tínhamos o dever de acionar. Contemplaram e admiraram a dedicação abnegada, diária, de um serviço de assistência a enfermos do corpo e da alma, sem esmorecimentos, sem queixas nem reclamações, antes sob a irradiação da sã ternura do coração e da sublime alegria daquele que já vislumbra em si mesmo as alvoradas do reino de Deus! Assistiram às doces tarefas da fraternidade se distenderem até ao invisível, no socorro a obsessores, a suicidas, a corações endurecidos no mal, como a desesperados e tristes que vagueiam pelos planos invisíveis sem forças para a emenda. Viram o órfão socorrido, o mendigo acalentado na sua miséria, o presidiário assistido no seu tugúrio, esclarecido na sua ignorância e esperançado no futuro redentor dentro das próprias lágrimas do opróbrio, o faminto saciado, o abandonado encaminhado ao trabalho honroso, a decaída retornando ao dever, o ignorante orientado ao caminho do aprendizado compensador. E tudo isso realizado sob o critério da Doutrina do grande Mestre do Cristianismo! Visitando, porém, a intimidade do lar de cada um daqueles médiuns que contribuíam para a melhoria da sua própria situação, constataram que suas vidas eram consagradas ao honesto cumprimento dos deveres sociais e profissionais, dedicadas ao bem e ao respeito do próximo, em qualquer setor! E ainda que, se sofriam, oravam e se resignavam, certos de melhor futuro; e, se eram ofendidos por inimigos gratuitos, poderiam sofrer e chorar em silêncio, mas sem blasfêmias nem revides vingadores, porque o perdão era tão fácil e espontâneo naqueles corações como o sorriso nas faces da criança... Nem uma palavra insultuosa ao próximo jamais ouviram, nem uma delação ou intriga, nem uma apropriação indébita, nem um perjúrio, nem a maledicência, nem o abuso e o vitupério! E tudo isso eles também analisaram e compreenderam que era a verdadeira educação fornecida por aquela Doutrina Cristã, que eles haviam conhecido falseada no século XVI, mas que agora se surpreendiam de vê-la praticada em Espírito e Verdade, em nome do grande “Rabboni”, seu fundador, cujo nome — descobriram através dos ensinamentos desses seus discípulos — era Jesus Nazareno!

Sim! “Jesus-ben-Joseph” de Nazaré, mas nascido na Judeia, na cidade de David, exatamente o Messias anunciado pelos profetas de Israel... e como ele, Timóteo, e seus filhos, perseguido pelas hienas clericais até ao desespero do suplício e da morte forjada pelos interesses pecaminosos dos homens!

Durante o espaço de tempo que ali passaram, assistiram, graves e quedos, acomodados entre a assembleia de ouvintes, como quaisquer encarnados, ao estudo e à oratória espírita e evangélica. E nós, então, acionando a técnica do

“Laboratório do Mundo Invisível”, criávamos para os seus entendimentos —valendo-nos do poder da nossa vontade — os panoramas expostos pelos oradores e explicadores, panoramas que eles passavam a ver como em cenas teatrais ou cinematográficas, pois que as vibrações dessa casa de comunhão com o Alto, por se conservarem imaculadas, facilitavam a delicadeza e a eficiência do melindroso, sublime trabalho. Um curso eficiente, pois, de legítimo Cristianismo e de Filosofia Espírita levaram a efeito os antigos hebreus através de tais processos, visitando ainda outras agremiações merecedoras da nossa confiança e observando outros tantos adeptos fiéis às recomendações do Consolador. Pela mesma época, outrossim, foram-lhes demonstrados em aprendizado, através de dolorosa, mas grandiosa exposição da retrospecção da memória (exame consciencial dos arquivos mentais), os antecedentes do drama terrível de Lisboa: — Aboab e filhos haviam existido em Jerusalém ao tempo dos primeiros cristãos como autoridades judaicas e romanas, exercendo então, sobre os inofensivos adeptos do Cristianismo nascente, atrocidades análogas às que tantos anos mais tarde vieram a experimentar, por sua vez, sob as garras da Inquisição de Portugal! Então, compreendendo claramente a lógica dos fatos, ou a lei de causa e efeito, humilharam-se, reconhecendo o erro em que incorriam havia séculos, e, desfeitos em lágrimas de sincero arrependimento, renderam-se à evidência da irresistível doutrina do Amor, do Perdão e da Fraternidade, que desde os dias longínquos do Calvário irradia redenção para a sucessão dos séculos. E constataram, assim, que aquela fé clerical que, sob os auspícios do “Santo Ofício” de sacrílega memória, se pretendeu impor pela crueldade da violência, longe estava de se assemelhar às blandiciosas lições daquele doce “Rabboni” que recomendava aos seus discípulos:

— “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

 

E, conclui o Venerável “Médico dos Pobres”:

 

“Assim é, meus caros amigos, que o conhecimento legítimo da Doutrina Espírita, como a boa e lúcida prática da mediunidade, resolvem problemas seculares, pois não esquecereis de que foi através da mediunidade bem orientada, à luz do Evangelho do Cristo e sob o rigor da Ciência Transcendental, que os Aboabs se encaminharam para a regeneração individual... e que a família de Leonel, igualmente convertida sob orientações espiritistas, obteve forças e ensejos para o único alvo que lhe caberia atingir a fim de lograr serenidade para progredir moral e espiritualmente, isto é – o amor e o respeito às soberanas leis de Deus...” (PEREIRA, Yvonne do Amaral. Dramas da Obsessão. Pelo Espírito Bezerra de Menezes, [psicografado por] Yvonne A. Pereira. 4.ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2010). pp.165, 166 e 167). 



sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Nos Bastidores da Obsessão - Estudo

Estudo do livro Nos Bastidores da Obsessão, do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco.


Examinando a Obsessão (Continuação)


“Outros, ainda, afervorados a esta ou aquela iniquidade, fixam-se mentalmente, a desencarnados que efetivamente se identificam e fazem-se obsessores destes, amargurando-os e retendo-se às lembranças da vida física, em lamentável comunhão espiritual degradante...

Além dessas formas diversificadas de obsessão, outras há, inconscientes ou não, entre as quais, aquelas produzidas em nome do amor tiranizante aos que se demoram nos invólucros carnais, atormentados por aqueles que partiram em estado doloroso de perturbação e egocentrismo... ou entre encarnados que mantém conúbio mental infeliz e demorado”,

 

Comentário de Leonardo Paixão:

 

Vamos aqui exemplificar com um caso que o Espírito André Luiz nos relata no livro Nos domínios da Mediunidade, cap, 14 sobre um caso de obsessão de encarnado para desencarnado. Para isso transcreveremos algumas partes:

 

“O irmão Justino, diretor da instituição, re­cebeu o grupo, pedindo escusas por não lhe ser possível acompanhar os amigos no serviço. A razão era simples: a casa jazia repleta de psico­patas desencarnados e não poderia, dessa forma, deter-se naquele mo­mento. A desarmonia era efetivamente tão grande no hospital, que André ficou espantado. Como promover reajuste num meio atormentado como aquele? Aulus explicou: "Importa reconhecer que este pouso é um refú­gio para desesperados. Segundo a reação que apresentam, são conduzi­dos, de pronto, a estabelecimentos de recuperação positiva ou regres­sam às linhas de aflição de que procedem. Aqui apenas atravessam pe­queno estágio de recuperação". Num leito simples, Libório, de olhar esgazeado, mostrou-se indiferente à presença do grupo. Exibia o sem­blante dos loucos, quando transfigurados por ocultas flagelações. Exa­minando-o, Aulus informou: "O pensamento da irmã encarnada que o nosso amigo vampiriza está presente nele, atormentando-o. Acham-se ambos sintonizados na mesma onda. É um caso de perseguição recíproca. Os benefícios recolhidos no grupo estão agora eclipsados pelas sugestões arremessadas de longe". André observou que há muitos médiuns assim na Terra. Aliviados dos vexames que recebem por parte de entidades infe­riores, depressa reclamam-lhes a presença, religando-se a elas automa­ticamente, embora o propósito dos amigos espirituais de libertá-los. Enquanto não se modificam suas disposições espirituais, favorecendo a criação de novos pensamentos, jazem no regime da escravidão mútua, em que obsessores e obsidiados se nutrem das emanações uns dos outros. Libório estava mais angustiado e mais pálido; parecia que uma tempes­tade interior, pavorosa e incoercível, o empolgava. De fato. Em ins­tantes, sua esposa, desligada do corpo denso em momento do sono, apa­receu no recinto, reclamando, feroz: "Libório! Libório! por que te au­sentaste? Não me abandones! Regressemos para nossa casa! Atende, atende!..."

Hilário, deveras surpreso, reco­nheceu na­quela mulher a mesma pessoa que, momentos antes, rogara socor­ro à ins­tituição que frequentava... "Isso é o que ela julga que­rer – explicou Aulus –, entretanto, no íntimo, alimenta-se com os fluidos enfermiços do companheiro desencarnado e apega-se a ele, ins­tintivamente." "Milhares de pessoas são assim. Registram doenças de variados matizes e com elas se adaptam para mais segura acomodação com o menor esforço. Dizem-se prejudicadas e inquietas, todavia, quando se lhes subtrai a moléstia de que se fazem portadoras, sentem-se vazias e padecentes, provocando sintomas e impressões com que evocam as enfer­midades a se exprimirem, de novo, em diferentes manifestações, auxi­liando-as a cul­tivar a posição de vítimas, na qual se comprazem." O Assistente disse que tal fato acontece na maioria dos casos de obses­são, e é por esse motivo que, em muitas ocasiões, as dores maiores são chamadas a fun­cionar sobre as dores menores, com o objetivo de acordar as almas vi­ciadas nesse gênero de trocas inferiores. Nesse ponto, a esposa conse­guira abeirar-se mais intimamente de Libório, que passou a demonstrar visível satisfação, sorrindo à maneira de uma criança con­tente. Vendo, porém, Celina, a infeliz bradou, colérica: "Quem é esta mulher? dize! dize!..." Celina avançou para ela com simplicidade e im­plorou: "Minha irmã, acalme-se! Libório está fatigado, enfermo! Aju­demo-lo a repou­sar!..." A interlocutora não suportou o olhar doce e benigno da notá­vel médium e, longe de reconhecer Celina, tomada por forte ciúme, gri­tou para o enfermo palavras amargas, abandonando o re­cinto, em desaba­lada carreira. Libório ficou contrariado com o fato, mas Aulus apli­cou-lhe passes, restituindo-lhe a calma. Em seguida, o Assistente enal­teceu a grandeza da Bondade Divina, que aproveita até os nossos senti­mentos menos dignos em nossa própria defesa. O ciúme e o despeito da esposa encarnada, ao ver Celina junto do esposo, dar-lhe-iam tréguas valiosas, de vez que o grupo teria algum tempo para auxiliá-lo nas re­flexões necessárias. Hilário se disse surpreso com ver o serviço in­cessante por toda a parte, seja na vigília e no sono, na vida e na morte... Aulus respondeu-lhe, sorrindo: "Sim, a inércia é simplesmente ilusão e a preguiça é fuga que a Lei pune com as aflições da reta­guarda".

 

Estes pequenos trechos do cap. 14 da obra Nos Domínios da Mediunidade nos traz muitas reflexões sobre os casos de vampirismo e obsessão recíproca, isto é, do desencarnado para o encarnado e do encarnado para o desencarnado, ambos se obsedando. Lembremos a definição de obsessão que nos dá o Espírito Adolfo Bezerra de Menezes: “(...) a obsessão, de qualquer natureza, nada mais é que duas forças simpáticas que se chocam e se conjugam numa permuta de afinidades” (PEREIRA, Yvonne A. Dramas da Obsessão. Pelo Espírito Adolfo Bezerra de Menezes. 4, ed. Rio de Janeiro: Federação Espírita Brasileira, 2010, p. 29).

 

O Benfeitor Aulus esclarece sobre um pedido de ajuda ao Grupo Espírita, mas que, em não havendo esforço da irmã que a solicitou, os resultados alcançados na reunião mediúnica desaparecem. Observemos atentamente a fala do Benfeitor a respeito: "O pensamento da irmã encarnada que o nosso amigo vampiriza está presente nele, atormentando-o. Acham-se ambos sintonizados na mesma onda. É um caso de perseguição recíproca. Os benefícios recolhidos no grupo estão agora eclipsados pelas sugestões arremessadas de longe" (grifos nossos).

 

Quantos são os casos de pessoas que pedem socorro aos Grupos Espíritas e, por não realizarem o exercício de reforma moral, necessário a todos nós, modificando assim conceitos e por consequência os sentimentos com relação aos seus sofrimentos bem como confortando-se igualmente através da oração fervorosa ao Senhor, permanecendo então do mesmo jeito, acusam, em uma postura vitimista, de que ao pedirem ajuda a esta ou aquela instituição espírita, de nada adiantou e os seus sofrimentos até aumentaram por se lhes ter dado esperanças. É um caso clássico de vitimização que projeta no outro a causa de seus insucessos. E respondendo Aulus ao espanto de Hilário sobre como a irmã no texto aqui colocado como subsídio aos nossos estudos, pediu ajuda e em parcial liberdade através do sono do corpo físico, age completamente diferente do estado de vigília, alerta: "Milhares de pessoas são assim. Registram doenças de variados matizes e com elas se adaptam para mais segura acomodação com o menor esforço. Dizem-se prejudicadas e inquietas, todavia, quando se lhes subtrai a moléstia de que se fazem portadoras, sentem-se vazias e padecentes, provocando sintomas e impressões com que evocam as enfer­midades a se exprimirem, de novo, em diferentes manifestações, auxi­liando-as a cul­tivar a posição de vítimas, na qual se comprazem." (grifos nossos).


terça-feira, 1 de agosto de 2023

Nos Bastidores da Obsessão - Estudo

Estudo do livro Nos Bastidores da Obsessão, do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco.

Examinando a Obsessão (Continuação)

"Na Terra, igualmente, é muito grande o número de encarnados que se converten, por irresponsabilidade e invigilância, em obsessores de outros encarnados, estabelecendo um consórcio de difícil erradicação e prolongada duração, quase sempre em forma de vampirismo inconsciente e pertinaz. São criaturas atormentadas, feridas nos seus anseios, invariavelmente inferiores que, fixando aqueles que elegem gratuitamente como desafetos, os perseguem em corpo astral, através dos processos de desdobramento inconsciente, prendendo, muitas vezes, nas malhas bem urdidas da sua rede de idiossincrasias, esses desassisados morais, que, então, se transformam em vítimas portadoras de enfermidades complicadas e de origem clínica ignorada..."

Comentário de Leonardo Paixão: 

Para uma boa fixação desse tipo de obsessão, a de encarnado para encarnado, vamos nos valer das observações simples e diretas da irmã Suely Caldas Schubert em seu livro Obsessão/Desobsessão:

"Pessoas obsidiando pessoas existem em grande número. Estão entre nós. Caracteriza-se pela capacidade que têm de domínar mentalmente aqueles que elegem como vítimas.
Este domínio mascara-se com os nomes de ciúme, inveja, paixão, desejo de poder, orgulho, ódio, e é exercido, às vezes, de maneira tão sutil que o dominado se julga extremamente amado. Até mesmo perseguido.
Essas obsessões correm por conta de um amor que se torna tiranizante, possessivo, tolhendo e sufocando a liberdade do outro.
É, por exemplo, o marido que limita a liberdade da esposa, mantendo-a sob o jugo de sua vontade; é a mulher que tiraniza o companheiro, escravizando-o aos seus caprichos; são os pais que se julgam no direito de governar os filhos, cerceando-lhes toda e qualquer iniciativa; são aqueles que, em nome da amizade, influenciam o outro, mudando-lhe o modo de pensar, exercendo sempre a vontade mais forte, o domínio sobre a que se apresentar mais passiva.
São ainda as paixões escravizantes que, desequilibrando emocionalmente os seres, podem ocasionar dramas dolorosos, configurados em pactos de suicídio, assassínios, etc.
A dominação mental acontece não só no plano terreno, isto é, nas ocorrências do dia a dia, mas prossegue principalmente durante o sono físico, quando os seres assim comprometidos se defrontam em corpo astral, parcialmente libertos do corpo carnal dando curso em maior profundidade ao conúbio infeliz em que se permitiram enredar.
O mesmo sucede sob o império do ódio ou quaisquer outros sentimentos de ordem inferior.
Até mesmo dentro dos lares, na mesma família, onde se reencontram antigos desafetos, velhos companheiros do mal, comparsas de crimes nefandos, convocados pela Justiça Divina ao reajustamento. Entretanto, escravizados ao passado, deixam-se levar por antipatia e aversão recíprocas, que bem poucos conseguem superar de imediato.
Surgem daí muitas das rixas familiares, já que esses Espíritos, agora unidos pelos laços da consanguinidade, prosseguem imantados às paixões do pretérito, emitindo vibrações inferiores e obsidiando-se mutuamente.
São pais que recebem, como filhos, antigos obsessores. É o obsessor de ontem que acolhe nos braços, como rebento de sua carne, a vítima de antanho.
E esses seres se entrelaçam nos liames consanguíneos para que tenham a precisa ensancha de modificar os próprios sentimentos, vencendo aversões, rancores ou mágoas.
Reduzido, porém, ainda é o número dos que conseguem triunfar, conquistando o vero sentimento de fraternidade, tolerância e amor".

"Outros, ainda, afervorados a esta ou àquela iniquidade, fixam-se mentalmente, a desencarnados que efetivamente se identificam e fazem-se obsessores destes, amargurando-os e retendo-os às lembranças da vida física, em lamentável comunhão espiritual degradante..."

Comentário de Leonardo Paixão:

Neste trecho, o Espírito Manoel Philomeno de Miranda está a falar sobre a obsessão de desencarnado para desencarnado, especialmente no que toca ainda fundo ao desencarnado: as sensações da vida no corpo físico.

Allan Kardec na Introdução de O Evangelho segundo o Espiritismo, item IV - Tópico: Resumo da Doutrina de Sócrates e de Platão, n. IV transcreve: 

"A alma impura, nesse estado, se encontra oprimida e se vê de novo arrastada para o mundo visível, pelo horror do que é invisível e imaterial. Erra, então, diz-se, em torno dos monumentos e dos túmulos, junto aos quais já se têm visto tenebrosos fantasmas, quais devem ser as imagens das almas que deixaram o corpo sem estarem ainda inteiramente puras, que ainda conservam alguma coisa da forma material, o que faz que a vista humana possa percebê-las. Não são as almas dos bons; são, porém, as dos maus, que se veem forçadas a vagar por esses lugares, onde arrastam consigo a pena da primeira vida que tiveram e onde continuam a vagar até que os apetites inerentes à forma material de que se revestiram as reconduzam a um corpo. Então, sem dúvida, retomam os mesmos costumes que durante a primeira vida constituíam objeto de suas predileções".

Esaa transcrição que Allan Kardec fez e que aqui reproduzimos, vem mostrar que, desde tempos antigos, se conhecia sobre o estado dos Espíritos após a morte do corpo físico, bem como que o Espírito impuro haveria de reencarnar e o que alcançou a pureza não tem mais necessidade de reencarnação. É o que nos dizem os Espíritos Superiores, conforme podemos atestar na leitura das obras de Allan Kardec.

Falamos até aqui do Espírito desencarnado ainda cheio de lembranças e desejos de sensações físicas, mas, como ocorre o processo obsessivo de desencarnado para desencarnado? Sabemos que a mente é o fator que promove tal sintonia, mas de que forma específica? Iremos nos valer novamente do livro Obsessão/Desobsessão, de Suely Caldas Schubert:

"Desencarnado para Desencarnado

Espíritos que obsidiam Espíritos. Desencarmados que dominam outros desencarnados, sâo expressões de um mesmo drama que se desenrola tanto na Terra quanto no Plano Espiritual inferior.
As humanidades se entrelaçam: a dos seres incorpóreos e a dos que retomaram a carne.
Situações que ocorrem na Crosta são, em grande parte, reflexos da odisseia que desenvolve no Espaço. E vice-versa.
Os homens são os mesmos: carregam os seus vícios e paixões, as suas conquistas e experiências onde quer que estejam.
Por isso há no Além-Tímulo obsessões entre Espíritos. Por idênticos motivos das que ocorrem na face da Terra.
Em quase todos os processos obsessivos desencadeados pelo que já desencarnou, junto ao que ainda está preso ao veículo físico, o obsessor cioso da cobrança costuma, em geral, aliciar outros Espíritos para secundá-lo em sua vingança. Tais "ajudantes" são invariavelmente inferiores e de inteligência menos desenvolvida que a de seus chefes. A sujeição mental a que se submetem tem suas origens no temor até em compromissos ou dívidas existentes entre eles, havendo casos em que o "chefe" os mantém sob hipnose - processo análogo, aliás, ao utilizado com as vítimas encarnadas.
O jugo dos obsessores só é possível em razão da desarmonia vibratória de suas presas, que só alcançarão a liberdade quando modificarem a própria direção mental. Certamente recebem, tanto quanto os obsessores,vibrações amorosas e equilibradas dos Benfeitores Espirituais, que lhes aguardam a renovação. Espíritos endividados e conpromissados entre si mesmos, através de associações tenebrosas, de idêntico padrão vibratório, se aglomeram em certas regiões do Espaço, obedecendo à sintonia e à lei de atração, formando  hordas que erram sem destino ou se fixam temporariamente, em cidades, colônias, núcleos, enfim, de sombras e trevas.
Tais núcleos têm dirigentes, que se proclamam juízes, julgadores, chamando a si a tarefa de distribuir "justiça" aos Espíritos igualmente culpados e também devotados ao mal, ou endurecidos pela revolta e pela descrença. Na obra Libertação, de André Luiz, encontramos a descrição de uma dessas cidades e no livro Nos Bastidores da Obsessão, de Manoel Philomeno de Miranda, temos notícias de um desses núcleos trevosos.
Aí, nesses redutos das sombras, comete-se toda sorte de atrocidades e os Espíritos aferrados ao mal são julgados e condenados por outros ainda em piores condições. Torturas inimagináveis, crueldades, atos nefandos são praticados por esses seres que se afastaram deliberadamente do bem. Esses agentes do mal, todavia, não estão abandonados pela misericórdia do Senhor, e sempre que ofereçam condições propícias são balsamizados pelas luzes divinas a ensejar-lhes a transformação. Um dia retornarão ao aprisco, porque nenhuma das ovelhas se perderá..."


Como já vai longo esse estudo, continuaremos em próxima postagem.

Deus a todos abençoe!!



domingo, 9 de julho de 2023

Nos Bastidores da Obsessão - Estudo

Estudo do livro Nos Bastidores da Obsessão, Espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco. 

Examinando a Obsessão

"(...) Entre os que são tidos por loucos, muitos há que apenas são subjugados; eles precisariam de um tratamento moral, enquanto que com os tratamentos corporais os tornam verdadeiros loucos" (KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. 81. ed. 1. imp. (ed. histórica). Cap. XXIII, item 254).

Comentário de Leonardo Paixão:

Hoje, século XXI, a Reforma Psiquiátrica é uma realidade e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Residências Terapêuticas (RTs), no Brasil, tem levado ao fechamento de Hospitais Psiquiátricos, humanizando o tratamento.


"(...) asseverou o Codificador que [...] o conhecimento do Espiritismo, longe de facilitar o predomínio dos maus Espíritos, há de ter como resultado, em tempo mais ou menos próximo e quando se achar propagado, destruir esse predomínio, dando a cada um os meios de se pôr em guarda contra as sugestões deles".

Comentário de Leonardo Paixão:

O Dr. Carl Wickland em seu livro Trinta Anos entre os Mortos, afirma que não basta a boa conduta para se defender da obsessão, o conhecimento do processo é essencial também para estarmos na defensiva. Conhecendo os meios de atuação dos obsessores, teremos maiores recursos de defesa e vigilância.

"Obsessores há milenarmente vinculados ao crime..."

Comentário de Leonardo Paixão:

No livro Libertação, o Espírito André Luiz  revela sobre os Espíritos que se denominam "dragões" e estão há mais de 10.000 anos sem reencarnar, vivendo no mal. São seres humanos que alcançarão igualmente a redenção. Leiamos a nota do Espírito André Luiz no capítulo 8 - Inesperada intercessão do livro aqui referido em que ele explica sobre os Dragões: 

"Espíritos caídos no mal, desde eras primevas da Criação Planetária, e que operam em zonas inferiores da vida, personificando lideres de rebelião, ódio, vaidade e egoísmo; não são, todavia, demônios eternos, porque individualmente se transformam para o bem, no curso dos séculos, qual acontece aos próprios homens".


terça-feira, 27 de junho de 2023

Considerando a Obsessão

Do livro Sementes de Vida Eterna, Espíritos Diversos, psicografia de Divaldo Pereira Franco. Cap. Conaiderando a Obsessão.

Considerando a obsessão
Autor: Manoel Philomeno de Miranda (Espírito).

"Com etiologia muito complexa, a alienação por obsessão continua sendo um dos mais terríveis flagícios para a Humanidade.

Não significando a morte o fim da vida, antes o inicio de nova expressão de comportamento, em que o ser eterno retorna ao Mundo Espiritual donde veio, a desencarnação liberta a consciência que jazia agrilhoada aos liames carnais, ora desarticulando, ora ampliando as percepções que melhor se fixaram nos painéis da mente, fazendo que o ser, agora livre do corpo físico, se revincule ou não aos sítios, pessoas ou aspirações que sustentou durante a vilegiatura carnal".


Comentário de Leonardo Paixão: 

É interessante ler o livro A Crise da Morte, de Ernesto Bozzano, em que há relatos de diversos Espíritos sobre seu estado após a morte. É uma obra que complementa a 2* Parte do livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec. A importância de ler estas obras é a de nos iniciarmos desde a Terra de como é a vida no pós-morte e de desmistificarmos as tradicionais compreensões de céu e de inferno.

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"O amor, por constituir alta aspiração do Espírito, mantêm-no em comunhão com os objetivos superiores que lhe representam sustento e estímulo, na marcha do progresso. Assim, também, o ódio e todo o seu séquito de paixões decorrentes do egoísmo e do orgulho, reatam os que romperam os grilhões da carne àqueles que foram motivo das suas aflições e angústias, especialmente se se permitiram guardar as idéias e reações negativas equivalentes.

Sutilmente a princípio, em delicado processo de hipnose, a idéia obsidente penetra a mente do futuro hóspede que, desguardado das reservas morais necessárias à manutenção de superior padrão vibratório, começa a dar guarida ao pensamento infeliz, incorporando-o às próprias concepções e traumas que vêm do passado, através de cujo comportamento cede lugar à manifestação ingrata e dominadora da alienação obsessiva.

Vezes outras, através do processo da agressividade violenta, com que a indução obsessiva desorganiza os registros mentais da alma encarnada, produz-se o doloroso e lamentável domínio que se transforma em subjugação de longo curso".

Comentário de Leonardo Paixão:

A técnica dos Espíritos obsessores para incutir uma ideia na pessoa visada é a de sutil hipnose que começa com um pensamento até que este se torne ideia fixa, conseguido esse primeiro propósito a ação obsessiva se faz com o tempo mais tenaz. Em meu livro Novas Reflexões Doutrinárias, no capítulo Pequeno Estudo sobre Técnica da Obsessão faço os seguintes esclarecimentos de como se dá a contaminação da mente do obsessor na mente do encarnado:

1 – A contaminação se dá pela impressão de ideias fixas na mente do obsidiado através de imagens mentais;


2 – Pelo períspirito: mantendo o do encarnado em seu mesmo padrão vibratório, para isso, incentivando os pensamentos licenciosos que derivam das imagens mentais, atuando especialmente através do sono, quando o encarnado, desprendido do corpo físico, é atraído para regiões onde dará vazão aos seus apetites sensuais e, em geral, também lhe são impressas palavras a título de senha que, quando acordado, ao ouvi-las ou captar-lhes as imagens (pode ser o nome de alguém ou a imagem de uma pessoa ou um objeto) lhe aflorarão os desejos...
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'Noutras oportunidades, inspirando sentimentos nefastos, latentes ou não no paciente desavisado, os desencarnados em desdita nele instalam o seu baixo teor vibratório, logrando produzir variadas distonias psíquicas e emocionais, que o atormentam e desgovernam, graças à inditosa dependência em que passa a exaurir-se, a expensas da vontade escravizante do hóspede que o encarcera e aflige...

Pululam por toda parte os vinculados gravemente às Entidades perturbadoras do Mundo Espiritual inferior.

Obsidiados, desse modo, sim, somos quase todos nós, em demorado trânsito pelas faixas das fixações tormentosas do passado, donde vimos para as sintonias superiores que buscamos.

Muito maior, portanto, do que se supõe, é o número dos que padecem de obsessões, na Terra.

Lamentavelmente, esse grande flagelo espiritual que se abate sobre os homens, e não apenas sobre eles, já que existem problemas obsessivos de várias expressões, como os de um encarnado sobre outro, de um desencarnado sobre outro, de um encarnado sobre um desencarnado e, genericamente, deste sobre aquele, não tem merecido dos cientistas nem dos religiosos o cuidado, o estudo, o tratamento que exige.

Antes, vinculados a preconceitos injustificáveis, os cientistas e religiosos se entregavam à indiferença, quando não à perseguição sistemática aos portadores de obsessões, acreditando que, ao destruírem as vítimas de tão grave enfermidade, aniquilavam a ignorada causa do problema...

Aliás, ainda hoje, a situação. é idêntica, variando, apenas, na forma de encarar a questão".

Comentário de Leonardo Paixão:

Eeste último parágrafo "Aliás, ainda hoje, (...)" é confirmado em leituras como do livro O Exorcista do Vaticano, onde o Padre Gabriele Amorth coloca sobre as ações doa "demônios" (Espíritos obsessores), entretanto, apesar do estudo aprofundado sobre os efeitos, ainda se colocam as fórmulas de orações específicas e o uso de elementos da antiga magia por meios indispensáveis à cura, deixando de lado a questão mais importante e que traz real efeito sobre o Espírito obsessor a quem a ele fala: a autoridade moral. Ver a qiestão 477 do tópico Possessos em O Livro dos Espíritos. Precisamos também atentar para a questão 479 de O Livro dos Espíritos: "A prece é meio eficiente para a cura das obsessões? R. - A prece é em tudo um poderoso auxílio.  Mas, crede que nâo basta que alguém murmure algumas palavras, para que obtenha o que deseja. Deus assiste os que obram, não os que se limitam a pedir. É, pois, indispensável que o obsidiado faça, por sua parte, o que se torne necessário para destruir em si mesmo a causa da atração dos maus Espíritos ". (Grifei).

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'Mesmo as modernas Ciências, que se preocupam em conhecer profundamente a psique humana, colocam, a priori, os problemas obsessivos à margem, situando-os em posições muito simplistas, já que os seus pesquisadores se encontram atados a raciocínios e conclusões de fisiologistas e psicólogos do século passado, que se diziam livres de qualquer vinculação com a alma...

Repontam, é verdade, aqui e ali, esforços individuais, tentando formular respostas claras e objetivas às tormentosas interrogações da afligente quão severa problemática, logrando admitir a possibilidade da interferência da mente desencarnada sobre o deambulante do escafandro orgânico.

Terapêutica salutar, porém, para a magna questão, é a Doutrina Espírita. Não apenas como profilaxia, mas, ainda, como terapêutica eficiente, por assentar as suas lições e postulados nos sublimes ensinamentos de Jesus-Cristo, com toda a justiça cognominado “O Senhor dos Espíritos”, graças à sua ascendência, várias vezes demonstrada, ante as Entidades ignorantes, perturbadoras e obsessoras.

A Allan Kardec, o ínclito Codificador do Espiritismo, coube a tarefa de aprofundar sondas e bisturis no organismo e na etiologia das alienações por obsessão, projetando luz, meridiana sobre a intricada enfermidade da alma. Kardec não somente estudou a problemática obsessiva, como também ofereceu medidas profiláticas e terapêutica salutar, firmado na informação dos Espíritos Superiores, na vivência com os obsidiados, como pela observação profunda e meticulosa com que elaborou verdadeiros tratados de Higiene Mental, que são as obras do Pentateuco Espírita, esse incomparável monólito de luz, que inaugurou era nova para a Ciência, para a Filosofia, tornando-se o Espiritismo a Religião do homem integral, da criatura ansiosa por religação com o seu Criador.

Diante de qualquer expressão em que se apresentem as alienações por obsessão ou em que se manifestem suas sequelas, mergulhemos a mente e o coração no organismo da Doutrina Espírita, e, procurando auxiliar o paciente encarnado a desfazer-se do jugo constrangedor, não olvidemos o paciente desencarnado, igualmente infeliz, momentaneamente transformado em perseguidor ignorante, embora se dizendo consciente, mas sofrendo, de alguma forma, pungentes dores morais".

Comentário de Leonardo Paixão:

É preciso estudar, pesquisar sobre o assunto e vivenciar os antídotos quais a prece, a conduta moral enobrecida e, com o conhecimento sobre as técnicas obsessivas, realizar a desobsessão disciplinarmente em um grupo mediúnico sério e praticar no dia a dia o Evangelho do Cristo, assim, pregando pelo exemplo e moralizando o obsessor que observa as atitudes não só do obsedado, mas também de todos os elementos de uma equipe mediúnica para a qual foi direcionado para ser auxiliado.

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"Concitemos o encarnado à reformulação de idéias e hábitos, à oração e ao serviço, porquanto, através do exercício da caridade, conseguirá, sensibilizar o temporário algoz, que o libertará, ou granjeará títulos de enobrecimento, armando-se de amor e equilíbrio para prosseguir em paz, jornada a fora.

... E em qualquer circunstância procuremos em Jesus, Mestre e Guia de todos nós, o amparo e a proteção, entregando-nos a Ele através da prece e da ação edificante, porque somente por meio do amor o homem será salvo, já que o amor é a alma da caridade.

Obsessões e obsidiados são as grandes chagas morais dos tumultuados dias da atualidade. Todavia, a Doutrina Espírita, trazendo de volta a mensagem do Senhor, em espírito e verdade, é o portal de luz por onde todos transitaremos no rumo da felicidade real que nos aguarda, quando desejemos alcançá-la'.


(Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco na noite de 13-11-1976, no Centro, Espírita “Caminho da Redenção”, em Salvador, Bahia
Mensagem inserida no livro Sementes de Vida Eterna, Espíritos Diversos, psicografia de Divaldo Pereira Franco).


segunda-feira, 26 de junho de 2023

Nos Bastidores da Obsessão- Estudo.

Estudo do livro Nos Bastidores da Obsessão, do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco.

Prolegômenos

"Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potênciaa da natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo" (O Livro dos Espíritos  - Allan Kardec  - Introdução-28. ed. FEB-p. 23).

Comentário de Leonardo Paixão:

As ações dos Espíritos sobre o mundo moral se dão através da influência que exercem sobre os nossos pensamentos e sobre o mundo físico os Espíritos atuam nos mais diversos fenômenos da Natureza, tais como a evolução das espécies, as chuvas, os abalos sísmicos. Sobre esse assunto ver os livros A Caminho da Luz, Espírito Emmanuel, psicografia de Chico Xavier; Evolução em Dois Mundos, Espírito André Luiz, psicografia de Chico Xavier e Waldo Vieira; a questão 540 e seguintes de O Livro dos Espíritos. 

"Os modernos pesquisadores da mente encarnada, fascinados pelas experiências de labratório..."

Comentário de Leonardo Paixão:

Sendo esta obra do ano 1970, os modernos pesquisadores da mente encarnada eram os parapsicólogos, como Joseph  Banks Rhine nos EUA, sua esposa Louise Rhine, os pesquisadores da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas - URSS. Sobre aa pesquisas na antiga URSS, recomenda-se ler o livro Experiências Psíquicas por Trás da Cortina de Ferro, de Sheila Ostrander e Linn Schroeder.

"O psi é uma designação que dá elasticidade quase infinita aos recursos plásticos da mente, tais como conhecimento do passado (telepatia), ou acontecimentos que tiveram lugar anteriormente e se encontram gravados nas mentes de outras pessoas; conhecimento de ocorrências no mundo exterior (clarividência), sem o contato com impressões sensoriais e percepção do futuro (presciência)".

Comentário de Leonardo Paixão:

Estes fenômenos ocorrem com frequência nos trabalhos de desobsessão, de tratamento e de cirurgia espiritual no Grupo Espírita Semeadores da Paz, Campos dos Goytacazes, RJ,  que fundamos, dirgimos e onde exercemos nossos trabalhos mediúnicos.
Tais fenômenos tem sido confirmadoa por pessoas presentes nos respectivos trabalhos ou por pessoas que nos pediram ajuda com as quais entramos em contato depois. Os fenômenos de persciência ou premonitórios confirmam-se à medida que o tempo avança e, algumas vezes, quedas e acidentes e casos de prováveis cirurgias são evitados quando os encarnados alertados ficam vigilantes.

"Em princípio, os recursos valiosos da mente, nas experiências de transposição dos sentidos; fenômenos de profetismo e lucidez, demonstrações de insensibilidade táctil, nas alucinações, polarizações e despolarizações psíquicas, realizadas em epilépticos e histéricos hipnotizados, ensejavam conclusões apressadas que pareciam confirmar as características do psi".

Comentário de Leonardo Paixão:

Para um exemplo de um desses fenômenos vejamos:

As experiências de Charcot, Braid e Lombroso referentes à hipnose comprovaram que no estado hipnótico há insensibilidade nervosa e transposição dos sentidos, sobre isto, Lombroso cita a experiência que realizou com a jovem C. S., de 14 anos:
 
"De início, sonambulismo, durante o qual mostrava singular atividade nos labores domésticos, grande afetividade aos parentes, distinta disposição musical; mais tarde, apresentou mutação no caráter, audácia viril e imoral; mas, o fato mais estranho era que, enquanto perdia a visão dos olhos, via, com o mesmo grau de acuidade (o 7° na escala Jager), pela ponta do nariz e lóbulo esquerdo da orelha, lendo, assim, uma carta que então viera dos Correios, enquanto que eu lhe vendara os olhos, e pôde distinguir os números de um dinamômetro.
Curiosa era depois a nova mímica com que reagia aos estímulos levados aos que chamaremos órgãos ópticos transitórios e transpostos.
Avizinhando, por exemplo, um dedo à orelha ou ao nariz, ou fazendo menção de os tocar, ou ainda melhor, fazendo com uma lente incidir um raio de luz de lâmpada, mesmo à distância e por fração de minuto, ressentia-se vivamente e irritava-se.
- Quereis cegar-me? - gritava.
Depois, com instintiva mímica inteiramente nova, tão nova quanto o fenômeno, movia o antebraço a defender o lóbulo da orelha e a extremidade do nariz, e assim permanecia por alguns minutos" (LOMBROSO, César. Hipnotismo e Mediunidade. 5. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1999. p. 70-71).

"Comprovou-se mui facilmente por meio da sugestão hipnológica, que se pode impressionar um percipiente a fim de que o mesmo assuma personificações parasitárias momentaneamente, representando vultos da História ou simples pessoas da plebe..."

Comentário de Leonardo Paixão:

Pierre Janet em seu livro O Automatismo Psicológico traz diversos exemplos desse fenômeno.

Em nossos estudos de Magnetismo e Hipnotismo, realizamos experiências em Curso de Magnetismo realizado em nosso Grupo no ano 2016, onde não somente fortes dores de cabeça foram tratadas bem como levamos uma das percipientes a estado de transe mais profundo e sugerimos que ela estava "possuída" por um demônio. A experiência revelou-se tão bem sucedida que quando eu pedi que pessoa particpante da experiência levasse até mim um copo com água comum e quando eu aspergi um pouco dessa água sobre a pessoa em estado de hipnose e disse que era água benta, tal pessoa sentiu seu corpo queimar e quando fiz com os dedos a forma de uma cruz e lhes coloquei na testa dizendo ser um crucifixo bento, a pessoa se contorcia como a sentir fortes dores. Depois levamos a percipiente R. a um estado de relaxamento profundo e ordenamos por sugestão que ela de nada se lembrasse e, ao ser despertada, até hoje ela afirma convicta que de nada se lembra dessa experiência.
O que pudemos concluir dessas experiências? Primeiro que o Magnetismo e o Hipnotismo não são fantasias, segundo que podem e devem ser usados como tratamento para diversos males do corpo e da mente e terceiro que a partir deles podemos ter a certeza dos fenômenos de sugestão e que tais fenômenos por si não explicam outros tantos fenômenos mediúnicos como as batidas que os Espíritos dão e fenômenos outros como o da psicografia que traz identidade do Espírito com detalhes conhecidos de quem teve contato em vida com o Espírito comunicante e até mesmo a igualdade de assinatura que o Espírito pode trazer como mais um apêndice de prova à sua identidade. Além de outros fenômenos. Sobre isso leia-se o livro O Além e a Sobrevivência do Ser, de Léon Denis.

"Enquanto tais fenômenos se demoram sem explicação definitiva, a sobrevivência do Espírito após a morte do corpo não encontra aceitação pelas academias; distúrbios mentais de vária ordem aprisionam multidões em cárceres estreitos e sombrios, povoados pelos fantasmas da loucura, reduzindo o homem à condição primitiva do passado..."

Comentário de Leonardo Paixão:

Hoje temos a Reforma Psiquiátrica a não levar o ser humano a tal condição degradante. Para um estudo histórico sobre os avanços das medidas em relação às pessoas com graves distúrbios mentais, recomenda-se ler o livro História da Loucura, de Michel Foucault, onde se terá uma alta gama de informações desde a Idade Média até o século XX. E assim, poderemos apreciar os avanços no campo da Saúde Mental.

"Tratadistas estudiosos dos problemas psicossociológicos do presente atribuem grande parte dos distúrbios mentais à tensão das horas em que se vive, elevando, cada dia, o número dos desarranjados psiquicamente e aturdidos da emoção".

 Comentário de Leonardo Paixão:

Ainda hoje - 2023 -, os fatores sociais, em especial a busca da felicidade permanente, o uso intensivo das redes sociais, provocando isolamento e dependência de tela, além da tensão do cotidiano, são colocados por psiquiatras, psicólogos, psicanalistas, filósofos, sociólogos, antropólogos, por causas dos variados trantornos mentais.

"Naturalmente que, além desses, afirmam os de procedência  fisiológica, da hereditariedade, de vírus e germens, as sequelas ds epilepsia, da tuberculose, das febres reumáticas, da sífilis, os traumatismos e choques que se encarregam de contribuir larga e amplamente para a loucura. Fatores outros predisponentes a que também se referem nâo podem ser relegados a planos secundário. Todavia, além desses, que dão origem a psicoses e neuroses lamentáveis, outros há que somente podem ser explicados pela Doutrina Espírita, no capítulo das obsessões estudadas carinhosamente por Allan Kardec".

Comentário de Leonardo Paixão:

Sobre causas outras para os transtornos mentais, é de muito valor lermos ou relermos a obra A Loucura sob Novo Prisma, de Adolfo Bezerra de Menezes, onde ele tratará magistralmente a tese de que há loucura sem lesão cerebral, tendo por causa a influência de um ou mais Espíritos obsessores.

"Foi nesse período que Allan Kardec, convidado à liça da cultura e da informação, empunhando o bisturi da investigação, clareou, com uma Filosofia Científica, o Espiritismo, calcada em fatos devidamente comprovados, os escaninhos do obscurantismo, oferecendo uma terapêutica segura para as alienações torturantes, repetindo as experiências de Jesus Cristo junto aos endemoninhados e enfermos de toda ordem".

Comentário de Leonardo Paixão:

Os resultados que se obtém nas reuniões de desobsessão e de tratamento magnético-espiritual nos Grupos Espíritas em relação às pessoas obsedadas por Espíritos, vem nos mostrar o acerto de Kardec.