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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Fotos do lançamento do livro "Sementes de Paz"

Com os amigos Eliane, Ana Lúcia, Rosângela, a companheira Tereza e o amigo Marco.



                                                  Com a mãezinha do coração Neir, um amor.
                                      Com a companheira Tereza e a amiga Ana, dando autógrafo.
                                                                 Com a amiga Patrícia.
                                              Com o amigo Charles Santiago, nosso fotógrafo
                                          Com os amigos do peito Ana Lúcia, Rosângela e Marco.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Lançamento do livro "Sementes de Paz" de Espíritos Diversos, psicografia de Leonardo Paixão dia 05 de Setembro às 19 horas no GE Bezerra de Menezes à Rua Silva Tavares, 46 - Altos. Pq. Rosário.Campos dos Goytacazes
Breve lançamento em outras casas também.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Crítica Literária

              (Do site Orientação Espírita - orientacaoespirita.org)
 
Ícaro Redimido

Autor: Adamastor
Médium: Gilson Freire
Editora: Inede
Número de Páginas:
Lançamento: 2007

 
Análise de Leonardo Paixão
 
Colocaremos para uma leitura dinâmica, parte de textos do livro que consideramos “chaves” para a análise por nós feita e, logo em seguida as nossas observações.
 
“Durante um ano, antes de iniciar este trabalho, fui invadido, no momento do sono, por uma profusão de sonhos muito reais e que entreteciam todo o enredo da história que iria escrever mais tarde. No entanto, eu não estava ciente do fato e não podia compreender a razão daquilo. Passava os dias acompanhado por aquelas imagens inquietantes e guardava a estranha sensação de trazer a mente invadida por pensamentos que não me pertenciam, pressionando-me as paredes do cérebro para evadir-se. De certa forma me perturbavam, dificultando-me o trabalho diurno, causando-me uma íntima inquietude e a inexplicável impressão de não estar completamente desperto e integrado ao nosso mundo” (Esclarecimentos Necessários, p. 12).
 
É estranha essa declaração, pois, Espíritos esclarecidos não perturbam a vida cotidiana do médium e deixam agradáveis vibrações e seu trabalho é realizado em dia e horários pré-estabelecidos, sendo que, como diz o Espírito Odilon Fernandes no livro “Mediunidade e Doutrina” psicografia de Carlos Antônio Baccelli e Prefácio de Emmanuel por Chico Xavier, os Espíritos podem de forma natural e espontânea dar mensagens fora deste contexto, mas não é a regra e em o fazendo não perturbarão ao médium.
 
“Uma entidade que não pertence a este mundo esteve presente junto a mim, inspirando-me no seu relato. Responde pelo nome de Adamastor e sentia a força de sua presença, impondo-me o seu pensamento e dirigindo ativamente o trabalho” (Idem – grifo meu).
 
Os Bons Espíritos não impõem seus pensamentos, eles os projetam e o médium os filtrará de acordo com a sua capacidade, sendo mais ou menos fiel ao pensamento do Espírito. Aconselhamos sobre este assunto de trabalhos literários pelas vias psicográficas a leitura do capítulo “O amigo Beletrista”, na obra “Devassando o Invisível”, de Yvonne Pereira.
Vejamos aqui resposta de Yvonne sobre psicografia, é de muito esclarecimento o que ele nos transmite:
 
RIE- Como e quando começou a psicografar?

Resposta de Yvonne Pereira:
 
Aos doze anos de idade eu já escrevia impulsionada pelos espíritos, sem, contudo, ter verdadeira noção do fenômeno. Sou criada em ambiente espírita desde o berço e por isso o fato nunca me impressionou. Sentia indomável impulso no braço e atordoamento, sem, no entanto, se verificar o transe, e isso fora mesmo de sessões práticas. Desejava parar de escrever e não conseguia. O fenômeno parece que se processava pela psicografia mecânica. E via o espírito comunicante, que se nomeava Roberto, afirmando ter vivido na Espanha, pelo século XIX. Nunca procurei desenvolver a mediunidade ou a provoquei. Apresentou-me ela, naturalmente, desde a infância. Apenas procurei imprimir-lhe o rumo conveniente, educando-me na moral evangélica e nas disciplinas recomendadas pela doutrina espírita. E comecei a psicografar livros ainda em minha juventude, recebendo o primeiro convite ao trabalho e as necessárias instruções do espírito Camilo Castelo Branco, que desde minha infância se revelou um grande amigo espiritual. Qualquer entidade que conceda uma obra psicografada convida o médium (não ordena) e fornece instruções. Sem esse convite será difícil, senão impossível, conseguir-se alguma coisa autêntica. Pelo menos é o que acontece comigo. (grifamos)
Fonte: Pelos caminhos da Mediunidade Serena/ Yvonne do Amaral Pereira – 1ª Ed., 1ª reimp. – São Paulo, SP: Lachâtre, 2007, pag.24-26.
 
No Prefácio/Apresentação – que tem por título “A História de um Ícaro” – escrito supostamente pelo Espírito Bezerra de Menezes, há considerações duvidosas:
 
“(...) aproximando o curso dos fatos desta e da outra vida, unindo causas e efeitos, entretece a verdadeira sucessão da História, em sua lógica impreterível, quando vista sobre o prisma do espírito” (p. 20)
 
Perguntamos: Se o Carlos Vítor Mussa Tavares, o Carlinhos (filho de Clóvis Tavares), foi a reencarnação de Santos Dumont, conforme revelação de Chico Xavier a Clóvis Tavares, qual a necessidade deste livro? Os fatos já não teriam dito muito?
 
“Agradeçamos ao esforço de todos por esta contribuição à História, mesmo que os homens da Terra teimem em não lhe reconhecer a inquestionável veracidade” (p. 21 – grifo meu).
 
Esta não é uma expressão condizente para um Espírito Superior, pois este não está preocupado se os homens o aceitarão ou não, sabe que a obra será realizada. Por outra, a “inquestionável veracidade” sobre a História espiritual de Santos-Dumont é a que foi revelada por Chico Xavier, Yvonne Pereira, Newton Boechat, Wallace Rodrigues e César Burnier (adiante falaremos sobre ela), que destoam do que nesta obra está escrito.
 
“(...) De forma que não podemos mais duvidar da possibilidade de regressão (grifei), representando, sem dúvida, o maior dano que o espírito é capaz de se infligir” (Cap. 08 – Na Câmara dos Ovoides, p. 84).
 
Apesar de se estar falando de espíritos em estágio de ovoidização, o autor espiritual fala claramente neste texto que o Espírito pode regredir, afirmativa que vai de encontro às respostas dos Guias da Humanidade em “O Livro dos Espíritos” (vide a questão 193, 194 e o Capítulo V – Considerações sobre a Pluralidades das Existências).
 
“(...) Será, no entanto, recurso defensivo importante para a manutenção de seu equilíbrio. A medicina terrena ainda não se deu conta disso e trata de inibir, com insistência, essas importantes leucorreias, dificultando muitas vezes o trabalho de drenagem dos miasmas pestilentos” (Cap. 10 – A Bênção do Recomeço).
 
É informação dada apenas por um Espírito e um médium, sendo o médium Freire médico, o que será que pensa desta proposta anti-higiênica?
 
“(...) A contração máxima, como a vemos, era já esperada porque Alberto se defrontou com o meio adequado para isso, e a executou convenientemente. Se, no entanto, ele não tivesse sido acomodado no seio uterino, aí sim o processo lhe seria drástico, pois, terminaria, como já vimos, na ovoidização” (Cap. 10, p. 100).
 
Chico Xavier, Yvonne Pereira, Newton Boechat, Wallace Rodrigues e César Burnier, jamais falaram sobre ovoidização no caso de Santos-Dumont. É estranho que cerca de 60 anos após a mensagem que Dumont deu a Chico Xavier, precise se revelar o fato agora, pois, a sua dolorosa reencarnação como Carlinhos (viveu 17 anos tetraplégico), já foi um grande exemplo e um testemunho da reencarnação. Será que verdadeiramente é preciso mais?
 
“(...) Somente entidades de altíssimo quilate evolutivo conseguem manipular à distância o desenvolvimento de sua forma, mantendo-se em relativa liberdade durante o processo” (Cap. 11 – Dias Atribulados, p. 106).
 
Tal informação contrasta com a questão 344 de “O Livro dos Espíritos” e com a questão 51 do item 284 de “O Livro dos Médiuns”. Um exemplo a dar é o de D. Laura, mãe de Lísias em “Nosso Lar”, que não mais precisava reencarnar e em o fazendo deixou aos parentes em “Nosso Lar” muito tristes com a sua “partida”. Outro fato digno de nota é o caso de Espíritos que revelam que iram reencarnar e ao o fazerem, já não mais dão comunicações. Podemos dizer ser este o caso do Espírito Emmanuel, guia de Chico Xavier que, segundo consta está reencarnado desde o ano 2000. Médiuns que dizem receber Emmanuel e até psicografam livros, como é o caso do Wagner Gomes da Paixão em Belo Horizonte, tem sido rechaçado por aqueles que conviveram com Chico de perto, como Eurípedes Humberto Higino dos Reis (filho de coração de Chico), Geraldo Lemos Neto, Nena Galves e outros.
 
“(...) notamos que a mente do facultativo não se mostrava acessível a qualquer tipo de inferência de nosso plano (grifei)” (Cap. 11, p. 110).
 
Este trecho é uma contradição com o que em seguida vai escrito.
 
“(...) Notávamos-lhe a sólida formação moral (grifei), rica de possibilidades para a devida orientação à nossa amiga, porém sua pressa e seu pouco interesse em se envolver com o caso tornavam-no completamente impérvio à nossa atuação” (Cap. 11 – Dias Atribulados, p. 111).
 
Muito estranha esta passagem, pois, justamente esta “sólida formação moral” é que torna o ser humano dócil às vibrações dos Benfeitores Espirituais e seria fácil a eles a inspiração ao médico citado como de “sólida formação moral”. E o médico, se realmente tivesse esta formação seria uma alma sensível e, por isso mesmo, auxiliaria a meretriz que lhe pedia socorro.
 
“Nosso sustento na vida ainda se baseia em inadequado vampirismo, praticado em refinadas expressões, sem nos darmos conta de que exercitamos, na verdade, um regime em oposição à Lei do Amor. Se insistimos neste estranho hábito de ingerir as vísceras de nossos irmãos inferiores, justificados por viciadas e pretensas necessidades biológicas, justo é estarmos, por nossa vez, sujeitos ao roubo exploratório de nossas biomassas doentiamente surrupiadas de outros. O amor e não a morte deve alimentar a nossa vida, se queremos de fato que a felicidade habite nossa alma. A indústria da morte, sustentando nos séculos o vício do vampirismo, deve ser assim banida de nossa sociedade, a fim de que ela se harmonize com as Leis de Deus e a paz se estabeleça em seu seio. Sem dúvida que o homem encontrará diversas maneiras de prover a sua vida física no planeta, de forma eficiente e saudável, que não se baseie no extermínio de seus irmãos menores, maculando o puro amor que lhe consubstancia a alma divina” (Cap. 13 – Doloroso Transe, p. 123).
 
Este parágrafo ressuscita a defesa ferrenha do vegetarianismo que faz o espírito Ramatís no seu livro “Fisiologia da Alma”. Sobre o assunto vejamos o que diz o Espírito Lamennais na Revista Espírita de Dezembro de 1863: “o esquecimento da carne leva mais facilmente à meditação e à prece”. Entretanto, termina dizendo: “Pode ser-se bom cristão e bom espírita e comer a seu gosto contanto que seja razoável. É uma questão um tanto leviana para os nossos estudos, mas não menos útil e proveitosa” (grifos meus).
Lamennais diz que é uma questão leviana, isto é, não tem muita importância; e em que sentido ela é “não menos útil e proveitosa”? No sentido de que nos faz refletir sobre os nossos hábitos alimentícios em relação a como estamos usando os alimentos: com sobriedade ou com exagero? O que importa é o crescimento moral e não o deixar ou não de comer carne.
Já finalizando estes nossos comentários que vão longo, porém, necessários e antes de deixarmos aqui as palavras do confrade Flávio Mussa Tavares, filho de Clóvis Tavares e irmão de Carlos Vítor Mussa Tavares, se faz necessário dizer que a obra de 450 páginas é um repertório de termos médicos e como o espírito Adamastor, conforme orelha do livro “é o pseudônimo de um médico que viveu na França no final do século XIX e se transferiu para o Brasil, onde desencarnou em decorrência do abuso do álcool e do fumo, tendo sido recebido no plano espiritual como suicida (...) Até onde sabemos, seus trabalhos junto a nós têm se desenvolvido no Grupo da Fraternidade Espírita Irmão Vítor, onde já se manifestou através de diversas mensagens de elevado teor, em nome de Bezerra de Menezes (grifei), algumas dirigidas ao Movimento da Fraternidade”.
 
Um Espírito suicida pode se recuperar e escrever para trazer ensinamentos aos homens, foi o caso de Camilo Castelo Branco através de Yvonne Pereira que, além de outras obras de inegável valor doutrinário, nos legou “Memórias de um Suicida” e de André Luiz que, através de Chico Xavier nos legou a sua lavra de “repórter do Além”.
No caso em pauta, estamos a analisar a linguagem técnica em excesso do referido autor espiritual. Ou o espírito quer dar mostras de seu conhecimento científico, já que ele fora médico ou o médium liberou conhecimentos pela via anímica, para nós sendo mais provável esta última hipótese, pois que os termos são da moderna medicina e, por uma questão de identidade espiritual, o espírito poderia usar dos termos que sabia, diferente com o ocorrido a André Luiz, pois este escreveu pouco depois de sua desencarnação e os conhecimentos que possuía não estavam distantes do conhecimento que se tinha, já não se dá este fato com o espírito Adamastor, que se encontra desencarnado há mais de um século. O fato de ele ter aprendido no Além, diante do que lemos na obra, deixa claro se tratar de um espírito pseudossábio, inclusive enviando mensagens em nome de Bezerra de Menezes, quando vemos o próprio Bezerra – quando se trata de assuntos do Espiritismo e do Movimento Espírita – a irradiar seu pensamento como Espírito Superior que é, a diversos médiuns. Diante disto seria o Prefácio/Apresentação do livro escrito por Bezerra de Menezes ou foi o espírito Adamastor que o escreveu usando o nome do “Médico dos Pobres” (método muito usado pelos espíritos que querem enganar é usurpar o nome de entidades venerandas) e, por isso, dizendo da “inquestionável veracidade” da obra?
Ao final da obra o médium Freire coloca a mensagem que Santos-Dumont deu por Chico Xavier e em nota diz:
 
“(...) Ela (a mensagem) nos mostra que Santos Dumont já havia se recuperado, embora tivessem decorrido apenas 16 anos de sua trágica morte, tempo considerado curto, tendo em vista a habitualmente longa recuperação dos suicidas. O teor de suas palavras nos atesta que ele se movia rumo à aquisição de nobilitantes conquistas, sobremodo distanciadas dos antigos interesses que o motivaram na vida física, comprovando-se as revelações aqui expostas”.
 
Em realidade, as palavras de Santos-Dumont não comprovam as “revelações” desta obra, haja vista que a família do saudoso Professor Clóvis Tavares, onde Santos-Dumont encarnou, sendo o Carlinhos, contesta veementemente as “revelações” desta obra. Por outra, a afirmativa de que Santos-Dumont já havia se recuperado, embora tivessem decorrido apenas 16 anos de sua trágica morte (...)”, contrastam com a revelação de Chico Xavier a Clóvis Tavares “de que Santos Dumont, desde 1936, era um dos mais devotados Amigos Espirituais de nossa Escola Jesus Cristo” (TAVARES, Clóvis. Trinta Anos com Chico Xavier. 7. ed. Araras, SP: IDE, 2008. p. 152).
Se Dumont já era Amigo da Escola Jesus Cristo e “um dos mais devotados”, desde 1936, peca o médium Freire em dizer que Santos Dumont recuperou-se 16 anos depois, antes disto, ele já estava ativo no Mundo Espiritual. Ainda sobre o assunto, vejamos a nota que o Dr. Flávio Mussa Tavares colocou à página 67 do livro “Rocha dos Séculos”, 1ª edição, Campos, RJ: Escola Jesus Cristo, 2008:
 
“É importante revelar aqui que o nobre espírito Santos Dumont comunicou-se também pelo mesmo médium, com o pseudônimo de Lill, escrevendo particularmente a Clóvis Tavares. Estas comunicações estão inseridas no livro “A Morte é Simples Mudança”, onde estão também as poesias de Carlos Vítor, o Carlinhos, filho primogênito de Clóvis Tavares. Ele sofreu como Carlinhos, uma expiação voluntária de seu intento contra a vida na pessoa do Pai da Aviação. Acrescento aqui esta nota, pois a literatura espírita mediúnica está produzindo textos que aludem a uma situação espiritual negativa de Santos Dumont que é absolutamente diferente das informações coincidentes que temos através das mediunidades de Chico Xavier, Yvonne Pereira, Wallace Rodrigues, César Burnier e Newton Boechat. Como Allan Kardec ensinou-nos que devemos balizar-nos pela Universalidade do Ensino dos Espíritos, segue-se que qualquer comunicação que sugira a Santos Dumont uma situação espiritual diferente da observada pelos médiuns supracitados seja apócrifa”.

sábado, 25 de maio de 2013


Restauração do Cristianismo
Por Leonardo Paixão
(Orador e Médium em Campos, RJ - Brasil)

Desde que Constantino em 325 d.C. realizou o Concílio de Nicéia, teve início a grande desfiguração do Cristianismo, onde a crença pagã (politeísta, enraizada na doutrina da santíssima trindade e nos cultos dos santos), já não é apenas o aspecto sincrético proveniente do aumento do número de cristãos no Império Romano, fenômeno perfeitamente explicável pelos estudos de antropologia cultural, mas verdade de fé e por isso mesmo irrevogável. Era o início de um poder terreno que se fazia na Terra o representante escolhido diretamente pelos Céus! (1) O interesse de Constantino em manter a unidade política, territorial e religiosa do Império e uma posição proeminente para sua pessoa imperial, foram os motivos para a convocação de um Concílio reunindo líderes de diversas igrejas e somente após o Concílio de Nicéia foi que o imperador tornou – se popular em Roma e, agora só havia uma doutrina teológica verdadeira porque inspirada pelo Espírito Santo (?) (2), sobre este assunto esclarece o prof. J. Herculano Pires:

(...) Os Gnósticos, que enfrentaram o avanço dos cristãos, apoiados pelo Imperador Constantino, de Roma, diziam – se herdeiros de uma revelação antiga, que se conservava na sucessão dos mandatos. Pretendiam a universalidade, como os cristãos, mas não dispuseram de um apoio político e militar suficiente, sendo condenados como hereges. Os cristãos realizaram sua institucionalização sob a proteção romana toda poderosa. Tinham o mandato de César, mas faltava – lhes o de Deus. Todas as seitas cristãs que discordavam da posição dos protegidos de Roma eram declaradas hereges e muitas vezes exterminadas. A mesma aliança anteriormente efetuada entre romanos e judeus, em Jerusalém, efetuava – se então entre romanos e cristãos, com propósito mais vasto, que era o domínio do mundo. Por mais que desejemos dourar essa situação, alegando a necessidade de expansão do Cristianismo para a salvação da Humanidade, a verdade dos fatos históricos nos mostra que o objetivo principal, e que realmente se realizou, pelo menos em parte, era o domínio político e militar dos povos sob o prestígio da igreja apoiada pelo Império (Revisão do Cristianismo, 1996).

As consequências de tal decisão produziram o período de trevas na humanidade começando com as Cruzadas que tinham por objetivo retirar os árabes da Terra Santa culminando com a instituição da Congregação do Santo Ofício (hoje Congregação para a doutrina da Fé), ironicamente chamada de Santa Inquisição, que tanta dor e confusão causou devido ao fanatismo religioso e à ambição desmedida dos novos sacerdotes da caricatura cristã. A massa ignara seguia piedosamente as ordens “divinas”, é chocante o episódio ocorrido com John Huss: quando este estava sendo queimado uma velhinha se aproxima e coloca um pequeno galho para aumentar o fogo, ao que Huss exclama: sancta simplicita! (santa ignorância), o povo cria que quanto maior fosse o fogo, a alma do “infiel” seria mais purificada de seus “pecados”.

É no seio da própria Igreja que o começo de uma ação para restaurar a verdade cristã em seu verdadeiro significado irá se produzir, quando em 31 de outubro de 1517 o monge agostiniano Martin Luther (Martinho Lutero) fixa na porta da igreja de Wittenberg as 95 teses, dando início a intensos debates teológicos que culminam na divisão da cristandade em católicos e protestantes. Entretanto, apesar de Lutero haver retirado a letra morta para a claridade das consciências, o livre exame das Letras Sagradas trouxe divergências na interpretação, provocadas pelo orgulho humano que só percebe a sua verdade, nasceram daí os anabatistas e os calvinistas e mais divisão foi feita entre os cristãos.

No decorrer da história humana, muitos pensadores apareceram buscando fazer ver ao homem que a vida tem um sentido e que o Cristianismo do Cristo não estava perdido, teremos o “cogito” de Descartes (século XVII), os enciclopedistas no Século das Luzes (século XVIII), o panteísmo de Spinoza (século XVII), a desenvolver – nos uma concepção de Deus nada antropomórfica, de Spinoza disse Ernest Renan: “eis o homem que teve a mais profunda visão de Deus!”. E, para fazer a revisão dos ensinos de Jesus de Nazaré, Renan, o grande racionalista do século XIX, em 24 de junho de 1863, lança a sua obra – prima Vida de Jesus (3), restituindo a Jesus a sua figura humana, filho de José e Maria e não um deus encerrado num corpo humano, como se tal coisa fosse possível, o Criador dos Universos limitado como um mortal, Ele que é a um só tempo Eterno e a Eternidade. Guiando – se na mesma postura de Renan, mas sob ótica diversa, Allan Kardec também inicia o processo de revisão do Cristianismo quando publica O Evangelho segundo o Espiritismo em 1864. No livro Obras Póstumas, Kardec pergunta aos Espíritos o que dirá o clero sobre O Evangelho, ao que responderam:

“O clero gritará – heresia, porque verá que atacas decisivamente as penas eternas e outros pontos sobre os quais ele baseia sua influência e o seu crédito. (...) O anátema secreto se tornará oficial e os espíritas serão repelidos, como o foram os judeus e os pagãos, pela Igreja Romana. Em compensação, os espíritas verão aumentar – se – lhes o número, em virtude desta perseguição, sobretudo com o qualificarem, os padres, de demoníaca uma doutrina cuja moralidade esplenderá como um raio de Sol pela publicação do teu novo livro e dos que se seguirão.

(...) o Espiritismo é a única tradição verdadeiramente cristã e a única instituição verdadeiramente divina e humana” (4).

O Espiritismo desmistifica e demitifica todo o arcabouço filosófico e teológico que a escolástica durante séculos produziu, colocando o homem na posição de espírito em evolução e tendo por máxima Fora da Caridade não há salvação (5), restaura a simplicidade cristã que é sem culto oficial, sem ritos, sem pompas, como eram as reuniões na igreja primitiva.

Notas:

1 – Este poder temporal vindo do céu estendeu – se à figura dos reis:

Se a sociedade era uma e tripartida e o rei era a figura que liga o triângulo, este apresentava - se, (...), na teologia política com um duplo corpo: o corpo mortal, terreno e humano, e o corpo que era na verdade o corpo místico, designativo do coletivo idealizado nas três ordens.

O duplo corpo do rei era por um lado a junção do corpo clerical e do corpo leigo, do sagrado e do profano, por isso o rei era ungido e eleito como todos que são da esfera do sagrado. Mas o rei não pertencia ao corpo clerical. Nem ao corpo clerical, nem à cultura clerical somente, porque o rei guerreiro também, leigo como seus pares, primus inter pares [primeiro entre iguais]. (FRÓES, Vânia Leite. Era o tempo do Rei... IN: LIMA, Lana Lage da Gama, HONORATO, César Teixeira, CIRIBELLI, Marilda Corrêa, SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. História e Religião. Rio de Janeiro: FAPERJ: Mauad, 2002. p. 59-60).

2 - (...) o Concílio de Nicéia era uma convocação de líderes religiosos vindos dos quatro cantos do mundo antigo, desde a Espanha até a Pérsia, do norte da África ao norte da França, do Egito da Síria, da Armênia e da Palestina. Constantino organizou e controlou a reunião, a primeira conferência ecumênica, criando, com esmero, a primeira imagem da cristandade. (...) As gerações seguintes acreditaram de modo geral que o Concílio de Constantino, fora guiado diretamente pelo Espírito Santo. O imperador entronizado e seus bispos aparecem como o protótipo do governo ocidental, pois foi em Nicéia que essa ordem dual de poder espiritual e temporal recebeu sanção pela primeira vez. No centro desse novo Império cristão ficavam os livros sagrados da Bíblia (ROMER, 1991).

3 – Esta obra de Renan é o marco da pesquisa universitária sobre a historicidade de Jesus e é reconhecida, diante das recentes descobertas arqueológicas como um dos mais importantes textos sobre esta.

4 – Para melhor entendimento dessa afirmativa leia – se o capítulo I do livro A Gênese, de Allan Kardec – Caráter da Revelação Espírita.

5 – É interessante observar que os exegetas têm traduzido para a Bíblia a palavra caridade por amor, já que aquela tem tido na atualidade o sentido de assistência social fugindo do sentido original, caridade vem do grego kharitas e significa amor supremo, lembramos que os gregos tinham oito palavras para exprimir o amor, cada qual em sentido específico, a caridade (amor supremo) como a entendia Jesus é a “benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas” (O Livro dos Espíritos, questão 886).

 

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

FENÔMENO ANÍMICO X FENÔMENO MEDIÚNICO
Por Leonardo Paixão

No campo das pesquisas espíritas temos que considerar dois tipos de fenômenos que se assemelham e, por isso mesmo, confundem muitos espiritistas não afeitos à pesquisa e que erroneamente os classificam num único tipo: o fenômeno mediúnico. Se atentassem para a história das pesquisas psíquicas compreenderiam que, sendo o ser humano um Espírito encarnado, ele possui faculdades próprias do Espírito que se manifestam em estado próprio, como o estado de "transe".As experiências de Charcot, Braid e Lombroso referentes à hipnose comprovaram que no estado hipnótico há insensibilidade nervosa e transposição dos sentidos, sobre isto, Lombroso cita a experiência que realizou com a jovem C. S., de 14 anos:
 
"De início, sonambulismo, durante o qual mostrava singular atividade nos labores domésticos, grande afetividade aos parentes, distinta disposição musical; mais tarde, apresentou mutação no caráter, audácia viril e imoral; mas, o fato mais estranho era que, enquanto perdia a visão dos olhos, via, com o mesmo grau de acuidade (o 7° na escala Jager), pela ponta do nariz e lóbulo esquerdo da orelha, lendo, assim, uma carta que então viera dos Correios, enquanto que eu lhe vendara os olhos, e pôde distinguir os números de um dinamômetro.
Curiosa era depois a nova mímica com que reagia aos estímulos levados aos que chamaremos órgãos ópticos transitórios e transpostos.
Avizinhando, por exemplo, um dedo à orelha ou ao nariz, ou fazendo menção de os tocar, ou ainda melhor, fazendo com uma lente incidir um raio de luz de lâmpada, mesmo à distância e por fração de minuto, ressentia-se vivamente e irritava-se.
- Quereis cegar-me? - gritava.
Depois, com instintiva mímica inteiramente nova, tão nova quanto o fenômeno, movia o antebraço a defender o lóbulo da orelha e a extremidade do nariz, e assim permanecia por alguns minutos" (LOMBROSO, César. Hipnotismo e Mediunidade. 5. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1999. p. 70-71).

Tais fenômenos levaram a estudos sérios sobre a real causa destes fatos, se tinham plausível explicação fisiológica ou eram produtos da emancipação da alma. No caso do Hipnotismo, como o paciente "está nas mãos do operador" é difícil a explicação espiritualista, a não ser quando através deste processo há a intervenção inesperada de outra "força" (Espírito) totalmente alheia à vontade do operador.
Bem compreendidos,os fenômenos anímicos são uma evidência da independência e imortalidade da alma; a clarividência, a clariaudiência, a telepatia, os sonhos premonitórios, o transe sonambúlico natural ou provocado e o desdobramento astral ou projeção psíquica, são algumas faculdades que possuem em grau elevado determinadas criaturas, podendo em algumas tais faculdades serem desenvolvidas pelo exercício.
Allan Kardec estudou os fenômenos do magnetismo por 35 anos consecutivos e afirmou ser este uma excelente ferramenta para o estudo das potencialidades anímicas, já os fenômenos mediúnicos trazem a característica de evidenciar a sobrevivência do Ser após a morte, dando o Espírito através do médium provas de sua identidade, no caso de ser alguém conhecido ou, através da linguagem, caso seja personagem de há muito desencarnada.
Como vemos, no fenômeno anímico só há a manifestação do médium, a aparência de fenômeno mediúnico de que este se reveste confunde muitos dirigentes de reuniões mediúnicas, daí a necessidade do estudo e da pesquisa séria para que não haja confusão entre fenômenos psíquicos, tais os sonhos premonitórios, pressentimentos e outros com a real mediunidade ostensiva, própria de muitos médiuns que foram pesquisados no passado e, ainda hoje, raros de se encontrar, para que tal se dê se faz necessário agir com o rigor científico que caracterizou a obra de pesquisadores como Kardec, Denis, Delanne, Bozzano, Richet, Joseph Banks Rhine e outros. Somente com tal postura haverá de se fazer um trabalho sério e dignificante e, ao mesmo tempo, de consolo e amparo ao próximo, seja na cura das obsessões, seja pelas chamadas cartas consoladoras, seja pela simples aplicação de um passe reconfortante. Eis aí, como disse Newton Boechat, "a sabedoria que ama e o amor que sabe".


terça-feira, 19 de março de 2013


ESPIRITISMO: CAUSA DO ESPÍRITO
Por Leonardo Paixão
(artigo escrito em 03/05/2010)

        O Espiritismo, surgido em meados do século XIX, começou com manifestações ruidosas: pancadas e barulhos que assombravam as casas, a mais famosa destas foi a das irmãs Fox em Hydesville, E.U.A, mas tal fenômeno ocorrido em todas as partes do mundo, chamou a atenção de homens de ciência que decidiram por os pesquisar afim de encontrarem a explicação científica para o fato de os “raps” demonstrarem inteligência ao responderem às perguntas feitas sobre diversos assuntos, desde os mais simples às altas questões científicas e filosóficas, descobriu-se que o fenômeno era obtido com o auxílio de médiuns que doavam inconsciente ou conscientemente os fluidos necessários às Entidades comunicantes para a produção dos fenômenos.

        Para que o Espiritismo viesse a se afirmar como Ciência várias pesquisas foram realizadas por homens como William Crookes, membro da Sociedade Real de Londres, Prof. Cesare Lombroso, criador da Antropologia Criminal, Ernesto Bozzano, cientista e médico, Prof. Charles Richet, Nobel de Fisiologia, entre muitos outros que confirmaram a sobrevivência do Ser após a morte do corpo. Infelizmente a ciência não admite a existência do Espírito, apesar dos esforços realizados pelos nomes supracitados e continua a acusar os que se convenceram de ingenuidade e, tal como os cientistas que menosprezaram os dois colegas de renome do Stanford Research Institute, da Califórnia, que aceitaram os fenômenos obtidos pelo médium israelense Uri Geller (o "poder" de Geller aqui referido não tem nada a ver com entortamento de colheres, sendo na verdade visualização através de "clarividência" de desenhos feitos por outras pessoas isoladas dele), dizem: Populus vult decipi, ergo decipiatur (O povo quer ser enganado, portanto que se engane). Diante disto como se pode entender que o Espiritismo é ciência, já que a ciência em si mesma não considera a realidade do Espírito? É preciso convir que para os fenômenos espíritas ocorrerem são necessárias certas condições que determinados cientistas declaram como propícias à ação fraudulenta como, por exemplo, a obscuridade em que são realizadas as sessões de materialização, no entanto, muitas pesquisas foram realizadas por anos a fio por homens de ciência altamente capacitados como Sir William Crookes e que eram extremamente desconfiados e prevenidos na realização das experiências. Sobre as prevenções de William Crookes relata o notável pesquisador Carlos Bernardo Loureiro:

 

“William Crookes era extremamente cuidadoso na realização das experiências. Para prevenir a fraude ele chegou a utilizar o teste elétrico aconselhado por Cromwell Varley. Consistia em colocar a médium em um círculo elétrico conectado com uma bobina de resistência um galvanômetro. Os movimentos do galvanômetro eram mostrados em outro recinto para as irmãs de Florence Cook. Se a médium fizesse qualquer movimento, o mais leve que fosse, o galvanômetro apresentaria violentas oscilações.

         Entretanto, nada ocorreu de suspeito, embora o Espírito de Katie King, durante a materialização balançasse seus braços, sacudisse as mãos dos presentes e escrevesse uma mensagem. O galvanômetro permaneceu completamente imóvel, nenhuma deflexão foi notada. Como medida extrema, William Crookes solicitou ao Espírito Katie King que colocasse as mãos numa solução química, pois, no caso de Katie ser Florence, teria os fios molhados e a solução química teria, infalivelmente, modificado a corrente do aparelho. E nada disto ocorreu”(LOUREIRO, Carlos Bernardo. As Mulheres Médiuns. Rio de Janeiro: FEB, 1996. p. 416-417).

 

        Outros muitos fatos poderíamos citar, basta porém consultarmos a extensa bibliografia sobre o assunto que encontraremos diversos relatos sobre as prevenções tomadas nas pesquisas, mas os cientistas, com raras e honrosas excessões, continuam a agir como os que acusaram os eminentes físicos Sir William F. Barret e Sir Oliver Lodge. Eis trecho do artigo da revista trimestral Bedrock a respeito do trabalho sobre telepatia realizado por estes dois físicos:

Não é necessário nem encarar o fenômeno da chamada telepatia como inexplicável nem considerar a condição mental de Sir W. F. Barret e Sir Oliver Lodge como indistinguível da idiotice. Há uma terceira possibilidade. A vontade de acreditar os levou a aceitar rapidamente indícios obtidos sob condições que eles teriam reconhecido como sem solidez se tivessem uma formação em psicologia experimental (APUD: KAKU, Michio. IN: Hiperespaço: uma odisséia científica através de universos paralelos, empenamentos do tempo e a décima dimensão. Rio de Janeiro: Rocco, 2000).

        Apesar da crítica ferrenha aos dois eminentes físicos, no século XX o prof. Joseph Banks Rhine pesquisou entre outros o fenômeno da telepatia e declarou:

“Na situação atual só se podem explicar as provas a favor da telepatia com uma espécie geral de troca extra-sensorial de pessoa para pessoa. O conceito de Espírito não se desvanece. Esta mesma dificuldade com relação ao Espírito contribui para manter a importância do problema da telepatia” (APUD: LOUREIRO, Carlos Bernardo. IN: Op. Cit., p. 378).

        Diante disto torna-se vital para o desenvolvimento da Ciência, a pesquisa séria dos fenômenos extra-sensoriais para “o engrandecimento e consolidação da causa do Espírito, Senhor do Tempo e dos Elos Perdidos...”(Carlos Bernardo Loureiro).

 

sábado, 2 de março de 2013


EVIDÊNCIAS DA INDIVIDUALIDADE E INDEPENDÊNCIA DA ALMA APÓS A MORTE
 
Por Leonardo Paixão

        Que prova podemos ter da individualidade da alma após a morte?

            - Não tendes esta prova pelas comunicações que obtendes? Se não estiverdes cegos, vereis; e se não estiverdes surdos, ouvireis; pois frequentemente uma voz vos fala e vos revela a existência de um ser que está ao vosso redor.

(O Livro dos Espíritos, questão 152)

        Após a conclusão da grandiosa obra da Codificação Kardequiana uma nova ordem de fenômenos espíritas atraiu a atenção dos sábios: as materializações de Espíritos. As pesquisas realizadas no final do século XIX e início do século XX por notáveis cientistas como Sir William Crookes, Sir William F. Barret, Sir Oliver Lodge, Cromwell Varley, Paul Gibier, Ernesto Bozzano, Charles Richet e César Lombroso, para só citar alguns, evidenciaram a realidade da vida após a morte. As pesquisas modernas sobre Experiência de Quase Morte (EQM) evidenciam também a persistência do Ser, notadamente quando ocorre durante esta, a comunicação do enfermo com um seu parente já morto e este lhe revela fatos ocorridos em sua vida desconhecidos do paciente e comprovados depois, provando-lhe assim a sua identidade e independência. Para maiores detalhes sobre as EQM’s indicamos ao leitor as obras Vida Depois da Vida, do Dr. Raymond Moody Jr. e Morte, Estágio Final da Evolução, da Dra. Elizabeth Kübler-Ross.

        A Sociedade para Pesquisas Psíquicas, de Londres, instituição centenária que contou em seu início com a participação de sábios como Frederic Myers, Edmund Gurney e Frank Podmore, têm um estudo recente (ano de 2009 – acessível no site da Instituição, em inglês) sobre os fenômenos de Poltergeist, onde se afirma a influência de mentes humanas extra-físicas agindo no meio físico. Entretanto, apesar das conclusões a que chegaram diversos cientistas, os incrédulos de plantão vieram à tona com as suas teorias que buscavam derrubar o edifício da Eternidade. O psicólogo William James falou sobre a existência de um “reservatório cósmico das memórias individuais”, ao qual os médiuns teriam livre acesso, extraindo dele tudo o de que necessitam, mistificando os míseros mortais. Hipótese milagrosa demais, pois faz da mente do médium um repositório da Sabedoria Universal. Mais tarde, estudando atentamente os fenômenos, notadamente com a médium Leonore Piper, e também os fenômenos religiosos, James considerou “que a telepatia e a real comunicação de um espírito poderiam explicar (...) experiências religiosas”. Outra hipótese, aventada pelo alemão Von Hartmann, é a de que os médiuns se poriam em relação direta com Deus, o Absoluto. O filósofo e professor alemão Friedrich Von Schiller argumentou decisivamente em relação a estas hipóteses ao falar do caso Patience Worth*:

      “(...) Se me ponderarem que uma personalidade finita não pode deixar de ser uma “seleção” do Absoluto, responderei que semelhante explicação explica demais, visto que se, nesse sentido, Patience Worth não passa de uma “seleção do Absoluto”, todos nós, então, somos, do mesmo modo, “seleções do Absoluto”, o que equivale a dizer que, nos limites da argumentação exposta, Patience Worth seria um “espírito” como todos os outros” (In: BOZZANO, Ernesto. Xenoglossia. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1998)

        Para concluir não poderíamos deixar de citar a resposta do Mestre de Lyon no comentário que fez à questão 152 de O Livro dos Espíritos, numa notável antecipação:

      “(...) Se não houvesse, após a morte, senão o que se chama o Grande Todo, absorvendo todas as individualidades, esse todo seria homogêneo e então as comunicações recebidas do mundo invisível seriam todas idênticas. Desde que encontramos seres bons e maus, sábios e ignorantes, felizes e desgraçados, desde que há de todos os caracteres: alegres e tristes, levianos e sérios, etc, é evidente que se trata de seres distintos.

         A individualização ainda se evidencia quando esses seres provam a sua identidade através de sinais incontestáveis. De detalhes pessoais relativos à vida terrena, e que podem ser constatados; ela não pode ser posta em dúvida quando eles se manifestam por meio das aparições. A individualidade da alma foi teoricamente ensinada como artigo de fé, mas o Espiritismo o torna patente e de certa maneira material”.

 

*Patience Worth é o nome do Espírito que se comunicava com a sra. John H. Curran e ditou uma série de romances e poesias. O poema que mais causou sensação foi o de título TELKA, escrito em língua anglo-saxônica do século XVII e combinado com expressões dialetais da época. Suas primeiras obras foram ditadas em inglês moderno, entretanto, ela decidiu a ditar algumas em língua inglesa e nos dialetos do século XVII, afim de provar a sua independência espiritual em relação à médium.

“Pelo que toca ao poema TELKA – esclarece o Prof. Bozzano – adiantarei que, na época em que foi transmitido, Patience Worth deixara de empregar o instrumento mediúnico denominado OUIJA e ditava romances e poesias pela boca da médium, o que significa que esta última, conquanto conservasse plena consciência de si mesma, percebia uma voz subjetiva que lhe ia ditando palavra por palavra, de modo que ela não fazia mais do que repetir, em voz alta, as que ouvia e que um secretário ia escrevendo” (APUD: LOUREIRO, Carlos Bernardo. IN: As Mulheres Médiuns. Rio de Janeiro: FEB, 1996. p. 67).