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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Cura de uma obsessão - comentários

Revista Espírita 1864 » Fevereiro » Variedades » Cura de uma obsessão

O Sr. Dombre, presidente da Sociedade Espírita de Marmande, manda-nos o seguinte:
“Com o auxílio dos bons Espíritos, em cinco dias livramos de uma obsessão muito violenta e muito perigosa, uma jovem de treze anos, do poder de um mau Espírito, desde 8 de maio último. Diariamente, às cinco da tarde, sem faltar um só dia, ela tinha crises terríveis, de causar piedade. Essa menina mora em bairro distante, e os parentes, que consideravam a doença como epilepsia, não falavam mais nisso. Entretanto um dos nossos, que mora na vizinhança, foi disso informado, e uma observação mais atenta dos fatos permitiu-lhe facilmente reconhecer a verdadeira causa. Seguindo o conselho dos nossos guias espirituais, imediatamente nos pusemos à obra. A 11 deste mês, às 8 horas da noite, em nossas reuniões, começamos por evocar o Espírito, moralizá-lo, orar pelo obsessor e pela vítima e a exercitar sobre ela uma magnetização mental. As reuniões eram feitas todas as noites, e na sexta-feira, dia 15, a menina sofreu a última crise. Só lhe resta a fraqueza da convalescença, consequência de tão longos e tão violentos abalos, e que se manifesta pela tristeza, pela languidez e pelas lágrimas, como nos havia sido anunciado. Pelas comunicações dos bons Espíritos, diariamente éramos informados das várias fases da moléstia.
“Essa cura, que noutros tempos uns teriam considerado como um milagre, e outros como um caso de feitiçaria, pelo que, de acordo com a opinião, teríamos sido santificados ou queimados, produziu uma certa sensação na cidade.”
Felicitamos os nossos irmãos de Marmande pelo resultado que obtiveram no caso e somos felizes de ver que aproveitaram os conselhos contidos na Revista, por ocasião de casos análogos relatados ultimamente. Assim, eles puderam convencer-se da força da ação coletiva, quando dirigida por uma fé sincera e uma ardente caridade.

Comentário de Leonardo Paixão:
Muito importante observarmos a dedicação dos membros da Sociedade Espírita de Marmande no tratamento da jovem obsedada. Reuniram-se os dedicados e instruídos membros diariamente para evocar o obsessor, moralozá-lo (o esclarecer da desnecessidade de se promover o mal), orar pelo obsessor e pela obsidiada e também magnetizar a obsidiada mentalmente.

Temos aqui um parâmetro de trabalho que Allan Kardec felicita ao final dizendo que eles souberam aproveitar "os conselhos contidos na Revista, por ocasião de casos análogos, relatados ultimamente".

Um item que chama a atenção é a questão da magnetização mental, para realizá-la é preciso força de vontade e concentração. Sobre este assunto se faz importante ler livros como "O Livro do Médium Curador", de José Lhome; "Magnetismo Curarivo", 2 volumes, de Alphonse Bouvier; "Estudos sobre a Histeria", de Joseph Breuer e Sigmund Freud e textos outros de Freud; "Hipnotismo e Espiritismo", de José Laponi; "Hipnotismo e Mediunidade", de César Lombroso; "A Sugestão Mental", de Julien Ochorowicz.

No livro "Magnetismo Curativo, volume 2 - Magnetismo e Hipnotismo; Sonambulismo; Fascinação; Sugestão Mental; Clarividência; Catalepsia e Letargia; Lei Fenomênica da Vida; Saúde; Moléstia ; Remédio", de Alphonse Bouvier, em seu cap. II há estas considerações:

"De que modo teriam estudado esses experimentadores turbulentos a sugestâo mental, se os processos artificiais empregados visam principalmente o efeito perante uma reunião mais ou menos numerosa, quando o fenômeno só se pode obter por meio de processos que eles propositadamente desconhecem e procuram ridicularizar? Em Hipnotismo, o que chamos entrar em relação não existe; esta constitui um processo exclusivamente mesmérico, e é somente por ele, quando inteligentemente graduado, que se pode chegar a regular um sonâmbulo. Diremos regular, porque, eferivamente, precisa-se proceder a uma verdadeira regularização; regula-se um sonâmbulo como se procede com um instrumento de precisão: um telescópio, um cronômetro, um telefone.

(...)

Não é mais motivo de dúvida entre os sábios hipnotizadores - diz o Dr. Ochorowicz - que ao fazer-se experiências num sonâmbulo sensível se possa incutir-lhe suas teorias, seus conhecimentos, seus temores, suas suposições mesmo, e que deste modo, sem nos precatarmos, comnseguimos divertir, acreditando fazer descobertas. O que diríeis dum físico que, desejando fazer uma medida galvanométrixa delicada, enchesse os bolsos de fragmentos de ferro ou de ímãs? É precisamente o caso dos experimentadores em Hipnotismo: não conservam uma neutralidade cabal nas suas investigações; esquecem que suas presunções, repercutindo-se no sonâmbulo eminentemente sensível, venham depois, induzi-los em erro".

Obviamente que esta era a condição do Hipnotismo à época, fins do século XIX e  início do século XX. Porém, hoje, temos estudos de Milton Erickson e Dave Elman que trazem outras abordagens no ramo. Citamos aqui por estarmos a falar da sugestão mental.

Notemos a abrangência de estudos que tal tema traz e, se quisermos verdadeiramente auxiliarmos no teatamento de pessoas obsedadas, temos de estudar, termos os fundamentos do Magnetismo, do Hipnotismo, da Sugestão Mental, a fim de sabermos como agir e quando e como utilizarmos tais recursos.

Outra coisa que o caso da Revista Espírita aqui colocado tem a nos dizer é: há na terapêutica desobsessiva também esta ferramenta - a sugestão mental, chamada no caso de magmetização mental, que é a mesma coisa. Fica a pergunta: Há estudos aprofundados deste tema e real preparo dos espíritas para realizar tal procedimento?

Estudemos, examinemos, aprofundemos!

Leonardo Paixão (*)
Campos dos Goytacazez, RJ
04/10/2019

(*) Leonardo Paixão é escritor, orador,  magnetizador, médium espírita.
Fundou e Preside o Grupo Espírita Semeadores da Paz em Campos, RJ.
No campo profissional é Psicanalista; Hipnólogo; Terapeuta de Vidas Passadas; Terapeuta Homeopata.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

MEDIUNIDADE E NÓS

O Espiritismo, meus irmãos, trouxe pelo gênio de Allan Kardec, a disciplina exata para as questões da mediunidade e, a partir dela quantas curas de obsessões! Quanto consolo aos corações que perderam seus entes queridos! Quanto esclarecimento aos que estavam com sua fé vacilante!

Muitos apregoam que Jesus voltará, porém, Jesus está de volta através das "Estrelas que cairam dos Céus", os Espíritos prepostos do Senhor que, no dinamismo próprio à Doutrina, continuam e continuarão a escrever, a orientar, a consolar, trazendo informações do Mundo Invisível, informações/revelações sérias, adequadas, pois que se é preciso se estar muito cuidadoso e vigilante o adepto da Doutrina para não se deixar levar por um entusiasmo infantil diante de ditas "revelações" sobre governos, regeneração, datas e/ou anos em que a Terra se transformará.

Kardec já orientou quanto a isso e sabemos muito bem que é o homem que, progredindo moralmente fará a mudança do nível evolutivo do Planeta.

Discípulos de Jesus estejam atentos e que sua legenda seja sempre "kadequizar".

Kardec ainda é um desconhecido.
Com as bênçãos de Deus, o amigo,

Cairbar Schutel
(Mensagem psicografada pelo médium Leonardo Paixão em reunião  de desobsessão do Grupo Espírita Semeadores da Paz, Campos dos Goytacazes, RJ, no dia 14/01/2019).

Análise da mensagem: "Um alerta de suma importância nestes tempos onde há  mistificações constantes sobre prazos para a transformação do Planeta" - Equipe do Culto Newton Boechat, RJ e de mesma opinião é a sra. Neir do Grupo Espírita Bezerra de Menezes.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

A PSICOMETRIA POR ALFRED ERNY

Do livro de Alfred Erny - O Psiquismo Experimental 
Cap. IV A psicometria. – Resumo dos trabalhos do Dr. Buchanan e de W. Denton 

Falemos agora da psicometria, curiosa faculdade psíquica descoberta pelo Dr. Buchanan, que fundou uma escola de medicina em Cincinnati (Estados Unidos). 

Conversando um dia com um cliente, o bispo Simpson, o doutor soube que o bispo, toda vez que tocava num metal, mesmo à noite, quando ignorava que o fazia, sentia a influência desse corpo e descobria a natureza dele. Em seguida a essa observação, o doutor começou uma série de experiências. 

Colocou metais diversos nas mãos de pessoas de grande sensibilidade e constatou que muitas possuíam o poder de adivinhar pelo tato tal ou tal substância, envolvida em papel e imperceptível à vista. 

Continuando nessa ordem de idéias, o Dr. Buchanan imaginou que os sensitivos poderiam ser afetados do mesmo modo pelo contato de seres vivos. Pessoas de temperamento muito impressionáveis poderiam, colocando a mão sobre a cabeça ou sobre o corpo, experimentar uma sensação correspondente à vida íntima. Muitas vezes, mesmo o contato era dispensável. 

Poderosos sensitivos, achando-se diante de pessoas doentes, reconheciam a moléstia e podiam indicar-lhe a sede. 

Eis um gênero de psicometria que prestaria grande auxílio aos nossos médicos, quando seus diagnósticos não correspondessem à sua esperança. (i)

Dois anos depois de haver feito as suas primeiras descobertas, o Dr. Buchanan encontrou indivíduos tão sensitivos que podiam reconhecer a influência comunicada a uma carta por aquele que a tinha escrito, quando se colocava essa carta sobre a fronte do psicômetra. Às vezes, este último podia ainda indicar o caráter e os hábitos daquele que havia escrito a carta. 

Entre aqueles que mais se têm ocupado de psicometria, deve-se citar em primeiro lugar o eminente geólogo William Denton. 

Encontrou em sua mulher, em sua irmã e num dos seus filhos os mais poderosos exemplos de poder psicométrico, e durante mais de vinte anos fez experiências nas melhores condições. 

Continuando suas pesquisas em numerosas viagens, e achando-se em contato com muitas pessoas que possuíam mais ou menos o dom psicométrico, William Denton publicou os resultados de suas experiências em três volumes intitulados: A Alma das Coisas. Vou dar alguns extratos desse curiosíssimo livro. 

A irmã de Denton, Sra. Uridge, foi a primeira pessoa sobre a qual tentou experiências. 

Sendo muito impressionável, essa senhora dentro em pouco se achou em estado de ver e descrever as pessoas que haviam escrito as cartas que se lhe colocavam fechadas sobre a fronte, dizendo mesmo muitas vezes a cor dos cabelos e dos olhos. 

Denton concluiu daí que, se a imagem daquele que escreve uma carta pode gravar-se nela (psiquicamente) durante o pouco tempo em que o papel se lhe acha sob a influência, era justo supor que os rochedos guardavam a impressão de tudo quanto os havia rodeado. Foi assim levado a pensar que o geólogo poderia obter indicações sobre o passado e fez experiências com fósseis, minerais, espécimes arqueológicos. Denton descobriu que o psicômetra, sem saber em que consistia o espécime que se colocava, embrulhado, na mão ou sobre a fronte, via o objeto e tudo o que havia acontecido na sua vizinhança. 

Esta visão passava às vezes com a rapidez do raio e outras vezes tão lentamente e tão distintamente que era possível descrevê-la como uma vista panorâmica. 

A psicometria prestará ao geólogo um auxílio imenso. Há períodos inteiros do passado que ignoramos. A fauna e a flora da Terra durante o período cretáceo nos são quase desconhecidas. Que sabemos do começo da vida? É provável que não só nos fósseis devamos procurá-la, mas também em impressões que o psicômetra pode descobrir. 

Formas pequenas ou demasiado inconsistentes para deixarem impressão sobre os rochedos poderão ser percebidas, e períodos que nos parecem estéreis, vazios, mostrar-nos-ão miríades de seres que viveram sem deixar traços visíveis. Tipos de animais, de pássaros e de peixes, de que não temos a menor idéia, serão por assim dizer reconstituídos e poderemos julgar do conjunto da criação orgânica desde a mônada até o homem. 

Muitas vezes, viajando de carruagem, a Sra. Denton dizia a seu marido: “... há chumbo ou cobre nos arredores ...”, e o Sr. Denton verificou a exatidão da informação. 

O psicômetra – diz ele – pode seguir o curso dos veios de um metal no interior da terra, como nós seguimos o curso de um rio à superfície desta. 

Mas – acrescenta Denton – como poderemos saber se as narrativas dos psicômetras são exatas? Comparando as revelações de um às de outro, como fazemos em astronomia. 

Mesmo para o historiador, a psicometria será útil, pois a História – diz Voltaire – é uma enorme mentira. 

A biografia de todas as nações se acha escrita algures e o psicômetra poderá lê-la. Os ocultistas dizem que todos os acontecimentos passados e presentes estão impressos na luz astral e que os videntes podem lê-los como em um livro. 

O psicômetra é, em suma, uma espécie de vidente, ou antes um indivíduo que tem, acordado, as faculdades e as percepções que o sonâmbulo só possui quando adormecido. 

Em lugar de milhares de anos, o psicômetra pode fazer-nos remontar a milhões de anos. Saberemos o que se passava nas épocas primárias, secundárias, etc.; a espada de um César ou de um conquistador muito poderá dizer-nos sobre o seu caráter. A psicometria, em diversos casos, poderá servir para a descoberta dos criminosos. Os restos de um indivíduo assassinado podem contar a sua história, pois se acham impregnados da influência dele. 

“O peixe – diz Denton – nada sabe do oceano aéreo em que anda o pássaro, e nós – apesar de todos os nossos famosos conhecimentos – quase nada sabemos do oceano do éter que nos cerca. Acredito que a psicometria não passa de um exercício das faculdades da alma e que é independente do corpo. O psicômetra vê, sem auxílio dos olhos materiais, quer o passado, quer o presente, tanto o que se acha próximo como o que está afastado; ouve sons que os ouvidos físicos não percebem e viaja sem ser pelos meios ordinários de locomoção. Entretanto, as numerosas dificuldades que encontramos em nossas experiências provaram-me que nos temos aproximado de um terreno desconhecido, mas que apenas o temos costeado.” 

Vê o psicômetra os objetos como nós os vemos? “Não inteiramente do mesmo modo – diz a Sra. Denton –. Em certos casos os objetos passam diante do observador com a rapidez do raio; só muito tempo depois eu soube que, por um esforço poderoso da vontade, era possível fixar esses quadros, os quais são reais como tudo o que vemos diariamente. Outras vezes os objetos parecem fixos, mas apenas certas partes deles são visíveis. Por momentos o psicômetra se acha transportado ao espaço e, movendo-se mais velozmente do que o vento, voa e sente-se desprendido de todo laço terrestre. 

É provável que este último efeito seja produzido por um desprendimento do corpo psíquico, que habitualmente só se verifica no sono ou no estado letárgico. 

Na sua mocidade, a Sra. Denton acreditava que se poderiam obter esses resultados comprimindo as pálpebras sobre os olhos, segundo lhe dizia sua mãe. Mais tarde verificou que a explicação era pueril e que esse gênero de efeitos bem se podia aproximar do que Aristóteles chamava ação interior do sentido da visão. 

Por uma sucessão de coincidências e experiências, o Sr. Denton e sua esposa foram levados a pensar que existia algum laço entre essas singulares visões e as realidades da vida exterior. Às vezes percebe-se como que o fac-símile de uma coisa familiar, porém o objeto pode também ser de todo diferente do que se viu ou conheceu. 

Nenhum anatomista sabe o que é o órgão visual ao redor, e bem embaraçado se veria para explicá-lo. 

É o sexto sentido, de que nos falam alguns ocultistas elevados, sentido que começa a desenvolver-se entre certos privilegiados das novas gerações. 

Haverá mesmo um sétimo sentido, que se desenvolverá em futuras raças. 

Voltemos à Sra. Denton. Entusiasmada com a descoberta do Dr. Buchanan, ela quis fazer experiências de acordo com as suas indicações. Uma tarde, no seu quarto, e na obscuridade, tomou ao acaso uma carta, entre muitas que se achavam em uma gaveta, e colocou-a sobre a fronte. Imediatamente viu o rosto e o busto da pessoa que a escrevera e mesmo o aposento em que se realizara esta operação. Depois, riscando um fósforo, verificou a exatidão da experiência. 

Embora praticáveis em pleno dia, estas experiências se tornam muito mais fáceis na obscuridade. O psicômetra pode desenvolver então inteiramente a sua visão interna, e as suas descrições são mais nítidas. Não são simples produtos de sua fantasia ou criação da sua imaginação. 

Eis um exemplo: Em 1872, o Sr. Denton colocou nas mãos de seu filho (de 12 anos de idade) um pedaço de cimento proveniente da casa de Salústio, em Pompéia. As descrições desse menino foram tanto mais surpreendentes quanto nada conhecia de Pompéia (nem por leitura, nem por qualquer outro modo) e, entretanto, o que disse dos seus habitantes, dos seus armazéns, das suas festas, da vida diária, do teatro, etc., era perfeitamente exato, segundo se reconheceu posteriormente. As experiências foram feitas com grandes intervalos, para evitar tanto quanto possível a transmissão dos pensamentos. 

No caso que passo a referir nem mesmo esta explicação poderá servir, pois a experiência teve por objeto um fóssil da ilha de Cuba. Colocado sobre a fronte da Sra. Denton, ela descreveu muito exatamente onde fora encontrado o fóssil, de que era (da época terciária), o que o cercava, a parte da ilha onde o tinham apanhado. 

O Sr. Denton nada sabia desse fóssil, que lhe fora dado como proveniente de Calabaial, o que indicava uma cidade hispano-americana, porém não uma cidade da ilha de Cuba, de preferência a qualquer outro lugar da América. 

Escrevendo a amigos seus, depois da experiência, o Sr. Denton obteve esclarecimentos que concordavam absolutamente com as descrições de sua esposa. 

De outra feita, no meio de mais de duzentos espécimes de todas as espécies, embrulhados em papel, o Sr. Denton tomou um ao acaso e colocou-o sobre a fronte de sua esposa, ignorando de qual se tratava. Mais tarde, abrindo o papel, o Sr. Denton leu sobre o espécime: Mosaico moderno – Roma. 

A descrição da Sra. Denton versara sobre o templo donde fora tirado esse mosaico. 

Reconheceu que não se tratava de pintura, porém de cores impressas nos materiais. 

É necessária a influência magnética para o fenômeno de psicometria? 

De modo algum – responde o Sr. Denton –; Esta influência nunca deve ser aceita pelo psicômetra, exceto em casos muito raros. 

Deve o olhar do psicômetra ser dirigido para o espaço ou para algum objeto donde pareceu emanarem as visões? Não – diz ainda o Sr. Denton –; o psicômetra não precisa de olhar os objetos. Em 90 casos sobre 100, vê muito mais do que pode descrever; ele não precisa de evocar visões; elas lhe chegam em multidão e como que dotadas de vida e movimento. 

O valor dessas visões depende sobretudo da habilidade do psicômetra em distinguir a natureza das duas influências ou da sua origem, de modo a se tornar ativo para uma influência e passivo para outras. 

A fim de provar que esses fenômenos não são pessoais ao Dr. Buchanan ou à família Denton, vou contar um caso referido pela Sra. Hardinge-Britten, esposa de um doutor inglês. 

Por volta de 1882, uma reunião de despedida se realizara na casa do coronel Kate, muito conhecido em Filadélfia. Um dos visitantes pediulhe permissão para apresentar um amigo que ninguém conhecia. 

No fim da reunião, esse cavalheiro disse que trouxera o seu amigo a fim de obter (se possível fosse um) a descrição psicométrica de um pequeno embrulho que tirou do bolso. Embora houvesse cerca de 60 pessoas presentes, seguiu-se a esse pedido um silêncio completo, até o momento em que a senhora a quem era oferecida aquela festa íntima lançou mão do embrulho. 

Ignorava-se que aquela senhora fosse psicômetra, pois desde muitos anos não exercitava esse dom. Movida por um impulso repentino, declarou que se sentia transportada a milhares de anos atrás, sobre as margens do Nilo, e descreveu bandos de egípcios inclinando-se diante de uma pedra alta e volumosa, cuja ponta era dirigida para o céu. Durante três quartos de hora falou de várias épocas, em que outras nações se haviam reunido aos egípcios para levantar da terra a elevada pedra, em cuja base se encontravam diversas medalhas semelhantes àquela que estava no embrulho. Disse em seguida que essa pedra fora transportada para fora do Egito e que se achava atualmente em uma doca. 

O cavalheiro informou então às pessoas presentes que o embrulho continha uma medalha, que mostrou, e que fora encontrada com muitas outras no Egito, debaixo da agulha de Cleópatra; que o Governo dos Estados Unidos acabava de comprá-la. Essa agulha se encontrava naquele momento em uma doca de Nova Iorque. 

O que mais espantou os assistentes não foi apenas a exatidão das descrições, porém o fato surpreendente de que a história do país, dos habitantes, do monólito, etc., estivesse também gravada nessa medalha de um modo por assim dizer oculto. Essa narrativa é garantida de modo absoluto pela Sra. Hardinge-Britten, que a publicou. 

Desde então, muitos psicômetras surgiram, tanto na Inglaterra como na América, e, como diz W. Denton: 

“A psicometria pode alargar o domínio de todas as ciências, porém os sábios a receberão a princípio com desconfiança, se não com hostilidade. 

Uma pedra das ruas ou dos muros de Jerusalém é como que uma biblioteca com a história do povo judeu. Os acontecimentos mais ignorados, dos tempos pré-históricos, podem ser por nós conhecidos e, para vê-los, basta abrirmos os nossos olhos psíquicos. Um pedaço de uma coluna de Babilônia pode pôr-nos ao corrente do que era a Assíria há 4.000 anos.” 

No seu curioso livro, Denton relata suas numerosas experiências, algumas das quais são realmente espantosas. 

Evidentemente, a psicometria é uma nova mina aberta aos pesquisadores, porém estou convencido de que os adeptos da rotina nos hão de falar em visões, auto-sugestões, transporte de pensamentos, enfim dedilharão toda a lira científica, de preferência a confessar que existem coisas que eles ignoram. 

 i Em Londres há diversos, que prestam grandes serviços.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

SÍNTESE DOS PRINCÍPIOS DOUTRINÁRIOS DO ESPIRITISMO

O Universo inteiro, no mínimo e no máximo, está sujeito a uma evolução constante e progressiva.

Há evolução para o Princípio material; há evolução para o Princípio psíquico.

A base da evolução, a Alma é um simples elemento de vida, uma inteligência em germe. É a força difusa que associa e mantém as moléculas minerais numa forma definida.

No cimo da evolução, a Alma é um Princípio vivo, consciente e livre, guardando apenas, da sua associação à matéria, o mínimo orgânico necessário à conservação da sua individualidade.

No curso da sua evolução progressiva, a Alma passa por organismos cada vez mais aperfeiçoados, numa série imensa de encarnações e desencarnações.

A memória dos estados precedentes fica mais ou menos latente, durante cada encarnação, para reaparecer após a morte, tanto mais extensa quanto mais evoluído for o indivíduo.

A Alma conserva intacta a sua individualidade, mercê da sua união indissolúvel com o organismo fluídico, chamado CORPO ASTRAL ou PERISPÍRITO, que evolui com ela.

O PERISPÍRITO é o Princípio intermediário entre a matéria e o Espírito, cuja finalidade é tríplice:

- Manter indestrutível e intacta a individualidade;
- Servir de substrato ao corpo físico durante a encarnação;
- Constituir o laço de união entre o Espírito e o corpo físico, para a transmissão recíproca das sensações de um e das ordens do outro.

Na morte natural o Espírito abandona o corpo por este lhe ser inútil à sua evolução.

No nascimento, o Espírito toma posse de um organismo novo para dar continuidade ao seu progresso.

Durante as fases da vida espiritual, o Espírito pode manifestar-se, em certas condições, cujo estudo é o objeto do Espiritismo experimental.

Dr. Gustave Geley
Médico e antigo Diretor do Instituto Metapsíquico de Paris.

Desencarnou em 1943 em acidente aéreo.

quinta-feira, 5 de julho de 2018

PSICANÁLISE E ESPIRITISMO

Por Leonardo Paixão (*)

A Psicanálise é uma ciência surgida no século XX, especialmente com a edição do livro de Freud "A  Interpretação dos Sonhos" que saiu em 1900. Obviamente, o fundador da Psicanálise, Sigmund Freud, escreveu antes do ano 1900 artigos e livros como o de parceria com o Dr. Joseph Breuer - Estudos sobre a Histeria (**) - onde iniciou seus estudos sobre o inconsciente a partir de experiências em uma paciente histérica, Anna O. (Berta Parpenhheimme) através da hipnose. Com estas experiências, Freud utilizou a hipnose em sua forma catártica. Aqui foi Freud adentrando mais intensamente no mundo do inconsciente.

Teorias sobre o inconsciente haviam surgido já, tanto nas obras do alemão Franz Hartmman,  quanto na do francês Pierre Janet em sua célebre obra "O Automatismo Psicológico", obras estas utilizadas por cientistas dos mais diversos campos para explicar os fenômenos mediúnicos e assim tombar a teoria espírita.

Allan Kardec em seu tempo não teve acesso às teorias do inconsciente, na Introdução de "O Livro dos Espíritos" é que ele fala sobre teorias que nos remetem a fenômenos que se poderiam dizer do inconsciente, como a teoria reflexiva e a sonambúlica. Na primeira, o médium seria um reflexo das ideias dos assistentes e na sonambúlica, o médium poderia haurir seus conhecimentos a quilômetros de distância. Kardec contradita estas teorias com argumentos que estas duas teorias não dão respostas, como o fato de se o médium é um reflexo dos conhecimentos dos assistentes, como ele pode falar em idioma que todos os presentes desconhecem? E como ele poderia haurir conhecimentos a quilômetros de distância, até em outros planetas quando há explicação muito mais prática e que, segundo Kardec, fala à razão, que é a comunicação dos Espíritos e também porque o sonâmbulo falando por ele mesmo, ora daria palavras cultas e ora grosseiras, obscenas mesmo? 

"O Livro dos Espíritos", saído a 18 de Abril de 1857 e tendo em sua 2. edição sua roupagem definitiva em 1860, avançou em suas pesquisas e  em 15 de Janeiro de 1861 dava a público "O Livro dos Médiuns", onde na Segunda Parte, nos capítulos XIX, XX e XXI, tratará "Do papel dos médiuns nas comunicações espíritas"; "Da influência do médium"; "Da influência do meio". Há quem sem maiores conhecimentos sobre o conceito de inconsciente na Psicanálise, afirme que antes de Freud, Kardec já havia estudado o inconsciente, esta porém, é uma afirmação completamente infundada, basta a observação quanto à diferença do objeto estudado por um e por outro. Enquanto Kardec pesquisou até que ponto os conhecimentos atuais ou anteriores (de existências passadas) influenciavam as comunicações espíritas e também a moral, o caráter do médium, Freud pesquisou a influência do inconsciente no próprio indivíduo, derivando daí conflitos, complexos, neurose-obsessiva, histeria, fobias, etc...
Para Kardec o objeto estudado não é, no caso dos fenômenos mediúnicos, o sujeito em si e sim o que poderão os conhecimentos do indivíduo em tal ou ou qual assunto, afetar, interferir, mesclar-se às comunicações mediúnicas que por ele surjam. Aqui não se tem movimento intenso em busca dos processos inconscientes quanto ao sujeito em si mesmo.

Freud ao pesquisar o inconsciente trouxe vários conceitos como o recalque, a censura, a repressão, o Id, o Ego e o Super Ego,  o ato falho, o chiste, complexo de Édipo, narcisismo, diferenciou neurose, psicose, perversão.

O espírita que em não conhecendo as teorias psicanalíticas poderá cair em erro e é o que frequentemente acontece, ao se referir aos conceitos freudianos. Daremos aqui em resumo o significado das expressões por nós aqui postas e que são próprias à psicanalise.

Recalque - um desprazer que se teve.

Censura - o Ego.

Repressão - Super-Ego (é como um "pai" a dizer: "não faça isso", "não pode fazer isso").

Id - "Seria essa parte ligada aos nossos instintos. De maneira simplificada, ele é simplesmente voltado ao prazer, à libido, às nossas paixões e impulsos primitivos. Se nosso cérebro fosse composto apenas por este reservatório de energia da psique, seríamos basicamente, selvagens!".

Super-Ego - "é a parte da psique que te controla e regula a partir de todos os padrões e normas sociais vigentes. Por isso, ele é desenvolvido de acordo com as noções de moral da sociedade e época em que vivemos.

Ego - "é a divisão que fica no meio de tudo isso, tentando nos equilibrar e criando harmonia em nossa personalidade sempre. Ele tenta suprir as exigências do Id de forma moral e "barrar" tudo aquilo que não seria aceito pelas normas e padrões que nos são impostos, ou seja, tudo aquilo que o Superego nos traz. Sendo assim, o Ego é a nossa personalidade desenvolvida em si e também a nossa parte racional".

Atos falhos - erros em nossos diálogos ou memórias que parecem dizer aquilo que sempre desejamos, mas nunca tivemos coragem de admitir ou liberdade para, de fato, poder expressar.

Chiste - vulgarmente se diz: "brincando que se diz muitas coisas que se quer dizer". Em Psicanálise investiga-se o que nas anedotas, brincadeiras, enfim, nos chistes, se quer dizer e que não está dito claramente.

Complexo de Édipo - baseado no mito grego de Édipo onde se fala do apaixonamento do filho em sua primeira infância pela mãe e da filha por seu pai, obviamente que neste espaço não podemos dissertar sobre este conceito central da Psicanálise.

Narcisismo - o sujeito tem a si mesmo por objeto de desejo em uma condição exacerbada.

Inconsciente - para a Psicanálise, o inconsciente é constituído na primeira infância e o que é desprazer vai para o inconsciente.

 "(...) o inconsciente é um saber no qual o sujeito pode se decifrar. É a definição de sujeito que aqui dou. Do sujeito tal como o constitui o inconsciente".
Jacques Lacan (Seminário).

Colocando aqui estes conceitos da Psicanálise, desejamos expressar a total diferença entre o objeto de estudo de Kardec e o de Freud, assim como também esperamos contribuir aos interessados em aprofundarem-se nestes temas da psique humana, que busquem ampliar seus conhecimentos no ramo e também aos espíritas que, a partir destes conhecimentos, possam perceberem-se como seres singulares e vivenciar o autoconhecimento enquanto seres de desejo e assim também não estarem a culpabilizar obsessões e obsessores por conflitos surgidos nos agrupamentos que frequentam, esquecendo-se da fala própria aos espíritas: "Só há obsessores porque há obsidiados".

Que em nos conhecendo possamos dignificar a obra a que nos propomos: nossa renovação moral.

Campos, RJ, 24/11/2017.

(*) Leonardo Paixão é trabalhador espírita em Campos dos Goytacazes, RJ, Dirigente do Grupo Espírita Semeadores da Paz. Profissionalmente é Psicanalista.

(**) Parte destes estudos foram reproduzidos no livro "A Personalidade Humana", de Frederic Myers (estudioso dos fenômenos psíquicos).