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quarta-feira, 13 de junho de 2018

SUGESTÃO MENTAL

Hernâni Guimarães Andrade
Revista de Espiritismo nr. 31 - Abril/JunhoOutubro 1996
«A acção do pensamento de um indivíduo sobre o outro é ainda um fenómeno inexplicável, mas o nosso pensamento comunica-se pela palavra, pelos gestos, isto é, pelo som, pela luz. Quem sabe se as modificações da nossa alma não podem tornar-se sensíveis por outros meios? A que se prende este sentimento inerente à natureza humana, que nos faz desejar que um amigo ausente se ocupe connosco?». (1)
Praticamente não há diferença essencial entre as expressões telepatia, sugestão mental, transmissão de pensamento, e outras mais. Todas elas sugerem a possibilidade de influência directa de uma mente sobre outra, sem a intervenção dos meios normais e físicos de comunicação. Esta influência poderá dar-se de dois modos:
  1. uma mente projecta um pensamento direccionado, de maneira a provocar uma influência em outra ou várias mentes capazes de receber passivamente o pensamento enviado;
  2. uma mente capta de uma outra mente um dado pensamento, sem que, necessariamente, haja intenção ou esforço para sua transmissão por parte do emissor.
De qualquer forma, na telepatia, ambas as operações devem ocorrer, pois sempre há o emissor e o receptor. Mas quando se particulariza a expressão "sugestão mental", deve observar-se uma ligeira diferença. Deve pensar-se na possibilidade de uma mente mais poderosa impor activamente o seu pensamento a uma outra que se submete passivamente àquela influência. Naturalmente é indispensável acrescentar que estamos a referir-nos, ainda, à transmissão sob forma telepática, isto é, sem o emprego dos meios normais de comunicação.
A palavra telepatia foi inventada por F. W. H. Myers, em 1882. Naquela ocasião, Myers, Edmund Gurney, Henri Sidgwick, e o professor W. F. Barret investigaram as possibilidades da transmissão do pensamento. A significação dada por eles era: "uma coincidência entre os pensamentos de duas pessoas, que requer uma explicação causal". Foi definida como "transmissão de pensamento independentemente dos reconhecidos canais dos sentidos". Etimologicamente, a palavra telepatia é formada pela fusão de dois vocábulos gregos: telê = ao longe; pathós = influência. Todavia não se conhecem os mecanismos da transmissão telepática. Não se sabe que espécie de onda, ou partícula elementar, responde pela comunicação entre as duas mentes — ou cérebros — das pessoas implicadas numa operação telepática. Foi justamente o interesse em conhecer os processos envolvidos em tal fenómeno que deu origem às investigações em torno da "sugestão mental". Em boa parte, a possibilidade de tal investigação resultou dos fenómenos telepáticos observados durante a hipnose. Outra fonte de pesquisa foram as ocorrências de avisos de morte, comunicações telepáticas espontâneas em casos dramáticos ou mesmo banais, mas com significância para certas pessoas.
Vamos, inicialmente, focalizar a área concernente aos fenómenos telepáticos ligados à hipnose e assinalados inicialmente pelos magnetizadores e hipnotizadores. Estes fenómenos dependiam do estado de rapport descoberto pelos mesmeristas, durante o qual podiam assinalar-se a transmissão de pensamentos, emoções, sintomas mórbidos, etc. Ainda, actualmente, em grupos espiritualistas, nas clínicas onde se acolhem práticas mesméricas, ou algo equivalente, podem registar-se fenómenos do tipo telepático, durante os quais os médiuns — ou sensitivos — "captam" os sintomas dos pacientes em tratamento. Mas observou-se, também, que havia possibilidade de o hipnotizador "enviar" ordens mentais a determinado paciente, levando-o a cumprir sugestões mentais assim transmitidas. Algumas dessas sugestões mentais eram captadas pelo paciente situado a grande distância do hipnotizador.
Paracelso (1493-1541) já escrevera: "Pelo mágico poder da vontade, uma pessoa deste lado do oceano pode fazer uma pessoa no outro lado ouvir o que é dito neste lugar... o corpo etérico de um homem pode conhecer o que outro homem pensa, à distância de 100 milhas ou mais". (2) Ele teria afirmado: "É possível que meu espírito, sem o auxílio do meu corpo e por meio de uma ardente vontade exclusivamente, e sem uma espada, possa perfurar e ferir outras pessoas. É também possível que eu consiga trazer o espírito de meu adversário para dentro de uma imagem e então envolvê-lo ou estropiá-lo ao meu belo prazer" (3)
A acção da mente à distância, seja sobre outra mente seja sobre a matéria, sempre foi admitida em todos os tempos e lugares. Encontra-se esta crença ao longo da história e entre todos os povos, selvagens ou civilizados. Deve, portanto, existir uma razão para semelhante ideia assim tão generalizada. Alguns investigadores procuraram certificar-se da realidade da "sugestão mental", e obtiveram resultados que a confirmaram.

Um investigador à procura dos factos

O doutor Julian Ochorowicz (1850 - 1918), psicólogo e filósofo polaco, lente de Psicologia e Filosofia na Universidade de Lemberg, co-director desde 1907 do Institut Général Psychologique de Paris, foi um dos mais ilustres e competentes investigadores da "sugestão mental". A sua obra, A Sugestão Mental, é um clássico da literatura parapsicológica. Nela o doutor Ochorowicz faz extenso e minucioso relato das suas investigações acerca dos fenómenos de telepatia. O seu trabalho divide-se em diversas secções conforme as diferentes modalidades de telepatia por ele encontradas em sua extensa experiência pessoal. Vamos enumerar algumas delas: Sugestão mental aparente; sugestão mental provável; sugestão mental verdadeira; simpatismo orgânico; simpatismo e contágio; transmissão dos estados emotivos; transmissão das ideias; transmissão directa da vontade; acção da vontade e a questão da "relação"; acção sem que o sonâmbulo saiba, ou contra a sua vontade; sugestão mental a prazo; sugestão mental à distância. Infelizmente é impossível tratar de todas estas modalidades em tão curto espaço, mas faremos o possível para expor pelo menos alguns exemplos interessantes.
Ochorowicz, no cap. I do seu livro, confessa que inicialmente não acreditava na "sugestão mental". Em 1867, em Lublin, pela primeira vez Ochorowicz experimentou verificar a sugestão mental com um rapaz de 17 anos, assaz difícil de adormecer, mas que manifestava, depois de hipnotizado, certos fenómenos curiosos. Ele reconhecia, por exemplo, qualquer pessoa de suas relações que apenas lhe tocasse nas costas com um só dedo. Deste modo ele conseguiu, certa ocasião, distinguir sucessivamente 15 pessoas, algumas das quais haviam entrado na sala depois de estar ele adormecido. Certa ocasião, aconteceu-lhe identificar uma senhora que penetrava na sala sem que ele soubesse e a qual vira pela primeira vez alguns dias antes. Estes factos, porém, não convenceram Ochorowicz; nem outros mais evidentes ainda, ocorridos com o mesmo sonâmbulo. Ele buscava factos realmente inexplicáveis. Seu cepticismo era muito acentuado e sua exigência neste sentido muito grande. Ochorowicz procurou investigar mais outros casos e terminou por encontrá-los.
O primeiro caso que ele classificou de "sugestão mental verdadeira" ocorreu ocasionalmente com uma sua paciente.

Sugestão mental verdadeira

Em 25 de Janeiro de 1886, J. Ochorowicz comunicou à Sociedade de Psicologia Fisiológica de Lemberg um relato de suas observações e experiências de "sugestão mental à distância" levadas a efeito com a srª. M., de 27 anos de idade. Em Agosto de 1886, foram publicados alguns excertos dessas experiências.
A srª. M. era cliente do doutor Ochorowicz. Tratava-se de uma mulher jovem, aparentemente forte, bem constituída e de saúde perfeita. Porém, esta senhora sofria, há algum tempo, de uma histero-epilepsia, agravada, mais tarde, por acessos de mania de suicídio.
Uma noite, após tê-la assistido durante um dos seus ataques e declarando-se ela melhor, a seu próprio pedido o doutor Ochorowicz resolveu retirar-se. Ficara apenas uma amiga da srª. M. Apesar de vê-la bem disposta, o doutor Ochorowicz desceu lentamente as escadas (ela morava no terceiro andar), detendo-se várias vezes com o ouvido à escuta, perturbado por um mau pressentimento. Chegado ao portão deteve-se mais uma vez. De repente, a janela abriu-se com ruído, e ele viu o corpo da srª. M. inclinar-se para fora. Ele precipitou-se para o lugar onde ela devia cair. Maquinalmente, concentrou a sua vontade no intuito de opor-se à sua queda. A doente, já inclinada, deteve-se e recuou lentamente por sacudidelas.
A mesma manobra repetiu-se cinco vezes seguidas. Finalmente a doente, como que fatigada, imobilizou-se, encostando-se no parapeito da janela.
Ela não poderia ter visto o doutor Ochorowicz, porque era noite e ele achava-se na parte não iluminada. Naquele momento, a amiga que ficara com a srª. M. acudiu e agarrou-a pelos braços, lutando para afastá-la dali. O doutor Ochorowicz subiu as escadas rapidamente e encontrou a doente num acesso de loucura. Depois de muita luta, foi conduzida ao leito e posta em estado sonambúlico. Uma vez em sonambulismo ela revelou que era seu intuito atirar-se mesmo pela janela, mas que naquele momento, cada vez que tentara fazê-lo, uma força a "reerguera por baixo". Não suspeitava que o médico ainda estivesse presente. Aproveitara, então, a ocasião para tentar o suicídio: "Entretanto pareceu-me por momentos que estáveis ao meu lado ou por detrás de mim e que não queríeis que eu caísse" — disse ela ao doutor Ochorowicz.
Este incidente levou o médico a experimentar com a srª. M. a "sugestão mental à distância". Ele costumava adormecê-la de dois em dois dias. Era a rotina do seu tratamento. Durante esses momentos ele observava-a e tomava notas em seu memorial.
Dia 2 de Dezembro de 1885, Ochorowicz tinha a sua paciente adormecida. Ele encontrava-se a certa distância da sua cama e fingia tomar notas em seu caderno. Porém, interiormente, concentrava sua vontade sobre uma ordem mental dada: "erga a mão direita" — 1º minuto: acção nula; 2º minuto: uma agitação na mão direita; 3º minuto: a agitação aumenta, a doente franze as sobrancelhas e ergue a mão direita!
Animado por este sucesso, o médico deu-lhe outra ordem mental: "Levante-se lentamente com dificuldade e vá até ele, com a mão estendida"!
E assim, sucessivamente, Ochorowicz conseguiu que sua paciente obedecesse, com êxito, a várias ordens mentais. Em algumas ocasiões as ordens mentais não eram atendidas imediatamente, e a paciente parecia embaraçar-se ao cumpri-las. Todas as ordens mentais eram dadas silenciosamente e sem gestos.
Ochorowicz relatou ao todo 14 sessões levadas a efeito de 2 de Dezembro de 1885 a 5 de Fevereiro de 1886, durante as quais ele fez um número enorme de experiências de sugestão mental, com grande êxito e com a mesma srª. M.
Ochorowicz teve a oportunidade de registar outros casos semelhantes ocorridos com diversas pacientes tratadas por ele em sua clínica normal. Naquela época, estava muito em voga o hipnotismo, e grande número de psiquiatras usava-o correntemente e com êxito no tratamento das moléstias nervosas. Hoje em dia, infelizmente, generalizou-se o uso de drogas...

As experiências no Havre

Julian Ochorowicz tomou conhecimento através de uma conferência das experiências de sugestão mental à distância que os doutores Pierre Janet e Gibert haviam feito com a srª. Léonie, no Havre. No mês de Novembro de 1885, o doutor Paul Janet, tio do doutor Pierre Janet, leu perante a Sociedade de Psicologia Fisiológica uma comunicação do seu sobrinho, o doutor Pierre Janet, que era professor de Filosofia no Liceu do Havre. A sua tese levava um título um tanto vago: "Sobre alguns fenómenos de sonambulismo". Porém, o conteúdo da tese encerrava assunto muito grave, pois colidia com a posição fisiologista que já imperava em amplos sectores das escolas psicológicas. O nome da Sociedade de Psicologia Fisiológica faz presumir que o título da tese foi propositadamente vago para lá ter entrada. Entretanto, tratava-se de uma série de observações feitas sobre factos que evidenciavam não só a existência de fenómenos de "sugestão mental" em geral, mas, o que era mais extraordinário, de "sugestão mental à distância de alguns quilómetros e sem que o paciente o soubesse!".
O comunicado de Pierre Janet certamente provocou um impacto na assistência. O auditório, conforme declarou o doutor Ochorowicz, "prestou a isto a maior atenção, não sem uma grande dose de incredulidade. O sr. Janet absteve-se de qualquer teoria; somente relatava os factos, devia crer-se ou não. A comunicação ouvida em silêncio, foi em seguida passada sob silêncio, salvo algumas considerações de um carácter mui geral, formuladas pelo sr. Charcot, nosso presidente".(4)
Ochorowicz já houvera feito inúmeras experiências de "sugestão mental", mas a curta distância, achando-se o paciente sob acção hipnótica, como no caso da srª. M. Em outra ocasião uma nova paciente. A srª. B. estava desperta, mas achava-se a pequena distância e apenas executou algumas ordens mentais em estado de vigília. Porém, os doutores Pierre Janet e Gibert foram bem sucedidos, adormecendo o paciente à distância e dando-lhe ordens mentais que foram obedecidas. O caso interessou vivamente Ochorowicz:
"Eis o que me pareceu estranho" — diz ele — "É este último fenómeno que eu queria verificar desde logo, reconhecendo o seu valor por uma teoria de sugestão e pelo problema do magnetismo em geral. É evidente que uma semelhante constatação seria a morte da teoria exclusiva do hipnotismo contemporâneo, que se gabava de ser o sucessor legítimo do extinto magnetismo animal, e que não deveria de ora em diante ocupar senão um lugar mui modesto ao lado do seu predecessor. (...)". (5)
Interessado em obter pessoalmente, uma confirmação ou negação dos factos relatados pelos doutores Janet e Gibert, Ochorowicz dirigiu-se ao Havre, acompanhado de alguns colegas entre eles o famoso investigador, F. W. H. Myers, que naquela época estava em plena actividade em busca de fenómenos de telepatia. Myers fez constar o episódio do Havre em sua obra clássica Human Personality and its Survival of Bodily Death (6). Os outros observadores eram o professor Paul Janet, doutores Jules Janet e A. T. Myers (irmão de F. W. H. Myers) e o sr. Marillier.
Entre 3 e 9 de Outubro de 1885 puderam estes senhores observar inúmeras vezes a srª. Léonie ser hipnotizada à distância de mais de dois quilómetros e receber ordens mentais como, por exemplo, sair à rua e ir até ao consultório dos doutores Janet e Gibert.
Estes factos colocam a hipnose numa nova categoria de fenómenos e, em parte, restabelece as antigas hipóteses do "magnetismo animal", muito embora não invalidem as hipóteses de Pavlov. Apenas elas sugerem que, ao lado das bases fisiológicas do fenómeno da hipnose, deve cogitar-se da possibilidade de existir algo, ainda não bem conhecido, capaz de provocar a inibição cortical e accionar o paciente, levando-o a obedecer a determinadas ordens telepáticas emanadas do operador.

Conclusão

Mesmer e Puységur redescobriram algo já há muito conhecido dos sacerdotes, sábios, magos e iluminados antigos e que ainda permanece mal conhecido dos cientistas contemporâneos. Os modernos hipnologistas, até agora, apenas tocaram as orlas empíricas dos defeitos e dos fenómenos tangíveis do hipnotismo. Suas leis mais profundas ainda estão para ser desvendadas.
No próximo número iremos falar a respeito das experiências de L. L. Vasiliev, bem como de outras pesquisas que se fazem no sentido de sondar o estranho fenómeno de interconexão que parece achar-se na base da nossa realidade existencial.

Bibliografia

(1) Deleuze - «Histoire Critique», etc., Paris, 1813, t. II, p. 327).
(2) Fodor, N. - Encyclopaedia of Psychic Science, USA: University Books, 1974, p. 384).
(3) Spence, L. - An Encyclopaedia of Occultism, Secaucus, N.J.: The Citadel Press, 1974, p. 315).
(4) Ochorowicz, J. - A Sugestão Mental, trad. J. L. Souza - Rio de Janeiro: H. Garnier, 1903, p. 123).
(5) Opus cit. P. 123).
(6) New Hyde Park, N. Y.: University Books, 1961, pp. 140-142).

Hernâni Guimarães Andrade é Engenheiro

quarta-feira, 14 de março de 2018

FIDELIDADE

" Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim" - Jesus - Mateus, 24: 46.

O servidor e discípulo fiel ao Evangelho do Senhor, não se negará ao serviço havendo esta ou aquela dificuldade no caminho.

Nos círculos do Espiritismo-Cristão, adverte-se sempre que "só leva pedrada a árvore que produz bons frutos". Isto se refere, justamente às dores, padecimentos morais que, não raro, partem com maior intensidade de companheiros mesmo de Ideal.

Manter-se firme no trabalho, mantendo o hábito diário da oração e do trabalho ativo em prol do próximo necessitado, deve ser o roteiro do trabalhador cristão que há de ser o espelho redivivo dos "irmãos do Caminho" - os cristãos de outrora - assim irradiando a Luz e a Presença do Cristo na vida de todos nós. 

Que não nos iludamos com departamentos e instituições repletas, façamos o trabalho do Evangelho - este o nosso chamado.

Alberto, guia do médium
(Página recebida pelo médium Leonardo Paixão em reunião de Tratamento Magnético no dia 06/03/2018 no Grupo Espírita Semeadores da Paz, Campos, RJ).

quarta-feira, 7 de março de 2018

ARTIGO: EVANGELHO E DOUTRINA

EVANGELHO E DOUTRINA
Por Leonardo Paixão (*)

"Assim procedemos, porém, ponderando que, num _colar de pérolas_ , cada qual tem valor específico e que, no imenso conjunto de ensinamentos da Boa Nova, cada conceito do Cristo ou de seus colaboradores diretos adapta-se a determinada situação do Espírito, nas estradas da vida" (XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, Verdade e Vida. Pelo Espírito Emmanuel. 20. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2001. Prefácio. p. 14).

Deste trecho das justificativas do Espírito Emmanuel para a sua primeira obra de interpretação profunda das passagens evangélicas, citando versículos isolados, vejamos o que nos diz um estudioso das letras evangélicas sobre a expressão "colar de pérolas" usada por Emmanuel.

"Dentre os inúmeros métodos de interpretação encontrados no _Midraxe_ (compêndio de exegese judaica), a harizah (colar em pérolas) ocupa um lugar privilegiado, já que é utilizada pelos mestres hebreus toda vez que desejam ensinar à comunidade um ponto importante da fé de Israel, difícil de ser apreendido pela leitura puramente literal do texto bíblico.
Selecionamos um texto da tradição judaica que descreve a _harizah,_ demonstrando a sua importância como técnica de estudos das Escrituras:
'Quando faziam colares das palavras da Torah aos profetas, e dos Profetas aos Escritos, o fogo flamejava em torno deles e as palavras tornavam-se jubilosas, como quando foram pronunciadas no Sinai: quando pronunciadas pela primeira vez no Sinai, foram dadas entre chamas, como foi dito: a montanha ardia em fogo, até as profundezas do céu. Ben Azai estava sentado e perscrutava a Escritura e o fogo flamejava em torno dele... Rabi Agiba aproximou-se e disse-lhe: Ouvi dizer que perscruta as Escrituras e o fogo flameja em torno de ti? Ele respondeu: Sim. Rabi Agiba perguntou:Acaso estudavas os segredos do carro de Ezequiel (Ez 1)? Ele respondeu: Não. Mas eu estava sentado e fazia um colar das palavras da Torah, passando da Torah aos Profetas e dos Profetas aos Escritos e as palavras mostravam-se alegres, como quando foram transmitidas no Sinai. E eram doces, como quando foram proferidas pela primeira vez, porque, ao serem dadas pela primeira vez, não foram dadas no fogo: E a montanha flamejava?' (Cântico Rabá 1, 10).

A narrativa do "fogo que flamejava" em torno dos Rabis que faziam o colar de versículos da Torah está presente em diversas fontes da tradição judaica, e traduz, sem dúvida, uma forte experiência espiritual vivida por aqueles anciãos que, pela intuição, alcançaram aquilo que faz a Escritura ser una e coerente - seu sentido espiritual" (DIAS, Haroldo Dutra. Parábolas de Jesus: Texto e Contexto. Curitiba: Federação Espírita do Paraná, 2011. p. 17.

Kardec na Introdução de "O Evangelho segundo o Espiritismo", item III - Notícias Históricas deixa claro que:

"Para bem se compreenderem algumas passagens dos Evangelhos, necessário se faz conhecer o valor de muitas palavras neles  frequentemente empregadas e que caracterizam o estado dos costumes e da sociedade judia daquela época. Já não tendo para nós o mesmo sentido, essas palavras foram com frequência mal-interpretadas, causando isso uma espécie de incerteza. A inteligência da significação delas explica, ao demais, o verdadeiro sentido de certas máximas que, à primeira vista, parecem singulares".

No capítulo IV de "O Evangelho segundo o Espiritismo", Kardec esclarece que a reencarnação fazia parte dos dogmas dos judeus sob o nome de ressurreição. Cita, ainda, o Evangelho segundo Mateus (11: 12-15) que diz: "Se quiserdes compreender o que vos digo, ele mesmo é o Elias que há de vir".

E, para se deixar claro que está nesta passagem se tratando de reencarnação mesmo, vejamos as palavras de irmãos da crença judaica: "Pouquíssimas pessoas sabem que a _Reencarnação_ é, antes de tudo, _crença judaica_, e se está no Judaísmo teria que estar no Tanách [Bíblia judaica]" - Avraham Avdam Ben Avraham Corrêa, no Prefácio ao livro "Analisando as Traduções Bíblicas", de Severino Celestino da Silva.

O Rabino Rafael Shammah diz: "Toda pessoa vem ao mundo com uma meta específica que deve alcançar em sua vida. Se o homem não terminar sua missão, voltará em outra encarnação. Como não sabemos exatamente qual a meta de cada um, nos guiamos pelo objetivo comum a todos que é fazer o bem através de Torá [Lei] e Mitsvôt [boas ações]. Esta é a missão que nos cabe a todos os Iehudim [Judeus], e devemos nos esforçar ao máximo para cumpri-la da melhor forma". "Pensamentos", p. 1.

Diante destes esclarecimentos e das palavras de O Espírito da Verdade no Prefácio de "O Evangelho segundo o Espiritismo": "Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos", é que vemos o quão importante é para o espírita o se debruçar nos estudos das Sagradas Escrituras, no caso a Bíblia Cristã.

Campos dos Goytacazes, 07/03/2018.

(*) Leonardo Paixão é trabalhador espírita em Campos dos Goytacazes, RJ, colaborando com amigos de Ideal no Grupo Espírita Semeadores da Paz.

sábado, 2 de dezembro de 2017

MEDIUNIDADE RESPONSAVEL

Allan Kardec ao descortinar o Mundo Invisível, não o fez sem que o raciocínio apurado estivesse a frente de suas pesquisas e nem sem que o Evangelho do Cristo fundamentasse a Sua Obra!

Médiuns!

Vossa responsabilidade e imensa!

Vossa caminhada não oferece flores por toda a estrada;

Vosso compromisso e gravíssimo;

Olhai para dentro de vos sempre;

Calai ante as criticas e o falatório desarrazoado;

Zelai pela correção doutrinaria não abrindo campo as investidas dos inimigos desencarnados da Doutrina que desejam imiscuir nos Centros do Espiritismo-Cristão, praticas que nada tem a ver com a simplicidade e pureza do Evangelho;

Acatai as orientações dos Benfeitores da Humanidade que deixaram suas Instruções através de varias mãos que, em conjunto com o Codificador trabalharam na Restauração do Cristianismo;

Disciplinai-vos em vossas reuniões, evitando conversações ruidosas no período anterior e também no posterior ao trabalho que se inicia antes e não termina apos o horário estabelecido para o fechamento da reunião no Plano Físico, Benfeitores vos aguardam para a sua continuidade no Plano Astral;

Buscai conduzir-vos no equilíbrio e, para isso, não esqueçais de orardes diariamente pelos irmãos sofredores que por vos mesmos e por companheiros outros trouxeram suas dores vivas para serem aliviadas;

Jesus vos aguarda por servidores fieis de Sua Vontade!

Dignifiquemo-nos para dignificarmos a Sua Obra!

Alberto, guia do médium
(Pagina recebida pelo médium Leonardo Paixão em reunião do Grupo Espírita Semeadores da Paz, Campos, RJ, no dia 20/11/2017).




quinta-feira, 30 de novembro de 2017

MENSAGEM DO ESPÍRITO BEZERRA DE MENEZES



Meus filhos!
Jesus conosco!

Além da noite brilha uma alvorada de Paz!

A Humanidade vive momentos de trevas, de caos, são as convulsões morais que Allan Kardec já antecipava no cap. XVIII - Sinais dos Tempos em sua obra "A Gênese - Os milagres e as predições segundo o Espiritismo".

A hora, meus filhos e filhas da Alma, é de testemunho. Não mais o testemunho de vossos próprios corpos, mas sim, os testemunhos de vossa coragem moral em não soçobrar ante as tempestades que se fazem e que se farão por ser movimento próprio à transformação que, mais que por fora, se faz no interior do homem.

Os Espíritos Benfeitores da Humanidade - aqueles mesmos que tertuliavam com Allan Kardec - estão atentos a este movimento de transição e contam com o não arrefecimento do ânimo dos discípulos de Jesus, que sois todos vós, a permanecerem em Sua Obra, deixando de lado visões pessoais em relação a tal ou qual assunto, bem como suscetibilidades próprias à personalidade que mais busca a própria satisfação do que o auxílio desinteressado ao outro.

Lembremos destas palavras do Cristo de Deus: "Meus discípulos serão reconhecidos por muito se amarem" - João, 13: 35.

Eis aí a força do Amor a tudo vencer, em nome de Deus.

Que Jesus e a Sua Mãe Santíssima nos abençoe e envolva em Sua Paz!

Bezerra de Menezes
(Página recebida pelo médium Leonardo Paixão em reunião pública do Grupo Espírita Semeadores da Paz, Campos, RJ, no dia 19/11/2017).

terça-feira, 31 de outubro de 2017

MENSAGEM DO ESPÍRITO ALBERTO

A Paz de Jesus conosco!

A Terra passa por momentos cruciais tanto em relação à sua transformação física quanto, especialmente, em relação à sua transformação moral que se faz em prol do homem pelo homem em si mesmo.

Estejamos preparados à luz do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo para que não sejamos pegos de surpresa diante do ladrão que não avisa hora nem dia que irá atacar - aqui o ladrão simboliza as tentações e a própria morte física em si mesma.

Estejamos atentos. Vigiemos e Oremos constantemente.

Alberto, guia do médium
(Página recebida pelo médium Leonardo Paixão em reunião de Tratamento Magnético no Grupo Espírita Semeadores da Paz, Campos, RJ, no dia 24/10/2017)