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terça-feira, 27 de junho de 2023

Considerando a Obsessão

Do livro Sementes de Vida Eterna, Espíritos Diversos, psicografia de Divaldo Pereira Franco. Cap. Conaiderando a Obsessão.

Considerando a obsessão
Autor: Manoel Philomeno de Miranda (Espírito).

"Com etiologia muito complexa, a alienação por obsessão continua sendo um dos mais terríveis flagícios para a Humanidade.

Não significando a morte o fim da vida, antes o inicio de nova expressão de comportamento, em que o ser eterno retorna ao Mundo Espiritual donde veio, a desencarnação liberta a consciência que jazia agrilhoada aos liames carnais, ora desarticulando, ora ampliando as percepções que melhor se fixaram nos painéis da mente, fazendo que o ser, agora livre do corpo físico, se revincule ou não aos sítios, pessoas ou aspirações que sustentou durante a vilegiatura carnal".


Comentário de Leonardo Paixão: 

É interessante ler o livro A Crise da Morte, de Ernesto Bozzano, em que há relatos de diversos Espíritos sobre seu estado após a morte. É uma obra que complementa a 2* Parte do livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec. A importância de ler estas obras é a de nos iniciarmos desde a Terra de como é a vida no pós-morte e de desmistificarmos as tradicionais compreensões de céu e de inferno.

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"O amor, por constituir alta aspiração do Espírito, mantêm-no em comunhão com os objetivos superiores que lhe representam sustento e estímulo, na marcha do progresso. Assim, também, o ódio e todo o seu séquito de paixões decorrentes do egoísmo e do orgulho, reatam os que romperam os grilhões da carne àqueles que foram motivo das suas aflições e angústias, especialmente se se permitiram guardar as idéias e reações negativas equivalentes.

Sutilmente a princípio, em delicado processo de hipnose, a idéia obsidente penetra a mente do futuro hóspede que, desguardado das reservas morais necessárias à manutenção de superior padrão vibratório, começa a dar guarida ao pensamento infeliz, incorporando-o às próprias concepções e traumas que vêm do passado, através de cujo comportamento cede lugar à manifestação ingrata e dominadora da alienação obsessiva.

Vezes outras, através do processo da agressividade violenta, com que a indução obsessiva desorganiza os registros mentais da alma encarnada, produz-se o doloroso e lamentável domínio que se transforma em subjugação de longo curso".

Comentário de Leonardo Paixão:

A técnica dos Espíritos obsessores para incutir uma ideia na pessoa visada é a de sutil hipnose que começa com um pensamento até que este se torne ideia fixa, conseguido esse primeiro propósito a ação obsessiva se faz com o tempo mais tenaz. Em meu livro Novas Reflexões Doutrinárias, no capítulo Pequeno Estudo sobre Técnica da Obsessão faço os seguintes esclarecimentos de como se dá a contaminação da mente do obsessor na mente do encarnado:

1 – A contaminação se dá pela impressão de ideias fixas na mente do obsidiado através de imagens mentais;


2 – Pelo períspirito: mantendo o do encarnado em seu mesmo padrão vibratório, para isso, incentivando os pensamentos licenciosos que derivam das imagens mentais, atuando especialmente através do sono, quando o encarnado, desprendido do corpo físico, é atraído para regiões onde dará vazão aos seus apetites sensuais e, em geral, também lhe são impressas palavras a título de senha que, quando acordado, ao ouvi-las ou captar-lhes as imagens (pode ser o nome de alguém ou a imagem de uma pessoa ou um objeto) lhe aflorarão os desejos...
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'Noutras oportunidades, inspirando sentimentos nefastos, latentes ou não no paciente desavisado, os desencarnados em desdita nele instalam o seu baixo teor vibratório, logrando produzir variadas distonias psíquicas e emocionais, que o atormentam e desgovernam, graças à inditosa dependência em que passa a exaurir-se, a expensas da vontade escravizante do hóspede que o encarcera e aflige...

Pululam por toda parte os vinculados gravemente às Entidades perturbadoras do Mundo Espiritual inferior.

Obsidiados, desse modo, sim, somos quase todos nós, em demorado trânsito pelas faixas das fixações tormentosas do passado, donde vimos para as sintonias superiores que buscamos.

Muito maior, portanto, do que se supõe, é o número dos que padecem de obsessões, na Terra.

Lamentavelmente, esse grande flagelo espiritual que se abate sobre os homens, e não apenas sobre eles, já que existem problemas obsessivos de várias expressões, como os de um encarnado sobre outro, de um desencarnado sobre outro, de um encarnado sobre um desencarnado e, genericamente, deste sobre aquele, não tem merecido dos cientistas nem dos religiosos o cuidado, o estudo, o tratamento que exige.

Antes, vinculados a preconceitos injustificáveis, os cientistas e religiosos se entregavam à indiferença, quando não à perseguição sistemática aos portadores de obsessões, acreditando que, ao destruírem as vítimas de tão grave enfermidade, aniquilavam a ignorada causa do problema...

Aliás, ainda hoje, a situação. é idêntica, variando, apenas, na forma de encarar a questão".

Comentário de Leonardo Paixão:

Eeste último parágrafo "Aliás, ainda hoje, (...)" é confirmado em leituras como do livro O Exorcista do Vaticano, onde o Padre Gabriele Amorth coloca sobre as ações doa "demônios" (Espíritos obsessores), entretanto, apesar do estudo aprofundado sobre os efeitos, ainda se colocam as fórmulas de orações específicas e o uso de elementos da antiga magia por meios indispensáveis à cura, deixando de lado a questão mais importante e que traz real efeito sobre o Espírito obsessor a quem a ele fala: a autoridade moral. Ver a qiestão 477 do tópico Possessos em O Livro dos Espíritos. Precisamos também atentar para a questão 479 de O Livro dos Espíritos: "A prece é meio eficiente para a cura das obsessões? R. - A prece é em tudo um poderoso auxílio.  Mas, crede que nâo basta que alguém murmure algumas palavras, para que obtenha o que deseja. Deus assiste os que obram, não os que se limitam a pedir. É, pois, indispensável que o obsidiado faça, por sua parte, o que se torne necessário para destruir em si mesmo a causa da atração dos maus Espíritos ". (Grifei).

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'Mesmo as modernas Ciências, que se preocupam em conhecer profundamente a psique humana, colocam, a priori, os problemas obsessivos à margem, situando-os em posições muito simplistas, já que os seus pesquisadores se encontram atados a raciocínios e conclusões de fisiologistas e psicólogos do século passado, que se diziam livres de qualquer vinculação com a alma...

Repontam, é verdade, aqui e ali, esforços individuais, tentando formular respostas claras e objetivas às tormentosas interrogações da afligente quão severa problemática, logrando admitir a possibilidade da interferência da mente desencarnada sobre o deambulante do escafandro orgânico.

Terapêutica salutar, porém, para a magna questão, é a Doutrina Espírita. Não apenas como profilaxia, mas, ainda, como terapêutica eficiente, por assentar as suas lições e postulados nos sublimes ensinamentos de Jesus-Cristo, com toda a justiça cognominado “O Senhor dos Espíritos”, graças à sua ascendência, várias vezes demonstrada, ante as Entidades ignorantes, perturbadoras e obsessoras.

A Allan Kardec, o ínclito Codificador do Espiritismo, coube a tarefa de aprofundar sondas e bisturis no organismo e na etiologia das alienações por obsessão, projetando luz, meridiana sobre a intricada enfermidade da alma. Kardec não somente estudou a problemática obsessiva, como também ofereceu medidas profiláticas e terapêutica salutar, firmado na informação dos Espíritos Superiores, na vivência com os obsidiados, como pela observação profunda e meticulosa com que elaborou verdadeiros tratados de Higiene Mental, que são as obras do Pentateuco Espírita, esse incomparável monólito de luz, que inaugurou era nova para a Ciência, para a Filosofia, tornando-se o Espiritismo a Religião do homem integral, da criatura ansiosa por religação com o seu Criador.

Diante de qualquer expressão em que se apresentem as alienações por obsessão ou em que se manifestem suas sequelas, mergulhemos a mente e o coração no organismo da Doutrina Espírita, e, procurando auxiliar o paciente encarnado a desfazer-se do jugo constrangedor, não olvidemos o paciente desencarnado, igualmente infeliz, momentaneamente transformado em perseguidor ignorante, embora se dizendo consciente, mas sofrendo, de alguma forma, pungentes dores morais".

Comentário de Leonardo Paixão:

É preciso estudar, pesquisar sobre o assunto e vivenciar os antídotos quais a prece, a conduta moral enobrecida e, com o conhecimento sobre as técnicas obsessivas, realizar a desobsessão disciplinarmente em um grupo mediúnico sério e praticar no dia a dia o Evangelho do Cristo, assim, pregando pelo exemplo e moralizando o obsessor que observa as atitudes não só do obsedado, mas também de todos os elementos de uma equipe mediúnica para a qual foi direcionado para ser auxiliado.

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"Concitemos o encarnado à reformulação de idéias e hábitos, à oração e ao serviço, porquanto, através do exercício da caridade, conseguirá, sensibilizar o temporário algoz, que o libertará, ou granjeará títulos de enobrecimento, armando-se de amor e equilíbrio para prosseguir em paz, jornada a fora.

... E em qualquer circunstância procuremos em Jesus, Mestre e Guia de todos nós, o amparo e a proteção, entregando-nos a Ele através da prece e da ação edificante, porque somente por meio do amor o homem será salvo, já que o amor é a alma da caridade.

Obsessões e obsidiados são as grandes chagas morais dos tumultuados dias da atualidade. Todavia, a Doutrina Espírita, trazendo de volta a mensagem do Senhor, em espírito e verdade, é o portal de luz por onde todos transitaremos no rumo da felicidade real que nos aguarda, quando desejemos alcançá-la'.


(Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco na noite de 13-11-1976, no Centro, Espírita “Caminho da Redenção”, em Salvador, Bahia
Mensagem inserida no livro Sementes de Vida Eterna, Espíritos Diversos, psicografia de Divaldo Pereira Franco).


segunda-feira, 26 de junho de 2023

Nos Bastidores da Obsessão- Estudo.

Estudo do livro Nos Bastidores da Obsessão, do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco.

Prolegômenos

"Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potênciaa da natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo" (O Livro dos Espíritos  - Allan Kardec  - Introdução-28. ed. FEB-p. 23).

Comentário de Leonardo Paixão:

As ações dos Espíritos sobre o mundo moral se dão através da influência que exercem sobre os nossos pensamentos e sobre o mundo físico os Espíritos atuam nos mais diversos fenômenos da Natureza, tais como a evolução das espécies, as chuvas, os abalos sísmicos. Sobre esse assunto ver os livros A Caminho da Luz, Espírito Emmanuel, psicografia de Chico Xavier; Evolução em Dois Mundos, Espírito André Luiz, psicografia de Chico Xavier e Waldo Vieira; a questão 540 e seguintes de O Livro dos Espíritos. 

"Os modernos pesquisadores da mente encarnada, fascinados pelas experiências de labratório..."

Comentário de Leonardo Paixão:

Sendo esta obra do ano 1970, os modernos pesquisadores da mente encarnada eram os parapsicólogos, como Joseph  Banks Rhine nos EUA, sua esposa Louise Rhine, os pesquisadores da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas - URSS. Sobre aa pesquisas na antiga URSS, recomenda-se ler o livro Experiências Psíquicas por Trás da Cortina de Ferro, de Sheila Ostrander e Linn Schroeder.

"O psi é uma designação que dá elasticidade quase infinita aos recursos plásticos da mente, tais como conhecimento do passado (telepatia), ou acontecimentos que tiveram lugar anteriormente e se encontram gravados nas mentes de outras pessoas; conhecimento de ocorrências no mundo exterior (clarividência), sem o contato com impressões sensoriais e percepção do futuro (presciência)".

Comentário de Leonardo Paixão:

Estes fenômenos ocorrem com frequência nos trabalhos de desobsessão, de tratamento e de cirurgia espiritual no Grupo Espírita Semeadores da Paz, Campos dos Goytacazes, RJ,  que fundamos, dirgimos e onde exercemos nossos trabalhos mediúnicos.
Tais fenômenos tem sido confirmadoa por pessoas presentes nos respectivos trabalhos ou por pessoas que nos pediram ajuda com as quais entramos em contato depois. Os fenômenos de persciência ou premonitórios confirmam-se à medida que o tempo avança e, algumas vezes, quedas e acidentes e casos de prováveis cirurgias são evitados quando os encarnados alertados ficam vigilantes.

"Em princípio, os recursos valiosos da mente, nas experiências de transposição dos sentidos; fenômenos de profetismo e lucidez, demonstrações de insensibilidade táctil, nas alucinações, polarizações e despolarizações psíquicas, realizadas em epilépticos e histéricos hipnotizados, ensejavam conclusões apressadas que pareciam confirmar as características do psi".

Comentário de Leonardo Paixão:

Para um exemplo de um desses fenômenos vejamos:

As experiências de Charcot, Braid e Lombroso referentes à hipnose comprovaram que no estado hipnótico há insensibilidade nervosa e transposição dos sentidos, sobre isto, Lombroso cita a experiência que realizou com a jovem C. S., de 14 anos:
 
"De início, sonambulismo, durante o qual mostrava singular atividade nos labores domésticos, grande afetividade aos parentes, distinta disposição musical; mais tarde, apresentou mutação no caráter, audácia viril e imoral; mas, o fato mais estranho era que, enquanto perdia a visão dos olhos, via, com o mesmo grau de acuidade (o 7° na escala Jager), pela ponta do nariz e lóbulo esquerdo da orelha, lendo, assim, uma carta que então viera dos Correios, enquanto que eu lhe vendara os olhos, e pôde distinguir os números de um dinamômetro.
Curiosa era depois a nova mímica com que reagia aos estímulos levados aos que chamaremos órgãos ópticos transitórios e transpostos.
Avizinhando, por exemplo, um dedo à orelha ou ao nariz, ou fazendo menção de os tocar, ou ainda melhor, fazendo com uma lente incidir um raio de luz de lâmpada, mesmo à distância e por fração de minuto, ressentia-se vivamente e irritava-se.
- Quereis cegar-me? - gritava.
Depois, com instintiva mímica inteiramente nova, tão nova quanto o fenômeno, movia o antebraço a defender o lóbulo da orelha e a extremidade do nariz, e assim permanecia por alguns minutos" (LOMBROSO, César. Hipnotismo e Mediunidade. 5. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1999. p. 70-71).

"Comprovou-se mui facilmente por meio da sugestão hipnológica, que se pode impressionar um percipiente a fim de que o mesmo assuma personificações parasitárias momentaneamente, representando vultos da História ou simples pessoas da plebe..."

Comentário de Leonardo Paixão:

Pierre Janet em seu livro O Automatismo Psicológico traz diversos exemplos desse fenômeno.

Em nossos estudos de Magnetismo e Hipnotismo, realizamos experiências em Curso de Magnetismo realizado em nosso Grupo no ano 2016, onde não somente fortes dores de cabeça foram tratadas bem como levamos uma das percipientes a estado de transe mais profundo e sugerimos que ela estava "possuída" por um demônio. A experiência revelou-se tão bem sucedida que quando eu pedi que pessoa particpante da experiência levasse até mim um copo com água comum e quando eu aspergi um pouco dessa água sobre a pessoa em estado de hipnose e disse que era água benta, tal pessoa sentiu seu corpo queimar e quando fiz com os dedos a forma de uma cruz e lhes coloquei na testa dizendo ser um crucifixo bento, a pessoa se contorcia como a sentir fortes dores. Depois levamos a percipiente R. a um estado de relaxamento profundo e ordenamos por sugestão que ela de nada se lembrasse e, ao ser despertada, até hoje ela afirma convicta que de nada se lembra dessa experiência.
O que pudemos concluir dessas experiências? Primeiro que o Magnetismo e o Hipnotismo não são fantasias, segundo que podem e devem ser usados como tratamento para diversos males do corpo e da mente e terceiro que a partir deles podemos ter a certeza dos fenômenos de sugestão e que tais fenômenos por si não explicam outros tantos fenômenos mediúnicos como as batidas que os Espíritos dão e fenômenos outros como o da psicografia que traz identidade do Espírito com detalhes conhecidos de quem teve contato em vida com o Espírito comunicante e até mesmo a igualdade de assinatura que o Espírito pode trazer como mais um apêndice de prova à sua identidade. Além de outros fenômenos. Sobre isso leia-se o livro O Além e a Sobrevivência do Ser, de Léon Denis.

"Enquanto tais fenômenos se demoram sem explicação definitiva, a sobrevivência do Espírito após a morte do corpo não encontra aceitação pelas academias; distúrbios mentais de vária ordem aprisionam multidões em cárceres estreitos e sombrios, povoados pelos fantasmas da loucura, reduzindo o homem à condição primitiva do passado..."

Comentário de Leonardo Paixão:

Hoje temos a Reforma Psiquiátrica a não levar o ser humano a tal condição degradante. Para um estudo histórico sobre os avanços das medidas em relação às pessoas com graves distúrbios mentais, recomenda-se ler o livro História da Loucura, de Michel Foucault, onde se terá uma alta gama de informações desde a Idade Média até o século XX. E assim, poderemos apreciar os avanços no campo da Saúde Mental.

"Tratadistas estudiosos dos problemas psicossociológicos do presente atribuem grande parte dos distúrbios mentais à tensão das horas em que se vive, elevando, cada dia, o número dos desarranjados psiquicamente e aturdidos da emoção".

 Comentário de Leonardo Paixão:

Ainda hoje - 2023 -, os fatores sociais, em especial a busca da felicidade permanente, o uso intensivo das redes sociais, provocando isolamento e dependência de tela, além da tensão do cotidiano, são colocados por psiquiatras, psicólogos, psicanalistas, filósofos, sociólogos, antropólogos, por causas dos variados trantornos mentais.

"Naturalmente que, além desses, afirmam os de procedência  fisiológica, da hereditariedade, de vírus e germens, as sequelas ds epilepsia, da tuberculose, das febres reumáticas, da sífilis, os traumatismos e choques que se encarregam de contribuir larga e amplamente para a loucura. Fatores outros predisponentes a que também se referem nâo podem ser relegados a planos secundário. Todavia, além desses, que dão origem a psicoses e neuroses lamentáveis, outros há que somente podem ser explicados pela Doutrina Espírita, no capítulo das obsessões estudadas carinhosamente por Allan Kardec".

Comentário de Leonardo Paixão:

Sobre causas outras para os transtornos mentais, é de muito valor lermos ou relermos a obra A Loucura sob Novo Prisma, de Adolfo Bezerra de Menezes, onde ele tratará magistralmente a tese de que há loucura sem lesão cerebral, tendo por causa a influência de um ou mais Espíritos obsessores.

"Foi nesse período que Allan Kardec, convidado à liça da cultura e da informação, empunhando o bisturi da investigação, clareou, com uma Filosofia Científica, o Espiritismo, calcada em fatos devidamente comprovados, os escaninhos do obscurantismo, oferecendo uma terapêutica segura para as alienações torturantes, repetindo as experiências de Jesus Cristo junto aos endemoninhados e enfermos de toda ordem".

Comentário de Leonardo Paixão:

Os resultados que se obtém nas reuniões de desobsessão e de tratamento magnético-espiritual nos Grupos Espíritas em relação às pessoas obsedadas por Espíritos, vem nos mostrar o acerto de Kardec.

domingo, 18 de junho de 2023

Nos Bastidores da Obsessão - Estudo

Estudo do livro Nos Bastidores da Obsessão, do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco.

Exórdio - Continuação


"Diversos companheiros encarnados e nós participávamos, em desdobramento parcial pelo sono, das atvidades da desobsessão e das incursões no mundo espiritual sob o comando de abnegados mentores que nos sustentavam e conduziam, adestrando-noa nas realidades da vida extracorpórea".


Comentário de Leonardo Paixão:

As atividades de desobsessão continuam a ser exercidas no Mundo dos Espíritos, diversos são os relatos em livros sobre e orientação dos Guias Espirituais que dirigem os trabalhos de desobsessão para que todos da equipe mediúnica orem antes de deitar para dormir com o desejo sincero de ser instrumento para auxílio aos trabalhos que se desdobram no Além.


"(...) Como se tornassem cada vez mais complexas as tarefas em curso, a bondade dos amigos espirituais procedeu a conveniente censura das lembranças de modo a que a nossa vida material não fosse afetada pelas recordações de tais realizações".

Comentário de Leonardo Paixão:

Impressões muito vívidaa de ocorrências no Mundo dos Espíritos, podem promover desarmonia na vida de vigília, daí este cuidado dos Benfeitores.

Desequilíbrios por contante lembrança das imagens vistas nos cenários de Além Túmulos, levando a pensar constante sobre e despreocupação da vida de Espírito reencarnado; extrema preocupação com possíveis ataques espirituais; e até mesmo um proposital desleixo com a vida de trabalho na Terra, por considerar erroneamente que, a vida espiritual somente é que importa, desconsiderando que a reencarnação é uma fase da vida do Espírito.

"(...) Longe de ser um tratado sobre obsessão e desobsessão, é um ligeiro estudo-prático, através de uma família anatematizada pelas perturbações de Além-Túmulo".

Comentário de Leonardo Paixão:

É muito importante nosso acesso às informações que nos traz o Espírito Manoel Philomeno de Miranda, pois temos assim o estudo de um Espírito que, encarnado trabalhou com desobsessão e desencarnado traz o seu olhar ampliado com informações que, quando encarnado não tinha acesso tal como nós não temos, e através daa obras de Benfeitores como Miranda podemos aprofundar os mecanismos da obsessão e da desobsessão.

É interessante observarmos o seguinte relato:

Contou Divaldo na comemoração dos 130 anos de Manoel Miranda, em palestra proferida na FEEB - Sede Histórica:

Estava orando e agradecendo a Deus, quando entraram duas entidades venerandas, ambas de cabelos brancos. A primeira me era conhecida, e falou: Divaldo eu sou José Florentino de Sena, mas todos me conhecem por José Petitinga, nome que adotei depois do incidente de que fui objeto na cidade onde morei.

Nós somos velhos conhecidos, e quero lhe apresentar um querido companheiro - Manoel Miranda que é trabalhador da nossa causa e continua trabalhando lá, na nossa casa...

Manoel Miranda acercou-se-me e disse: "chame-me apenas de Miranda que é o que mais gosto. Nós temos um longo trabalho pela frente e vamos pedir a Deus que abençoe os nossos esforços"...

Em 1968, Miranda comunicou-se afirmando:

Desde que desencarnei, eu venho me dedicando há 30 anos ao estudo da obsessão. Disse-me ainda: "... havia um paciente que frequentava nossas reuniões mediúnicas, que era obsidiado; eu lidei com essas entidades anos a fio sem conseguir penetrar no âmago. Desencarnei, o meu paciente já havia morrido, e eu me impus o dever de procurá-lo... e ele continuava obsidiado.

E eu fui estudar a psicogênese da reencarnação. Faz 30 anos que, como qualquer universitário, estudo as leis de causa e efeito. Não fui homem de cultura, mas fui homem de bom senso e dedicado à lei da caridade. Então eu gostaria de mandar para a Terra as informações a respeito da reencarnação e das obsessões... Pedi permissão à Veneranda Joanna para escrever por seu intermédio...".

Divaldo esclareceu que não seria ele, o Miranda, o autor real do livro, mas uma espécie de narrador das experiências que outros realizariam... E foi desta forma psicografado o livro Nos Bastidores da Obsessão.

Quando Divaldo concluiu o livro, esteve com a médium Yvonne Pereira e narrou todo o processo da psicografia da obra, dizendo que pretendia oferecê-la à Federação Espírita Brasileira (FEB), pelo significado profundo do seu conteúdo. Então Yvonne lhe disse: "Se esse livro fosse meu, eu colocaria como título Nos Bastidores da Obsessão, acrescentando ser pertinente se tomar conhecimento do que acontece atrás da cortina".

Divaldo levou a sugestão a Miranda, que acolheu a ideia, e o livro foi encaminhado à FEB, que o publicou.

Em encontro com Chico Xavier, Divaldo foi informado de que o trabalho de Miranda é um desdobramento das obras do Espírito André Luiz, no aspecto da obsessão. (Grifei).


Fontes consultadas: 

- FRANCO, Divaldo/MIRANDA, Manoel Philomeno de (Espírito). A Prática Mediúnica Espírita. 1. ed. FEB: Brasília, DF, 2022. Organizadoras: Marta Antunes Moura e Carmem L. P. Silveira.

- Vídeo da palestra por Divaldo Franco, na comemoração dos 130 anoa de Manoel Miranda na Sede Histórica da FEEB, 2006.





sexta-feira, 16 de junho de 2023

Criações Fluídicas

Por Leonardo Paixão (*)


"A teoria das criações fluídicas e, por conseguinte, da fotografia do pensamento, é uma conquista do moderno Espiritismo e pode, doravante, considerar-se como firmada em princípio, ressalvadas as aplicações de minúcias que hão de resultar da observação. Este fenômeno é incontestavelmente a origem das visões fantásticas e desempenha grande papel em certos sonhos" (KARDEC. Allan. Obras Póstumas. 26. edição. Federação Espírita Brasileira, Brasília, DF, 1944. p. 116 - tradução de Guillon Ribeiro).


As criações fluídicas não sâo vistaa apenas pelos encarnados em estado de vigília (os clarividentes), nos sonhos elas são muito comuns e, como o Espírito está desprendido do corpo físico, ele recobra suas faculdades espirituais e pode ler, por assim dizer, as imagens que no Mundo Espiritual os Espíritos através de seus pensamentos produzem, imagens estas que podem lhe ser úteis como avisos preciosos e revelações. Aqui a causa dos chamados sonhos premonitórios ou pré-cognitivos (conhecimento antecipado dos fatos e dos chamados sonhos retrocognitivos (conhecimento de eventos passados - vidas passadas ou de fatos ocorridos com outrem e que não sabíamos).


Temos no Velho Testamento um exemplo claro de imagens fluídicas em sonhos e que representaram o aspecto da psiprecognitiva (visão psíquica de fatos a acontecer). Eis o relato do capítulo 41, versículos 17 a 32 do livro Gênesis:


"17 Então, disse Faraó a José: Eis que em meu sonho estava eu em pé na praia do rio.

18 E eis que subiam do rio sete vacaa gordas de carne e formosas à vista e pastavam no prado.

19 E eis que outras sete vacas subiam após estas, muito feias à vista e magras de carne; não tendo visto outras tais quanto à fealdade, em toda terra do Egito.

20 E as vacas magras e feias comiam as primeiras sete vacas gordas;

21 e entravam em suas entranhas, mas não se conhecia que houvessem entrado em suas entranhas,  porque o seu aspecto era feio como no princípio. Então acordei.

22 Depois, vi em meu sonho, e eis que de um mesmo pé subiam sete espigas cheias e boas.

23 E eis que sete espigas secas, miúdas e queimadas do vento oriental brotavam após elas.

24 E as sete espigas miúdas devoravam as sete espigas boas. E eu disse-o aos magos, mas ninguém houve que mo interpretasse.

25 Então, disse José a Faraó: O sonho de Faraó é um só; o que Deus há de fazer, notificou-o a Faraó.

26 As sete vacas formosas são sete anos; as sete espigas formosas também são sete anos; o sonho é um só.

27 E as sete vacas magras e feias à vista, que subiam depois delas, são sete anos, como as sete espigas miúdas e queimadas do vento oriental, serão sete anos de fome.

28 Esta é a palavra que tenho dito a Faraó; o que Deus há de fazer, mostrou-o a Faraó.

29 E eis que vem sete anos, e haverá grande fartura em toda a terra do Egito.

30 E,  depois deles, levantar-se-ão sete anos de fome, e toda aquela fartura será esquecida na terra do Egito, e a fome consumirá a terra;

31 e não será conhecida a abundância na terra, por causa daquela fome que haverá depois, porquanto será gravíssima.

32 E o sonho foi duplicado duas vezes a Faraó é porque esta coisa é determinada de Deus, e Deus se apressa a fazê-la".


As imagens fluídicas neste caso foram as vacas e as espigas.

Homens destemidos como o Dr. Joseph Banks Rhine dedicaram-se a estes estudos. Rhine declarou corajosamente: "Nada em toda a história do pensamento humano - heliocentrismo, evolução, relatividade - foi mais verdadeiramente revolucionário ou radicalmente contraditório para o pensamento contemporâneo do que os resultados da investigação da psiprecognitiva" (APUD: LOUREIRO, Carlos Bernardo. IN: Das Profecias à Premonição: passado, presente e futuro se fundem para constituir a eternidade. Rio de Janeiro: FEB, 1999).


Ainda hoje os sonhos premonitórios ou retrocognitivos desafiam os cultores das explicações biologizantes para fenômenos que ultrapassam o sensório humano conhecido e tão bem estudado. Ter a coragem de seguir nas pesquisas deles, é estar a auxiliar o progresso da Humanidade.


(*) Leonardo Paixão é trabalhador espírita. Fundador e Presidente do Grupo Espírita Semeadores da Paz em Campos dos Goytacazes, RJ  .

Como escritor e pesquisador espírita tem dois livros publicados pela editora EVOC: Reflexões Doutrinárias e Novas Reflexões Doutrinárias e artigos outros publicados no jornal online O Rebate, na Revista Reformador, da FEB, no grupo Espiritismo com Kardec (ECK) no facebook e neste blog.

sábado, 10 de junho de 2023

Nos Bastidores da Obsessão - Estudo

 Exórdio (Continuação).

"(...) A partir da publicação de O livro dos médiuns, em janeiro de 1861, em Paris, todo um conjunto de regras, com um notável esquema das faculdades mediúnicas, foi apresentado, a par de seguro estudo do Espírito, nas suas diversas facetas, culminando com o exame das manifestações espíritas, organização de sociedades e palestras dos Espíritos elevados, que traçaram rotas de segurança para os que ingressarem na investigação racional dos fenômenos medianímicos. A bússola para o sadio exercício da mediunidade foi apresentada com rigoroso equilíbrio, através da obra magistral".


Comentário de Leonardo Paixão; 

Esse trecho traz a lembrança de uma mensagem que nosso Guia Espiritual, Alberto nos deixou anos atrás e reproduziremos aqui:


 Páginas de Luz

Há 150 anos, após exaustivas pesquisas, Allan Kardec dava a lume O Livro dos Médiuns (1), um trabalho de fôlego a reunir os mais diferentes tipos de fenômenos e as mais diversificadas formas de mediunidade.   

Inteligência incomum, o Nobre Lionês observa que a mediunidade está dividida em duas grandes classificações: efeitos físicos e efeitos inteligentes. A sua observação irá ratificada por outros sábios que investigarão os fenômenos da psique humana. Na Metapsíquica, Ciência fundada pelo prêmio Nobel de Fisiologia, o Dr. Charles Richet, este classifica os fenômenos metapsíquicos em objetivos e subjetivos; os doutores Thouless e Wiesmer, designaram os fenômenos de Psi-Kapa (físicos) e Psi-Gama (mentais); Ernesto Bozzano, o sábio metapsiquista italiano, que escreveu proficuamente sobre os fenômenos paranormais, usou do método utilizado por Kardec e de maior segurança: o Controle Universal do Ensino dos Espíritos.

O Livro dos Médiuns ou Guia dos Evocadores, não é livro para enfeitar prateleiras ou ser aberto apenas em estudos especializados. Não, ele é fonte segura de orientação a todos os que desejam experimentar o contato com o Invisível. Nele as diretrizes para as reuniões saudáveis e para o aprendizado dos mistérios de além-túmulo.     

Nenhum tratado de Metapsíquica ou de Parapsicologia que se lhe tenha superado, mesmo a propagada Transcomunicação Instrumental (TCI) encontra respostas em suas páginas de luz.

Animismo, Obsessão, casas mal-Assombradas, Poltergeist, Refutação aos Sistemas e modos outros de encarar o Espiritismo, está tudo lá com uma argumentação sólida baseada na razão e nos fatos.

Ler, reler, estudar e meditar este tratado de Fenomenologia Parapsíquica, é dever de todo espírita consciente da necessidade do estudo e de sua colaboração com a Vida Maior para o bom andamento do Consolador no seio do mundo.

A Allan Kardec o nosso respeito e a nossa veneração.

Kardec ontem, Kardec, hoje.

Alberto, guia do médium

Nota do médium: (1) - Essa memsagem foi recebida no dia 28/07/2011. O Livro dos Médiuns foi lançado em 15 de Janeiro de 1861, portanto em 2011 foram celebrados os seus 150 anos.


"(...) De Kardec aos nossos dias, todavia, quantas edificantes realizações e preciosos estudos em torno dos médiuns, da mediunidade, das obsessões e das desobsessões têm sido apresentadas! Este capítulo dos problemas psíquicos  - a obsessão - tem merecido dos cristãos novos o mais acendrado interesse".


Comentário de Leonardo Paixão:

Após Kardec, vieram Gabriel Delanne, Cammille Flammarion, Léon Denis, Etnesto Bozzano, Carl Wickland, Alfred Erny, etc.

No Brasil, temos as seguintes obras de pesquisadores encarnados:

- A Loucura sob novo prisma, de Adolfo Bezerra de Menezes;

- Novos Rumos à Medicina, 2 volumes, de Inácio Ferreira;

- A Psiquiatria em Face da Reencarnação, de Inácio Ferreira;

- A Obsessão, o passe, a doutrinação, de José Herculano Pires;

- Vampirismo, de José Herculano Pires;

- Diálogo com as Sombras, de Hermínio Miranda;

- Coleção Histórias que os Espíritos contaram, de Hermínio Miranda;

- A Obsessão e seus Mistérios, de Carlos Bernardo Loureiro; 

- Obsessão/Desobsessão, de Suely Caldas Schubert;

- A Obsessão e suas Máscaras, de Marlene Nobre.


Citei estes poucos livros, para termos uma ideia sobre o quanto o assunto vem sendo desenvolvido. Sem falarmos nas extensas obras mediúnicas de Chico Xavier - notadamente as obras de Emmanuel e André Luiz -, de Divaldo Pereira Franco - notadamente as obras da Série Psicológica Joanna de Ângelis e as de Manoel Philomeno de Miranda, e as obras vindas por Yvonne do Amaral Pereira.

Material não nos falta para estudarmos, precisamos deixar de lado, tantas vezes, nossa preguiça mental.


"Sinal dos tempos a que se referem os escritos evangélicos prenuncia essa dor generalizada, a Era do Espírito Imortal".


Comentário de Leonardo Paixão:

Ver oo cap. XVIII - São chegados os tempos, do livo A Gênese, de Allan Kardec.

O desequilíbrio gerado pelo processo obsessivo em indivíduos de todo o mundo, vem chamar a atenção dos estudiosos das Ciências Psicológicas, especialmente, quando, cessada a obsessão, a pessoa retoma o seu estado normal. E, a mudança moral do sujeito, promove mudança no estado social. Obviamente que tal modificação na sociedade só pode ser apreciada a partir de uma proliferação de indivíduos com novos valores, pois individualmente, a observação de um novo comportamento fica restrita aos núcleos em que aquele indivíduo circula.


'(...) Os altos índices da criminalidade de todos os matizes e as calamidades sociais espalhadas na Terra são, todavia, alguns fatores predisponentes e preponderantes para as obsessões..."


Comentário de Leonardo Paixão:

As vítimas de hoje a depender de seu estado espiritual, poderão ser os obsessores de amanhã, isto é, quando os que a elas fizeram mal, estiverem reencarnados ou já nesta reencarnação, como temos visto ocorrer em nossas sessões de desobsessão. Na Revista Espírita, ano 1859, mês de Novembro, Allan Kardec nos traz interessante relato. Leiamos: 

Um dos nossos correspondentes, homem de grande saber e portador de títulos científicos oficiais, o que não o impede de cometer a fraqueza de acreditar que temos uma alma e que essa alma sobrevive ao corpo, que depois da morte fica errante no espaço e ainda pode comunicar-se com os vivos, tanto mais quanto ele próprio é um bom médium e mantém conversas com os seres de além-túmulo, dirige-nos a seguinte carta:

 

“Senhor,

“Talvez julgueis acertado agasalhar na vossa interessante revista o fato seguinte:

“Há algum tempo eu era jurado. O tribunal devia julgar um moço, apenas saído da adolescência, acusado de ter assassinado uma senhora idosa em circunstâncias horríveis. O acusado confessava e contava os detalhes do crime com uma impassibilidade e um cinismo que faziam fremir a assembleia.

“Entretanto é fácil prever, em virtude da sua idade, da sua absoluta falta de educação e dados os estímulos recebidos em família, que fossem apresentadas em seu favor circunstâncias atenuantes, tanto mais que ele fora levado pela cólera, agindo contra uma provocação por injúrias.

“Eu quis consultar a vítima a respeito do grau de sua culpabilidade. Chamei-a, durante uma sessão, por uma evocação mental. Ela me fez saber que estava presente e eu pus minha mão às suas ordens. Eis a conversação que tivemos ─ eu, mentalmente, ela pela escrita:

“─ O que a senhora pensa de seu assassino?

“─ Não serei eu quem o acusará.

“─ Por quê?

“─ Porque ele foi levado ao crime por um homem que me fez a corte há cinquenta anos e que, nada tendo conseguido de mim, jurou vingar-se. Conservou, após a sua morte, o desejo de vingança e aproveitou as disposições do acusado para lhe inspirar o desejo de matar-me.

“─ Como sabe disso?

“─ Porque ele mesmo me disse, quando cheguei a este mundo que hoje habito.

“─ Compreendo sua reserva diante dos estímulos que o seu assassino não repeliu como deveria e poderia. Mas a senhora não pensa que a inspiração criminosa, à qual ele voluntariamente obedeceu, não teria sobre ele o mesmo poder, se não houvesse nutrido ou entretido, durante muito tempo, sentimentos de inveja, de ódio e de vingança contra a senhora e a sua família?

“─ Com certeza. Sem isso ele teria sido mais capaz de resistir. Eis por que digo que aquele que quis vingar-se aproveitou as disposições desse moço. O senhor compreende que ele não se teria dirigido a alguém que se dispusesse a resistir.

“─ Ele goza com a sua vingança?

“─ Não, pois vê que isso lhe custará caro. Além disso, em lugar de me fazer mal, ele me prestou um serviço, fazendo-me entrar mais cedo no mundo dos Espíritos, onde sou mais feliz. Foi, pois, uma ação má sem proveito para ele.

“Circunstâncias atenuantes foram admitidas pelo júri, baseadas nos motivos acima indicados, e a pena de morte foi descartada.

“A respeito do que acabo de contar, deve fazer-se uma observação moral de grande importância. É necessário concluir, com efeito, que o homem deve vigiar os seus menores pensamentos malévolos e até mesmo os seus maus sentimentos, por mais fugidios que pareçam, pois eles podem atrair para si Espíritos maus e corrompidos, e expô-lo, fraco e desarmado, às suas inspirações culposas. É uma porta que ele abre ao mal, sem compreender o perigo. Foi, pois, com um profundo conhecimento do homem e do mundo espiritual que Jesus Cristo disse: ‘Todo aquele que olhar para uma mulher para cobiçá-la, já em seu coração adulterou com ela.’ (Mat. 5:28).

“Tenho a honra, etc

SIMON M...”


"A Doutrina Espírita, porém, possui os antídotos, as terapias especiais para tão calomitoso mal".


Comentário de Leonardo Paixão: 

No prefácio ao livro A Obsessão: instalação e cura, organizado por Adilton Pugliese adverte Manoel Philomeno de Miranda:

"A leviandade tem-se apresentado com teorias fascinantes e inócuas, prometendo curas miraculosas e outros resultados imediatos, como se estivesse diante de uma patologia simples, ao tempo em que se tratasse com fenômenos  cujas causas imediatas pudessem ser removidas a passes de mágica ou de fabuloso poder. Esquecida que o enfrentamento obsessivo tem geratriz anterior e assenta as suas raizes em fatores emocionais muito profundos, não pode ser combatida senão através de cuidadosa terapia espiritual, na qual ambos os litigantes se resolvam pelo amor, pelo olvido ao mal e construção do bem, renovando-se e iluminando-se com o conhecimento da realidade que dimana de Jesus-Cristo, o Psicoterapeuta excelente, que libertou inúmeros enfermos de todos os tipos que dEle se acercaram e se resolveram por mudar o panorama íntimo, adquirindo saúde moral.

A psicoterapia desobsessiva exige cuidados especiais e somente pessoas credenciadas pela conduta espiritual e pelo conhecimento do Espiritismo, que estejam habituadas ao intercâmbio mediúnico, particularmente com os Espíritos mentirosos, embusteiros, obsessores, que são portadores de incontáveis habilidades na arte de iludir e malsinar".

Terminamos essa parte de nosso estudo alertando:

No Espiritismo encontramos o estudo racional sobre obsessões e os meios de as curar, sem misticismos tolos e fórmulas vazias 


Deus a todos abençoe!!



domingo, 4 de junho de 2023

Nos Bastidores da Obsessão - Estudo

Estudo da obra Nos Bastidores da Obsessão, do Espírito Manoel Philomeno de Miranda, psicografia de Divaldo Pereira Franco.


Exórdio

"Pululam em torno da Terra os maus Espíritos, em consequência da inferioridade moral de seus habitantes".

Comentário de Leonardo Paixão:
Causa primeira da obsessão: inferioridade moral dos habitantes do planeta Terra. Logo, se os habitantes do planeta possuem inferioridade moral, ao desencarnarem mantém-se tais quais são e, entram em contato com as mentes encarnadas de seu mesmo nível evolutivo, daí ocorrendo os mais variados processos obsessivos.

Em outro momento nos esclarece Miranda:

"À semelhança de previsível epidemia, vêm-se multiplicando os casos de psicopatologia obsessiva, arrebanhando multidões  desavisadas que lhes tombam nas malhas soezes com volumosos prejuízos morais para a sociedade.
Essa ocorrência tem lugar no mundo, por causa da inferioridade espiritual em que as criaturas se demoram, permitindo-se a promiscuidade psíquica com os Espíritos atrasados que pululam em torno da Terra, emigrados do corpo físico pelo fenômeno incoercível da morte biológica.
Vítimas dos hábitos doentios a que se permitiram, prosseguem com avidez no comércio mental e emocional com todos quantos com eles se sintonizam, em razão da afinidade de gostos e interesses que mantém" (MIRANDA. A Obsessão: instalação e cura, 2004. Grifos nossos).

Comentário de Leonardo Paixão:

Muitas obsessões fortuitas ocorrem devido aos maus hábitos.
As obsessões fortuitas são as que ocorrem de forma repentina, inesperada, sem planejamento nem previsão, isto é, são as que se desencadeiam devido à afinidade de gostos, de interesses entre desencarnados e encarnados.
Importante também observarmos estas orientações de Allan Kardec: "(...) Seria errôneo, pois acreditar-se que os Espíritos  só exercem sua influência por meio de comunicações escritas ou verbais. Essa influência é permanente (grifei) e mesmo os que não se ocupam com os Espíritos, ou neles não creem, estão expostos a sofrê-la, como os outros e mesmo mais do que os outros, porque não têm como contrabalançá-la.
As causas da obsessão variam de acordo com o caráter do Espírito. Às vezes é uma vingança que ele exerce sobre a pessoa que o magoou nesta vida ou em existências anteriores (grifei). Muitas vezes, é o simples desejo de fazer o mal (grifei), como o Espírito sofre, quer fazer que os outros também sofram, encontra uma espécie de prazer em atormentá-los, em humilhá-los, e a impaciência que a vítima demonstra o exacerba mais ainda, porque é esse o objetivo que o obsessor tem em vista, enquanto a paciência acaba por cansá-lo. Ao irritar-se e mostrar-se despeitado, o perseguido faz exatamente o que o perseguidor deseja. Esses Espíritos agem, não raras vezes, por ódio e por inveja do bem, o que os leva a lançarem suas vistas malfazejas sobre as pessoas mais honestas. Um deles se apegou como "sarna" a uma honrada família do nosso conhecimento, à qual, aliás, não teve a satisfação de enganar. Interrogado acerca do motivo por que se agarrara a pessoas tão distintas, em vez de apegar-se a homens maus como ele, respondeu: estes não me causam inveja (grifo do original). Outros são guiados por um sentimento de covardia, que os induz a se aproveitarem da fraqueza moral de certos indivíduos, que eles sabem, incapazes de lhes resistirem. Um destes últimos, que subjugava um rapaz de inteligência muito curta, interrogado sobre os motivos dessa escolha, respondeu: Tenho grande necessidade de atormentar alguém. Uma pessoa criteriosa me repeliria; ligo-me a um idiota, que não me opõe nenhuma resistência (grifo do original)" (KARDEC. O Livro dos Médiuns).

Colocando aqui estas orientações de Allan Kardec, bem podemos compreender as causas das obsessões.

"(...) A obsessão, (...) deve, pois, ser considerada como prova ou expiação e aceita com esse caráter (grifei)" (1)

1. Nota do autor espiritual:
KARDEC, Allan. A Gênese. Cap. XIV, it. Obsessões e Possessões, 2013. (Ref. atualizada).

Comentário de Leonardo Paixão: 

Se a obsessão deve ser considerada como prova ou expiação e, se há os casos de obsessão fortuita, pensamos que tal como as obsessões por vingança aqueles devam ser consideradas como provas.
Já a obsessão como expiação pode ser lida no relato que faz Yvonne do Amaral Pereira no livro Recordações da Mediunidade, cap. 10 - O Complexo Obsessão. História do Revmo. Padre J. Na 6* edição da FEB o relato inicia na p. 204.

"Ignorada propositadamente pela chamada Ciência oficial,"

Comentário de Leonardo Paixão: 

Hoje, em pleno século XXI, apesar de avanços no campo das Ciências Psicológicas, tendo na (o) CID F. 44. 3 -  Estados de Transe e de Possessão, a não patologização de tais processos quando ocorridos sob controle, seja em Templos religiosos ou em momentos religiosos, ainda falta por parte dos profissionais da Medicina Psiquiátrica e da Psicologia, um aprofundamento sobre esses estados alterados de consciência. A Psicologia Transpessoal tem avançado nesses estudos.
Ainda temos uma ciência biologizante, onde o fisiológico a tudo há de explicar.

"(...) Barão von de Guldenstubbé"

Comentário de Leonardo Paixão:

Nâo se sabe o ano de seu nascimento, sabe-se que morreu no ano 1873), foi um cientista e pesquisador escandinavo, que muito se interessou pelas materializações luminosas. Intorduziu na Europa o estudo da escrita direta. Escreveu um livro com mensagens dos Espíritos via escrita direta ou pneumatografia: A Realidade dos Espíritos e de suas Manifestações. (1855).

Comentário de Leonardo Paixão: 

Na Introdução de O Livro dos Espíritos, item IV, 4* parágrafo, Allan Kardec nos traz sobre as pesquisas realizadas anos antes: 'O conselho foi dado simultaneamente na América, na França e em diversos outros países. Eis em que termos o deram em Paris, a 10 de junho de 1853, a um dos mais fervorosos adeptos da doutrina e que, havia muitos anos, desde 1849, se ocupava com a evocação dos Espíritos: "Vai buscar, no aposento ao lado, a cestinha; amarra-lhe um lápis; coloca-a sobre o papel; põe-lhe os teus dedos sobre a borda". Alguns instantes após, a cesta entrou a mover-se e o lápis escreveu, muito legível, esta frase: "Proíbo expressamente que transmitas a quem quer que seja o que acabo de dizer. Da primeira vez que escrever, escreverei melhor".


"(...) E todos aqueles que se dedicaram à observação e ao estudo, à experimentação e ao fenômeno são concordes na comprovação da continuidade da vida após a morte..."

Comentário de Leonardo Paixão: 

Lendo o pequeno livro de Léon Denis O Além e a Sobrevivência do Ser, temos relatos de homens e mulheres de Academias e Sociedades Científicas das mais diversas manifestações dos Espíritos, tais as aparições, fenômenos no momento da morte, psicografias com claras provas de identidades, casos de xenoglossia,etc.

É lamentável constatarmos que muitos cientistas das mais diversas áreas - exatas, biológicas, humanas -, bem como Filósofos e Literatos, neguem a imortalidade da alma e demonstrem pouco ou nenhum interesse sobre o assunto.

"Nos EUA se tornaram famosas as experiências psiquiátricas realizadas pelo Dr. Carl Wickland".

Comentário de Leonardo Paixão: 

Dr. Carl Wickland foi um psiquiatra americano da Faculdade de Medicina de Chicago, que abriu uma clínica para o tratamento da obsessão. Escreveu o livro Trinta Anos entre os Mortos, em que relata as diversas desobsessões que realizou. Um livro a ser lido com muito proveito a todo lidador das tarefas de desobsessão.


"Diante de Alcina incorporada pelo Espírito de Galeno, em plena sessão na Salpetrière, respondeu Charcot aos interessados no fenômeno e que o inquiritam que lhes não convinha se adiantassem à própria época em que viviam... Sugeriu que se não buscassem raciocínios que aclarassem os resultados das investigações, devendo contentar-se somente com aquela observação experimental, a que todos haviam presenciado. Tal atitude anticientífica tem sido mantida por respeitáveis investigadores, por temerem a realidade da vida imperecível"


Comentário de Leonardo Paixão: 

Jean-Martin Charcot (1852 - 1893) - médico francês, conhecido por seus trabalhos sobre doenças nervosas. Trabalhou com hipnose, com quem Freud muito aprendeu antes de fundar a Psicanálise.
Percebemos em suas obras que muito antes de suas experiências, Allan Kardec, já havia Codificado a Doutrina Espírita e, portanto,já era mais do que chegado o tempo de se avançar nas investigações, porém, os preconceitos dos acadêmicos e do próprio pesquisador faziam com que os assuntos tidos à época por ocultos não fossem considerados ou tidos como fruto exclusivo de um inconsciente. 

Coninuaremos na próxima semana.
Deus conosco sempre!!